Talvez Jurassic World: Domínio não seja a parcela favorita de todos. Mas o filme funcionou como um teste para comprovar se este universo ainda tinha força depois de quase três décadas.
Existem franquias como Star Wars, Harry Potter e De Volta para o Futuro que vivem da pura nostalgia. Você volta a elas porque cresceu com seus personagens, porque sua música atinge direto o seu coração ou porque simplesmente se tornaram parte do DNA popular. Mas uma coisa é voltar por carinho e outra muito diferente é conseguir que o público sinta uma emoção real novamente.
Foi exatamente o que aconteceu com certa entrega jurássica que chegou quando muitos pensavam que a fórmula já estava mais do que esgotada. A realidade é que os dinossauros nunca saem de moda, mas manter viva uma saga que começou em 1993 com Steven Spielberg não é tarefa fácil. Ainda menos quando o peso do original continua sendo tão enorme que qualquer sequência entra automaticamente em terreno perigoso.
Um retorno gigantesco, caro e muito mais importante do que parece
O curioso é que o filme que acabou dando um novo impulso à franquia o fez em um nível descomunal. Jurassic World: Domínio acabou se tornando o filme de ficção científica mais caro da história, com um custo de quase 584 milhões de dólares. Além disso, apesar das críticas divisivas, o filme ultrapassou a marca de um bilhão de dólares na bilheteria mundial, deixando claro que o interesse por esta saga continuava firme e forte.
E isso muda bastante a conversa. Porque, independentemente de alguns terem amado e outros terem se irritado, Jurassic World: Domínio conseguiu algo importante: reativar uma franquia que nasceu com Jurassic Park. No Brasil, o filme pode ser visto na Amazon Prime Video.
De Spielberg a Trevorrow: o tamanho do monstro
Relembrar Jurassic Park é continuar falando de um dos grandes marcos do cinema comercial. O filme de Spielberg não apenas levou os dinossauros a outro nível visual; também transformou uma premissa de aventura científica em um evento cultural. O espanto, o medo, a trilha sonora, o copo de água vibrando — tudo isso ficou tatuado na memória coletiva.
A trilogia Jurassic World entendeu rapidamente que não podia competir apenas com a memória do original, mas que precisava expandir o jogo. Já não bastava um parque fora de controle: agora era preciso pensar em dinossauros compartilhando território com os humanos, corporações manipulando a genética e uma escala muito mais global.
Jurassic World: Domínio, dirigido por Colin Trevorrow, situa-se exatamente aí: quatro anos após a destruição da Ilha Nublar, com as criaturas agora soltas pelo mundo e obrigando a humanidade a conviver com elas, para o bem ou para o mal.
Uma das jogadas mais eficazes de Jurassic World: Domínio foi entender que o público não queria apenas ver dinossauros causando destruição. Também queria sentir que esta história se conectava de forma mais clara com a saga iniciada por Spielberg. Por isso, o retorno de Laura Dern, Sam Neill e Jeff Goldblum foi a união de duas gerações dentro do mesmo universo.
Com todas as discussões, memes, críticas mistas e um orçamento absurdo, o filme colocou a franquia novamente no centro da conversa. Não é pouca coisa. Reviveu uma saga lendária, reconectou-se com suas raízes "spielbergianas" e relembrou algo muito simples: os dinossauros continuam sendo um espetáculo irresistível.