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    David Bowie (1947–2016): Relembre a carreira do Camaleão do Rock nos cinemas
    Por Joao Vitor Figueira — 11/01/2016 às 19:05
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    Porque Bowie interpretou outros personagens além de Ziggy Stardust, Aladdin Sane e Thin White Duke.

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    Em sua carreira musical, David Bowie foi, nada mais, nada menos, que a personificação da metamorfose, sempre se reinventando e se desafiando em cada uma de suas fases criativas.

    Parte desse processo incessante de criação envolveu assumir distintas personas nos palcos e videoclipes, incluindo os alienígenas Ziggy Stardust e Aladdin Sane, o aristocrata demente Thin White Duke ("Duque Magro e Branco", em português) e uma versão sinistra do palhaço Pierrot.

    Nos cinemas, Bowie também encarnou personagens em seu caminho como ator, embora tenha sido um lado menos explorado de sua carreira em relação ao seu ofício principal.

    Outros nomes de peso da música também se aventuraram na sétima arte, mas não são todos os músicos/atores que podem dizer que já trabalharam com cineastas como Christopher Nolan, Martin Scorsese e David Lynch.

    Apesar de seu colossal legado na música, sua carreira nos cinemas também é repleta de momentos memoráveis e cheia de escolhas ecléticas. Relembre nesta notícia os passos de Bowie pelos estúdios de cinema e seus melhores momentos.

    Filme: O Homem Que Caiu na Terra (1976)

    No drama de ficção científica dirigido por Nicolas Roeg e baseado no romance de mesmo nome, David Bowie estrelou um longa-metragem pela primeira vez.

    Na trama, o músico interpreta um alienígena humanóide (assim como Ziggy Stardust e Aladdin Sane) que chega na Terra com a missão de conseguir água para salvar seu planeta de origem moribundo. Ele usa seus conhecimentos avançados para fundar uma empresa e logo fatura rios de dinheiro, descobre o sexo, a bebida e se fascina com a programação de TV. 

    Bowie chegou a compor a trilha sonora para o filme, mas o trabalho do músico foi descartado pelos produtores. Após isso, ele reaproveitou diversos conceitos que concebeu para a identidade sonora do filme no disco "Low", de 1977, que traz uma capa retirada de um frame de O Homem Que Caiu na Terra.

    O Homem que Caiu na Terra Trailer Original

    Filme: Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída (1981)

    Baseado em fatos reais, a cinebiografia Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída traz Bowie fazendo uma ponta como si mesmo. A trama do filme alemão acompanha o envolvimento de uma adolescente com o abuso de drogas na Berlim Ocidental. Após usar LSD pela primeira vez, Christiane vai à um show de Bowie (retratando uma situação vivida fora da ficção pela jovem que inspirou o filme). 

    O filme se tornou "cult" graças à participação de Bowie, que também cedeu canções clássicas para o longa e compôs a trilha-sonora.

    Há um momento icônico na produção que é embalado pela poderosa balada "Heroes", quando Christiane e seus amigos correm ao som da vibrante canção de Bowie. Anos depois, o cinema iria reapresentar a música para uma nova geração de jovens no filme As Vantagens de Ser Invisível.

    Filme: Fome de Viver (1983)

    O filme de estreia de Tony Scott fez Bowie contracenar com duas talentosas atrizes: Catherine Deneuve e Susan Sarandon. Unindo terror e thriller com uma estética neo-noir, a produção traz Bowie no papel do vampiro John Blaylock, que logo percebe que, apesar de ser imortal, ele não será jovem para sempre.

    Por conta de cenas violentas e cheias de sexo, Bowie achou que o filme seria muito polêmico para época em que foi lançado. "Eu devo dizer, não há nada como esse filme no mercado. Eu estou um pouco preocupado que o filme seja muito perverso e sangrento em alguns momentos", analisou.

    A obra foi abraçada pelo público gótico e elevou a canção "Bela Lugosi's Dead", da banda post-punk Bauhaus, ao status de clássico underground.

    Foto: Furyo, Em Nome da Honra (1983)

    O primeiro filme trabalho de Bowie nos cinemas foi uma breve participação não creditada no filme de guerra Os Soldados Virgens, de 1969, antes de seu estrelato massivo. Em 1983, o músico voltou ao gênero com toda a classe em uma de suas atuações mais elogiadas.

    Com direção de Nagisa Oshima, o longa-metragem conta com Bowie no papel do Major Strafer, um militar britânico que foi feito refém pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. No campo de prisioneiros, temas como honra, culpa e atração homoerótica são abordados na relação entre Strafer e o chefe do campo de prisioneiros, o Capitão Yonoi (Ryuichi Sakamoto)

    Furyo, Em Nome da Honra concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1983.

    Filme: Labirinto - A Magia do Tempo (1986)

    O Camaleão encarnou um extravagante Jareth, o Rei dos Duendes em Labirinto - A Magia do Tempo, último filme dirigido por Jim Henson (1936 - 1990), que é mais conhecido por ter criado a franquia Os Muppets. A produção executiva é de George Lucas, que usou bonecos e efeitos práticos na trilogia original de Guerra nas Estrelas.

    No filme, que apesar de ter uma estética quase trash virou cult, Jennifer Connelly (aos 15 anos, em início de carreira) vive a adolescente Sarah, que está irritada por que tomar conta de seu irmão mais novo. Depois de desejar se livrar dele, o menino some misteriosamente, deixando-a desesperada. Logo, Sarah descobre que o garoto foi raptado por Jareth e levado para um extravagante mundo repleto de criaturas estranhas. Para resgatá-lo, Sarah terá de passar por um complexo labirinto e ouvir músicas nada ortodoxas de Bowie.

    Filme: Absolute Beginners (1986)

    Absolute Beginners não foi bem recebido pela crítica, mas a canção-tema, escrita e cantada por Bowie, chegou ao segundo lugar na parada das músicas mais tocadas no Reino Unido.

    Por mais que o filme não seja bem avaliado, a atuação do Camaleão do Rock merece destaque na trama que se passa na Londres do final dos anos 50 sobre um romance impossível entre um aspirante a fotógrafo (Eddie O'Connell) e uma aspirante a estilista (Patsy Kensit). Bowie interpreta um mal-intencionado executivo que tenta aliciar Colin.

    Filme: A Última Tentação de Cristo (1988)

    Quando falamos que Bowie é uma espécie de "metamorfose ambulante", uma boa maneira de exemplificar isso é se perguntando: Que outro ator poderia se sair tão bem interpretando tanto um duende nefasto quanto Pôncio Pilatos?

    No polêmico A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese, Bowie encarna o prefeito da província romana da Judeia que condena Jesus à morte na cruz, mesmo sabendo que Cristo é inocente. O diálogo de Pilatos com o Messias (Willem Dafoe) é um dos pontos altos do filme. "Tudo que eu estou dizendo é que a mudança virá através do amor, não através de assassinatos", diz Jesus. Intransigente, Pilatos responde: "De qualquer forma, isso é perigoso. Isso é contra Roma. Isso é contra a maneira que o mundo é. Matar, amar é a mesma coisa. Não importa como você quer mudar as coisas. Nós não queremos que elas mudem".

    Filme: Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer (1992)

    Assim como em A Última Tentação de Cristo, a participação de Bowie neste filme é breve, mas não deixa de ser inspirador ver o cantor trabalhar com o cineasta David Lynch, que assim como David, é afeito à excentricidades.

    Quem viu os videoclipes de "Blackstar" e "Lazarus", dois últimos clipes de Bowie, lançados dias antes de sua morte, vai concordar que eles poderiam ter contado com a assinatura de Lynch, mente por trás de clássicos perturbadores como Veludo Azul e Cidade dos Sonhos.

    Em Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer, prelúdio/sequência da série Twin Peaks, Bowie vive um agente do FBI assombrado com um sotaque de um sulista americano carregado falando coisas sem muito sentido. Perfeito.

    Filme: Basquiat - Traços de Uma Vida (1996)

    A cinebiografia do artista plástico Jean-Michel Basquiat contou com Bowie no papel de um de seus ídolos, o também artista plástico Andy Warhol. Para seu papel no filme baseado em fatos reais, Bowie chegou a usar as mesmas perucas que o artista usou em vida.

    Na trama, Warhol é retratado como o mentor que ajudou Basquiat, um artista de rua do Brooklyn, a ganhar o mundo.

    Filme: Zoolander (2001)

    Por mais que a maior parte de seus papéis nos cinemas sejam mais "sérios", Bowie também sabe dar valor a uma comédia. Uma participação especial do músico agregou um valor e tanto ao relativamente cultuado filme Zoolander. Bowie media uma batalha na passarela entre os modelos descerebrados interpretados por Ben Stiller e Owen Wilson.

    Filme: O Grande Truque (2006)

    O último grande papel de Bowie nos cinemas foi trabalhando com um diretor que estava em vias de se tornar um dos grandes de seu tempo. Em O Grande Truque, de Christopher Nolan, Bowie encarna mais uma vez um de seus ídolos pessoais, o físico Nikola Tesla.

    Seu personagem é o coadjuvante mais importante da trama, uma vez que ele influencia diretamente a disputa entre os ilusionistas interpretados por Hugh Jackman e Christian Bale. O inventor da Bobina de Tesla entrega uma de suas criações para Robert Angier (Jackman), que a usa em suas apresentações, sem que o público saiba o sinistro segredo por trás de seus truques. Um dos grandes momentos de Bowie é quando ele explica: "A ciência exata, Sr. Angier, não é uma ciência exata".

     

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