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    Mulan: Disney causa polêmica ao agradecer agências que mantém campos de concentração na China
    Por Kalel Adolfo — 8 de set. de 2020 às 19:11
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    A equipe do longa gravou diversas cenas em regiões onde estão localizados os campos de concentração.

    O lançamento do live-action de Mulan no Disney+ está ficando cada vez mais problemático. Uma petição pedindo o boicote à produção foi iniciada após a protagonista apoiar a violência policial em seu Twitter. E agora, as coisas ficaram ainda mais sérias, já que o estúdio “homenageou” algumas agências de Xinjiang nos créditos finais do filme. O problema disso? Essas companhias financiam campos de concentração na China.

    Os agradecimentos ocorreram porque a equipe do longa gravou diversas cenas em regiões onde estão localizados os campos de concentração. Lá, milhares de muçulmanos são mortos, e mantidos sob condições ilegais.

    Ao todo, a Disney agradeceu oito agências governamentais de Xinjiang — incluindo a Polícia Local e o Departamento de Propaganda — responsáveis pelos crimes. Uma delas é o Departamento de Segurança Pública de Xinjiang, que está banido dos Estados Unidos. Ou seja, nenhuma empresa americana pode fazer negócios com ela.

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    Quem fez a denúncia foi o ativista Tahir Imin, através do jornal The New York Times. Em artigo, ele explica que os povos uigures estão sendo perseguidos pelo governo chinês desde 2014.

    Em 2019, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) obteve documentos que revelaram a existência de um complexo de detenção em Xinjiang, chamado de “Instituição de Educação Continuada”. O título era um eufemismo para os campos de concentração, onde milhares de muçulmanos eram violentados e afastados de suas famílias.

    Até mesmo protocolos de conduta policial foram vazados, onde os “profissionais” do local eram instruídos a dar respostas padronizadas quando perguntados pelos prisioneiros sobre o paradeiro de seus familiares.

    Por enquanto, estima-se que um milhão de muçulmanos estejam presos nestes campos. Quem ordenou a crueldade foi o presidente chinês Xi Jinping. Em discurso eleitoral, ele afirmou que os povos uigures deveriam ser tratados sem qualquer piedade.

    Alguns ativistas já denunciaram até mesmo esterilização em massa, e trabalho escravo nestas regiões em que a Disney filmou o live-action. Ao agradecer as agências, o estúdio do Mickey Mouse apoiou publicamente a morte de milhares. 

    Até o momento, o estúdio não se pronunciou publicamente. Entretanto, muitas pessoas afirmam que assistir ao filme é contribuir financeiramente com um crime hediondo. Como consequência, relatórios iniciais apontam que a produção terá uma arrecadação abaixo do esperado, não cobrindo o seu grandioso orçamento de US$ 200 milhões.

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