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    Como os filmes Os 7 de Chicago e Judas e o Messias Negro se complementam?

    Indicados ao Oscar 2021, estes filmes são um retrato social e político dos EUA no final da década de 60.

    Judas e o Messias Negro e Os 7 de Chicago são dois dos filmes mais comentados nesta temporada de premiações em 2021. Além de terem conquistado 6 e 5 indicações no Oscar 2021 (o que deixa claro o favoritismo), são dois filmes complementares, pois se passam no mesmo período da História e tratam de narrativas reais que impactaram os Estados Unidos e o mundo.

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    Enquanto Judas e o Messias Negro aborda a história de Fred Hampton (Daniel Kaluuya), líder dos Panteras Negras, e William O'Neal (Lakeith Stanfield), infiltrado que auxiliou na organização do assassinato de Hampton, Os 7 de Chicago nos conta como foi o julgamento referente à manifestação contra a guerra do Vietnã que interrompeu o congresso do partido Democrata em 1968.

    COMO AS DUAS TRAMAS SE CONECTAM?

    Além de se basearem na mesma linha temporal -- Judas e o Messias Negro se passa em 1969 e Os 7 de Chicago em 1968/1969 --, os dois longas se complementam pois a história de Fred Hampton se choca bastante com o julgamento dos sete homens em Chicago.

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    Hampton, que nasceu no estado de Illinois e morreu na cidade de Chicago em dezembro de 1969, foi assassinado na mesma época que Abbie Hoffman, Jerry Rubin, David Dellinger, Tom Hayden, Rennie Davis, John Froines e Lee Weiner estavam sendo julgados no tribunal por realizarem manifestações contra a guerra.

    Inclusive, o ator Kelvin Harrison Jr. interpreta Hampton brevemente em Os 7 de Chicago e há uma passagem em que a cena do crime é exibida, como uma forma de destacar o quanto isso revoltou a população na época -- não somente pelo julgamento dos manifestantes como também pelo assassinato premeditado de Hampton.

    Judas e o Messias Negro

    Além disso, a produção mostra que havia um oitavo homem no tribunal de Chicago: Bobby Seale, que inicialmente foi julgado com os outros sete homens mas acabou tendo seu processo interrompido ao longo dos dias. Em Os 7 de Chicago, Seale aparece em cena junto com Fred Hampton, que lhe dá apoio judicial mas é impedido sem muitas delongas.

    FILMES SE CONECTAM PELA LUTA POR DIREITOS E JUSTIÇA DENTRO E FORA DO TRIBUNAL

    Portanto, enquanto Os 7 de Chicago fala sobre a luta de pessoas que contestaram seus direitos na democracia e foram julgadas por isso, Judas e o Messias Negro fala sobre um momento paralelamente injusto referente ao governo dos Estados Unidos. Afinal, Fred Hampton foi julgado de longe e, logo depois, morto, pois era visto como uma "ameaça" ao FBI. Sua luta foi fora do tribunal, enquanto os 7 homens realizaram suas manifestações dentro dele, perante os olhos da lei.

    Os 7 de Chicago

    Como os dois filmes indicam, os maiores desejos de Hampton eram o de ajudar a comunidade negra e conquistar direitos iguais na sociedade, enquanto os julgados no tribunal de Chicago buscavam justiça e comunicação com o governo, e eram totalmente contra a violência da guerra do Vietnã.

    Os 7 de Chicago está disponível na Netflix, enquanto Judas e o Messias Negro está em exibição nos cinemas abertos no Brasil.

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