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    Crítica Westworld 3x02: Qual é a natureza da sua realidade?
    Por Vitória Pratini — 23 de mar. de 2020 às 19:40
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    Leia a nossa crítica de "The Winter Line", 2ª episódio da 3ª temporada.

    ATENÇÃO! Contém spoilers do episódio 2 da terceira temporada de Westworld, “The Winter Line”

    Enquanto o primeiro episódio da terceira temporada de Westworld, “Parce Domine”, foi focado em Dolores (Evan Rachel Wood) e em sua jornada pelo mundo dos humanos, o segundo capítulo do novo ano segue Maeve (Thandie Newton). A personagem, que havia morrido no final da temporada anterior, desta vez aparece no War World, parque ambientado na Itália Fascista, liderado por Mussolini. Mas nem tudo é o que parece. A série consegue desvendar novos segredos em camadas que romontam diálogos clássicos da produção, protagonizado por uma das melhores atrizes de seu elenco.

    Intitulado “The Winter Line” (“Linha de Inverno”, na tradução), o nome do episódio faz menção às fortificações defensivas construídas na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Elas tinham como objetivo principal proteger o acesso a Roma, no caso de uma invasão inimiga. Tal descrição é uma analogia à situação de Maeve, que está presa na simulação de uma simulação, uma espécie de fortaleza virtual que começa a ruir conforme ela resolve dar uma pane no sistema — em uma das cenas visualmente mais belas da temporada.

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    Está claro que a personagem reconhece a natureza de sua realidade, como diz um dos lemas da série. Tudo está posto em pratos limpos. No entanto, a construção do enredo em torno de Maeve nos leva de volta aos mistérios e incertezas apresentadas nas temporadas anteriores de Westworld, com os personagens passando por diversos loops e narrativas enfadonhamente repetitivos. É um retorno ao passado com um olhar para o futuro, o conhecido mesclado ao inédito. Há a descoberta de que Maeve não está no parque, sua casa, mas sim em um simulacro em um servidor no mundo real, e que todos os seus amigos são imitações dos verdadeiros — nem Hector (Rodrigo Santoro) nem Lee Sizemore (Simon Quarterman) estão vivos ali, tampouco Felix (Leonardo Nam) e Sylvester (Ptolemy Slocum) a reconheceram. Destaque para Simon Quarterman, que age como alívio cômico para as cenas.

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    As cenas de diálogo de Maeve são bem construídas, e dão um quê de nostalgia quando ela cita a famosa frase de Dolores. As sequências com Hector e Lee dentro da simulação dão um tom mais explicativo para a série, tornando a trama um pouco mais simples para o público do que nas temporadas anteriores. Apesar de ter seus méritos, talvez empobreça um pouco a produção. Mas deixam claro que, tratando-se de uma simulação, suas falas são falhas pois foram escritas por humanos.

    Em contrapartida, um destaque positivo é a troca entre Maeve e Engerraund Serac (Vincent Cassel). O excelente ator francês solta linhas de diálogo enigmáticas e pessimistas em relação à humanidade, aos moldes das cenas de Ford (Anthony Hopkins) na primeira temporada. Ele até aparece em cena comendo uma maçã, fruto proibido do Paraíso, apontando figurativamente que as catástrofes e o caos enfrentados pela humanidade são culpa dela mesma.

    Considerado o novo vilão da temporada, Serac é o dono da empresa Incite, por quem Dolores está procurando. Curiosamente, ele também procura a anomalia que o sistema Rehoboam detectou: ele achava que era Maeve, mas tratava-se de Dolores.

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    O episódio divide a atenção do público entre Maeve e Bernard (Jeffrey Wright, contido), que desde o capítulo anterior está retornando a Westworld para encontrar alguém que possa impedir os planos de Dolores. No caso, a personagem de Thandie Newton. Bernard agora se questiona se está seguindo ordens de Dolores ou seu próprio caminho, e sua busca por memórias escondidas do passado são repetitivas e fazem alusão às descobertas que ele fez sobre si mesmo nas temporadas anteriores.

    Em sua jornada, ele acaba esbarrando em Ashley Stubbs (Luke Hemsworth), chefe da segurança de Westworld, que confirmamos ser um anfitrião. O personagem desbocado e misterioso realmente não tinha tanto pano de fundo quanto os demais funcionários da Delos nos anos anteriores, o que já deveria ser um indício de sua natureza. Stubbs tinha a missão de proteger os demais anfitriões e cobrir os rastros de Bernard na segunda temporada. Com a saída deste do parque, ele resolveu “se aposentar”, no caso, atirar em sua bateria. Agora, assume o papel de “ajudante” de Bernard, um “guarda-costas”, um novo “bromance” na temporada, ou simplesmente um recurso de roteiro para que o personagem de Wright não vague sozinho. Pelo menos, é o que parece até agora. Resta saber o que significa ter mais um anfitrião fora de Westworld.

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    A expectativa que o capítulo coloca no público é que os dois arcos principais, de Maeve e Bernard se encontrem no final. Mas obviamente trata-se de Westworld. Diferentemente das temporadas anteriores, a linha temporal é a mesma. Porém, a grande revelação é que Maeve foi retirada do parque de alguma forma e inserida em um computador. Não se sabe ainda quem a levou para o mundo dos humanos, como ela foi parar no servidor da Incite e como Serac reconstruiu o corpo dela.

    A escolha de tal reviravolta não é exatamente surpreendente, e fica bastante aquém da profundidade das revelações que Westworld teve anteriormente. Entretanto, o fato de Maeve não estar no parque e possuir poderes ainda maiores, ainda que agora seja controlada por Serac, dá à teia da série uma malha mais densa, fora da “caixinha”, para conhecermos outros lado do mundo dos humanos.

    O futuro de Westworld promete um embate entre Maeve e Dolores. O arco narrativo da anfitriã vivida por Evan Rachel Wood destaca o complexo de deus, com a personagem tendo tanto momentos de heroína quanto de anti-heroína, sem medo de usar a violência como forma de justiça. Ao mesmo tempo, a personagem de Thandie Newton prova a todo momento que é dona do seu próprio nariz. Confia e empática em relação a outros personagens, mas tampouco teme usar a força.

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    Diante de todos esses cenários, o que mais chama a atenção no episódio são os easter eggs. Finalmente conhecemos o Parque 4 de Delos: o Medieval World. Além disso, “The Winter Line” teve a participação dos showrunners de Game of ThronesD.B. Weiss e David Benioff, como dois técnicos do parque, ao lado de um dragão que se assemelha bastante a Drogon, cria de Daenerys Targaryen (Emilia Clarke). Um deles ameaça cortar o animal robô em pedacinhos e levar para a Costa Rica, onde teria um possível comprador. Enquanto pode parecer que a HBO está dando uma localização para Westeros, trata-se de mais uma referência: Ilha Nublar, na Costa Rica, é onde fica o Jurassic Park, na obra literária de Michael Crichton, também responsável por dirigir o filme Westworld - Onde Ninguém Tem Alma em 1973.

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    Westworld retorna com novos episódios todos os domingos, às 22h, na HBO e HBOGo.

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    Comentários
    • J. Heleno Paiva
      Sempre achei essa série bem fraca. Fora o bom elenco e valores de produção, sempre achei muito enfadonha e pretensiosa. A premissa não tem metade da originalidade e inteligência que se faz crer. Jonathan Nolan, criador da série, pelo visto não aprendeu as lições mais importantes com seu irmão mais velho, Christopher...Não basta apenas ter uma concepção ambiciosa para um projeto se você não sabe muito bem como executá-la. Não é só de boas ideias que se faz um filme ou uma série, como neste caso. Para mim, é um verdadeiro mistério Westworld ter chegado à terceira temporada, com uma trama arrastada e personagens antipáticos assim.
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