Inglaterra, 1580. Um professor de latim sem dinheiro conhece Agnes, uma jovem de espírito livre. Fascinados um pelo outro, iniciam um romance apaixonado antes de se casarem e terem três filhos. Enquanto Will tenta a sorte como dramaturgo em Londres, Agnes assume sozinha as tarefas domésticas. Quando uma tragédia acontece, o casal, outrora profundamente unido, é abalado. Mas é dessa provação compartilhada que nasce a inspiração para uma obra-prima universal.
Shakespeare e perda
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, filme de Chloé Zhao, é baseado em um romance de Maggie O'Farrell publicado em 2020 e adaptado para o teatro. Mas o verdadeiro ponto de partida da história remonta a muito antes, especificamente a agosto de 1596, quando William Shakespeare e sua esposa, Anne Hathaway, enfrentaram a morte de seu filho de 11 anos, Hamnet, que se acreditava ter sucumbido à peste bubônica.
Daí a pensar que Hamlet foi escrito por Shakespeare em reação à morte de seu filho é apenas um pequeno passo... que nunca foi oficialmente dado, apesar de elementos na peça tenderem a confirmar essa teoria.
Focus Features
"Tive que esperar que as respostas viessem até mim"
"Tudo isso estava além da minha compreensão", disse Zhao durante uma coletiva de imprensa em Paris em 11 de dezembro de 2025. "Não é que eu tenha recusado, mas, para falar a verdade, eu estava dirigindo pelo deserto do Novo México, onde o sinal de celular é péssimo, quando a Amblin [produtora de Spielberg] me ligou. Então não havia espaço para uma conversa. Tudo o que eu sabia era que se tratava de Shakespeare e sua esposa, a perda do filho deles e um filme histórico. Então, minha primeira reação foi perguntar: 'Por que eu?'"
"Eu não entendia o que eles viam em mim, o que me tornava a pessoa ideal para dirigir este filme. E não consegui ouvir muito da explicação deles por causa do sinal, então disse que não me via fazendo o filme. Mas tudo mudou quando conheci Paul [Mescal] e Jessie [Buckley], e quando li o livro. Então eu não recusei, eu estava confusa. Tive que esperar que as respostas viessem até mim."
Mescal e Buckley acrescentaram uma atuação notável aos seus já impressionantes currículos ao assumirem os papéis de William Shakespeare e sua esposa Agnes, respectivamente. Não Anne, embora seja a mesma pessoa da história real. Essa mudança não reflete, de forma alguma, um desejo de tomar liberdades com essa realidade nunca comprovada, já que a explicação reside na legenda que abre o filme, esclarecendo que "Hamlet" e "Hamnet" eram duas variações do mesmo nome na época em que a história se passa.
O título do livro e do filme, portanto, não estão grafados incorretamente, assim como não houve erro em relação à esposa do dramaturgo, às vezes chamada de Agnes e não Anne (notavelmente no testamento de seu pai), sendo que ambas as grafias se referem ao mesmo nome.