Michael Keaton interpretou o mesmo personagem em dois filmes diferentes: Agora eles compartilham um universo
Giovanni Rodrigues
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

Michael Keaton não só fez o Batman em vários filmes: Também foi um personagem que nasceu pelas mãos de Quentin Tarantino.

Quando Pam Grier entrou no escritório de Quentin Tarantino para ler o papel de seu novo filme, encontrou-o forrado com pôsteres de seus antigos filmes blaxploitation. Ela, lisonjeada, perguntou se ele os tinha colocado de propósito, e ele respondeu que não. Na verdade... ele estava pensando em retirá-los antes que ela chegasse para que não tivesse a impressão de que ele queria impressioná-la! Grier, que acreditava que Tarantino não quereria trabalhar com ela novamente depois de não tê-la escolhido para Pulp Fiction, descobriu então que ela seria a protagonista absoluta de Jackie Brown.

Jackie Brown
Jackie Brown
Data de lançamento 22 de maio de 1998 | 2h 30min
Criador(es): Quentin Tarantino
Com Pam Grier, Samuel L. Jackson, Robert De Niro
Usuários
4,0
alugar ou comprar

Universo compartilhado Jackie Brown

Jackie Brown é o único filme de Tarantino adaptado de um romance: Rum Punch, de Elmore Leonard, escrito em 1992 e pelo qual o diretor tinha autêntica reverência. No entanto, ao fazer o roteiro, decidiu mudar detalhes importantes: sua protagonista seria negra em vez de branca e o sobrenome, em vez de Burke, seria Brown. Quando Leonard o leu, não apenas gostou, mas acreditou que era a melhor de suas adaptações e o melhor roteiro que havia lido em toda sua vida.

Neste roteiro havia um personagem, o agente Ray Nicolette, que intercepta Jackie em determinado momento, e que foi interpretado por Michael Keaton. No ano seguinte, pediram a Keaton para aparecer em Irresistível Paixão, outra adaptação de Elmore Leonard na qual também aparecia... Ray Nicolette! Keaton duvidou se deveria fazer o papel novamente, mas Tarantino queria que ele o fizesse, então aceitou: ele aparece em apenas uma cena e não consta nos créditos. De fato, o diretor pediu à Miramax que não cobrasse da Universal pelo uso do personagem, algo que lhe concederam. Era conveniente não contrariá-lo, é claro.

Miramax/Universal

O filme, no final, foi um grande sucesso, mas não isento de polêmica pelo uso da palavra "nigger", que se repetia um total de 38 vezes, como parte de sua homenagem ao blaxploitation. Tarantino não só não se importou absolutamente nada, como superou o número em Django Livre e Os Oito Odiados. Bobagens, apenas o necessário.

facebook Tweet
Links relacionados