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    Exclusivo: Marcos Veras abre o jogo nos bastidores da comédia Copa de Elite

    O comediante escancara sobre o filme sacana, que tem Anitta e Rafinha Bastos no elenco, fala sobre a crítica, Wagner Moura... Veja como foi nosso papo com ele!

    por Roberto Cunha

    As filmagens de Copa de Elite, comédia de Vitor Brandt, começaram em novembro passado e terminaram no útimo dia 16 de dezembro. O AdoroCinema queria saber mais sobre essa produção e invadiu o set, no dia em que os personagens Bruna Alpinistinha (Júlia Rabello, abaixo) e Jorge Capitão (Marcos Veras), do BOP, estavam passando por situações cômicas, em plena Lapa, região boêmia do Rio de Janeiro. Como os personagens e o título já entregam, o filme tira sarro de referências do cinema nacional, como o Nascimento de Tropa de Elite, e o sucesso Bruna Surfistinha (abaixo). Entre uma cena e outra, sequestramos o Capitão, quer dizer, o humorista, e ele não queria saber de resgate, mas de conversar, resultando num bate-papo super descontraído e revelador. Veja como foi! ;)

    Marcos, você é um maluco, né? Duas peças, "Atreva-se", com direção do Jô Soares, e "Falando a Veras", na TV com o Zorra e o programa com Fátima Bernardes, tem o Porta dos Fundos na internet, uns programas de rádio...

    E sou casado... (risos)

    Tem cachorro? (risos)

    Ainda não. É o próximo passo. (mais risos)

    Você está trabalhando com tua esposa no Copa de Elite, né?

    Mais uma vez. (risos)

    É tranquilo?

    Eu e a Júlia (Rabello, acima na foto) temos uma coisa que o destino está levando. De cinco trabalhos que fizemos juntos, desde 2011, somente um a gente escolheu. Depois, pintou um convite do Jô para fazer uma peça dele, o Porta dos Fundos acabou levando a gente a trabalhar junto. Poderia se dar bem fora, como casal, mas em cena não ter química, mas os colegas comentam... A gente se dá muito bem em cena. É inevitável falar de trabalho em casa e a gente fala mesmo, porque o trabalho é muito divertido. Eu gosto de trabalhar com ela e espero que ela goste. Se não gostar, vai ter que me aturar. Não vai ter jeito. (em tom brincalhão). E tem outro projeto que não posso falar, também com ela. A gente se diverte muito.

    O "Copa" é seu primeiro filme como protagonista, é uma superprodução, e você vem parodiando um ícone do cinema...

    Um super-herói, né?

    Isso! Um super-herói, personagem marcante dos últimos anos no cinema nacional. E a paródia na TV, o pessoal está acostumado, quase sempre cai bem a sacanagem coisa e tal. Mas no cinema ainda é visto com uma novidade, diferente do mercado americano, que já pratica isso há um tempão. Como você se preparou, ou melhor, você está preparado para ouvir críticas?

    (rindo) Eu não sei se que quero que o Wagner Moura veja ou não. Eu tô muito feliz. É um filme ousado na sua forma de fazer e vai parodiar duas paixões nacionais: o Tropa de Elite e o capitão Nascimento num bolo só, e a Copa do Mundo. É arriscado e muito gostoso.

    Então está tranquilo com relação a receptividade?

    A chance de dar certo é muito grande. O Brasil vem vivendo um momento muito bom de comédia, tanto no teatro, quanto na internet e isso está passando cada vez mais para o cinema. A gente só faz paródia do que é sucesso. O cinema brasileiro hoje é um sucesso. A comédia é um filão que tomou conta das salas de cinema, então o imitado, o parodiado é sempre um sucesso. Hoje a gente tem essa possibilidade de fazer uma paródia do Tropa de Elite, passando por referências de outros filmes, que estarão presente na história. Acho que vai ser bem muito bem recebido porque vai estrear em abril, numa época em que tudo está falando de Copa do Mundo. O Tropa de Elite é lembrado até hoje...

    Muita gente adoraria o Tropa de Elite 3...

    Tudo mundo quer o 3, o 4 e por aí vai. O Wagner Moura é uma referência de ator incrível para qualquer artista, atriz, ator... Enfim, é um cara que faz malabaris!! Eu sou muito fã! Eu espero que tenha chegado um pouquinho perto da interpretação dele, mesmo fazendo uma comédia. A gente vem buscando no filme fazer tudo sério, levando a comédia a sério. Nada de colocar força onde já tem no texto, já tem na paródia. A gente está fazendo um filme de verdade, com locações de verdade... Então eu acho que o público vai acreditar na paródia como se fosse um roteiro normal, uma história normal, se você tirasse a paródia. Filmamos na cadeia, no presídio, no Engenhão... Tem muita coisa nas ruas, verdade nos figurinos... Eu acho que isso vai aparecer na tela de uma maneira muito bacana e a gente vai aprendendo com os americanos como você fazer paródia.

    Então o filme tem realmente ação, tem começo, meio e fim? Não é um conjunto de esquetes para fazer as paródias.

    Não. Muito pelo contrário.

    Conta aí um pouco dessa história... A zoação com o capitão Nascimento vai ficar no filme inteiro?

    É a espinha dorsal. O Bop tem que resolver o grande caso do filme, que é o sequestro do Lionel, paródia ao Messi. Tudo começa quando ele salva o Lionel do cativeiro e passa a ser hostilizado na rua. Então de herói, ele passa a anti-herói. A brincadeira já começa aí. Há um sumiço também do mascote da Copa e o Rafinha Bastos (acima, com Anitta em uma cena) é quem faz o vilão. Ele tem ódio do capitão, mas foram amigos na infância, tinham uma dupla sertaneja, foram criados juntos...

    Esse passado vai ser explicado?

    Olha quanta loucura! A gente vai ter isso na forma de flashback, porque existe essa rixa entre eles, que são quase irmãos. Só que um foi para o bem e o outro para o mal. E ele, o René Rodrigues (Rafinha) ainda vai roubar uma bomba atômica de outro personagem, que é a Bruna Alpinistinha. Tem coisa que se refere também a taça Julio Rimet, tem o Papa também... É uma série de absurdos, quase um teatro do absurdo mesmo. E essa história tem o tempo inteiro o capitão tentando solucionar, com muito ação, tiro pra caramba e muito humor non-sense. Meu personagem foi expulso do Bop.

    E você teve algum tipo de envolvimento no roteiro?

    Nas primeira leituras, o Victor (diretor e roteirista) deixou a gente bem à vontade. De repente, tirar uma coisa que estava sublinhada demais, uma piada que estava miuto explícita e não precisava. O próprio Rafinha colaborou com isso. Quando você trabalha com comédia é natural que os atores interfiram, acrescentem, na leitura ou durante as cenas.

    Tem muito improviso?

    Muito...

    E tá passando?

    Muito no limite. Eu gosto do caco, mas se for muito bem colocado. Porque às vezes a piada em cima da piada fica uma coisa engraçada aqui no set, mas ela pode cair na edição ou não vai ser interessante para o público. Eu sempre tento tomar cuidado... Comédia tem que ter o frescor do improviso, além do texto na íntegra.

    O público tem aceitado bem as comédias, mas uma parcela da sociedade e boa parte da crítica ainda torce o nariz para elas. O que você poderia dizer sobre isso?

    Eu também sou muito crítico, porém eu sou muito versátil. Eu gosto de filme cabeça e gosto de comédia. Mas eu acho que não é de hoje que existe um certo preconceito com a comédia. Um exemplo clássico é o Chaplin que nunca ganhou o Oscar. Quando ganhou, foi quase de consolação. A comédia, dificilmente, concorre a um prêmio de Teatro, a um Oscar... Não entendo bem o porquê disso, porque a gente tem grandes comediantes, homens e mulheres.

    E comédia não é fácil...

    É muito difcil fazer comédia. O Jô Soares, por exemplo, costuma dizer que quem faz comédia, faz drama com muito mais facilidade. Quem faz drama nem sempre faz comédia. O comediante trabalha numa temperatura, que chega no drama com muito mais facilidade. Eu não estou puxando a sardinha para o meu lado e dos outros. Eu acho que "Copa de Elite", talvez não seja um filme para os críticos. Ele está na linha das comédias populares e esse é o objetivo. Se atingir as massas, que ótimo! Eu sou um comediante de massa, eu faço um programa de humor na TV Globo, eu faço um programa de entretenimento pela manhã, para as donas de casa. Eu sou um comediante de massa. Eu faço rádio, os meus veículos, inclusive a internet, são todos populares. O objetivo dele é atingir os jovens, principalmente, mas eu acredito que vai muito bem de bilheteria e se for bem de crítica, ótimo. A vida do ator é feita de trabalho e eu tenho a maior honra de ter feito esse longa como protagonista. A comédia vai ter sempre essa linha tênue. Sabe aquela coisa do cara dizer que gosta da comédia do Woody Allen, que é mais cabeça? É incrível. Mas quem disse que ele não é popular?

    Mas e quando a gente vai ver você fora do gênero?

    Eu acabei de fazer um filme agora, em São Paulo. Eu fiz um vilão e eu nunca tinha feito. Só estreia no final de 2014 e se chama A Estrada do Diabo, do André Moraes, que é um cara de trilha sonora, que fez Lisbela e o Prisioneiro, Os Desafinados...

    Sobre o que é?

    É um personagem importante, um vilão que não tem absolutamente nada de comédia. É um grande filho da mãe, que roubou dinheiro dos outros protagonistas. O Lúcio Mauro Filho faz, a Deborah Secco, Júlio Andrade, e foi muito bacana porque é um filme muito forte. O engraçado é que ele mudou depois da primeira leitura. Era uma comédia. Foi mudando e se transformou num filme de vingança. Se é comédia, é quase Tarantino. Eles fazem uma companhia de teatro e eu roubei o dinheiro deles para montar uma igreja evangélica. Passam a história inteira me procurando. Eu fiquei muito feliz com o resultado. Foi numa época que eu estava trabalhando muito e curti fazer o drama. Eu quero fazer e acho que o cinema me mordeu.

    Mas são muitas coisas ao mesmo tempo. Como pintou o convite?

    Sim. Eu gosto muito de trabalhar. Eu sou workaholic. Os veículos que eu faço hoje em dia são completamente diferentes um do outro e eu gosto dessa versatilidade. Em 2012, eu falei que queria fazer cinema em 2013. Chegou em outubro e não tinha rolado nada. Chegou novembro e pintaram dois convites: o Copa de Elite e Estrada do Diabo. Eu rodei simultaneamente. Não me pergunte como eu consegui.

    Dois convites no mesmo mês e no fim do ano. Você conhecia o pessoal?

    Eu não conhecia. A Júlia tinha sido convidada, bem antes de mim e ela negou por conta de agenda. E aí no meio disso, a produtora perguntou como é que eu estava de agenda. Eu disse que estava enrolado e fui fazer uma leitura, sem comrpromisso. Fui para não aceitar, minha agenda era impossível e entreguei para eles. Aí, eles disseram que iriam dar um jeito. Em uma semana, no finalzinho de outubro, eu defini que ia fazer o filme. Li, vi o figurino, assinei o contrato e começamos a rodar. Tudo muito rápido.

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