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    Cine PE: Após cinco anos de espera, Bonitinha, mas Ordinária chega aos cinemas
    Por AdoroCinema — 01/05/2013 às 17:35
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    Novo trabalho do diretor Moacyr Góes foi exibido na quinta noite do festival.

    por Francisco Russo

    Foi uma longa espera. Em março de 2008, o produtor Diler Trindade, o diretor Moacyr Góes e os atores João Miguel e Letícia Colin concederam uma entrevista coletiva no Odeon, tradicional cinema do Rio de Janeiro, para falar sobre o início das filmagens de Bonitinha, mas Ordinária. Cinco anos depois, o longa-metragem enfim foi exibido pela primeira vez ao público na quinta noite do Cine PE 2013.


    Da esquerda para direita: Diler Trindade, Gracindo Jr., Letícia Colin e Moacyr Góes


    Logo na apresentação, Moacyr Góes alertou o público: "Fiz o meu Nelson", se referindo ao autor da peça teatral na qual o filme é baseado, Nelson Rodrigues. O diretor ainda ressaltou o trabalho de Letícia Colin, que derrotou cerca de 50 garotas para ficar com o papel. "Não é qualquer atriz que se entrega desta forma", comentou.

    Repleto de cenas em close, Bonitinha, mas Ordinária passou por uma atualização nesta nova versão. A famosa cena da curra agora acontece em plena favela carioca, após um baile funk. Mudanças no personagem Peixoto e uma maior valorização à famosa frase "O mineiro só é solidário no câncer", de Otto Lara Rezende, são novidades facilmente percebidas por quem conhece o material original. O elenco conta ainda com Leandra Leal, Gracindo Jr. e Leon Goes.


    Na coletiva realizada na manhã de hoje, 1º de maio, Diler Trindade e Moacyr Góes explicaram o porquê de tamanha demora para que o filme chegasse aos cinemas. Produtor e diretor ainda trouxeram detalhes sobre o projeto. O AdoroCinema estava lá!


    DEMORA NO LANÇAMENTO

    O porquê do longa-metragem chegar aos cinemas apenas cinco anos após a realização das filmagens foi explicado em detalhes por Diler Trindade. "Quando resolvemos filmar Bonitinha, mas Ordinária já havia imaginado que seria difícil conseguirmos recursos, porque o cinema nacional havia ficado muito pudico. Começamos a produzir e filmamos, mas ainda sem dinheiro. Quando temos o elenco ideal, com as agendas fechadas, temos que filmar. Então fui pegar dinheiro emprestado com agiota, pagando 3% ao mês, e depois fui ao mercado captar. Sempre gostei de fazer isto porque acho que é mais fácil vender o filme quando já existem cenas que possam ser exibidas. Só que o investimento passa pelos homens de marketing das empresas e eles achavam que o filme era pesado demais, então tive muitas dificuldades. Perdemos alguns editais também. Foram quatro anos de captação e muita dificuldade.

    No ano passado o Joffre Rodrigues me ligou e falou que eu era o único que tinha um filme baseado na obra do Nelson Rodrigues no ano de seu centenário. Fiquei animado com a ideia, então já que havia esperado tanto resolvi aguardar até o centenário. Só que o Cadu Rodrigues, diretor da Globo Filmes na época, disse que naquele momento tinha muito filme na fila e não teria como apoiar. Argumentei que iria perder o centenário e ele me perguntou se achava que alguém deixaria de ver o filme por causa disto. Então acabamos acertando em 24 de maio, ainda assim com vários filmes da Globo Filmes no caminho."


    CARREIRA

    Apesar de ter rodado 12 filmes em seis anos, Moacyr Góes sempre foi muito criticado por suas opções no cinema. Entre seus trabalhos, estão três filmes com Xuxa e dois com o padre Marcelo Rossi. O diretor falou um pouco sobre como foi este início de carreira cinematográfica e o porquê das escolhas que fez.

    "A vida tem muitos caminhos que me levaram a fazer os filmes que fiz. Não tenho por característica renegar ou cuspir no prato que comi. Fiz sempre com a maior convicção, não fui obrigado a nada. Fiz porque por um lado achava que iria aprender muito, já que estava entrando no cinema, e também tinha uma perspectiva de trabalho. Algo que sempre me afligiu era como viviam os cineastas brasileiros que faziam filme de quatro em quatro anos. Sempre vivi do meu trabalho, então jamais imaginei que poderia parar a minha vida por tanto tempo para produzir um filme. Quando fui convidado pelo Diler para fazer cinema eu obviamente me encantei e procurei tirar dos projetos aquilo que eles tinham de melhor."


    COMO NASCEU A IDEIA DO FILME

    "O Diler havia me pedido indicações de peças teatrais e sugeri duas: Trair e Coçar É Só Começar e Bonitinha, mas Ordinária", revelou Moacyr Góes. "Tinha uma perspectiva muito forte de tirar um pouco o folclore em torno da obra do Nelson, que está ligado à ideia da pornografia ou da erotização exacerbada. Quem se debruça na obra dele sabe que o buraco é mais embaixo."


    PROTEÇÃO A LETÍCIA COLIN

    Durante a coletiva o diretor ressaltou o forte elo que se formou entre ele e Letícia Colin. "Fiz um trabalho que me marcou muito e irei levar pela vida inteira com esta menina, que encontrei aos 18 anos. Trabalhar com a Letícia foi um dos maiores prazeres que tive como diretor, porque, como ela era muito inexperiente pela idade e o papel exigia uma ousadia muito grande, fiz um pacto de estarmos juntos e estabelecermos uma relação sem intermediários. Era um mergulho numa jornada dolorosa da personagem, mas ao mesmo tempo era preciso segurar um pouco."


    CENA DA CURRA

    "A cena da curra era difícil, foi a última que fizemos. Foi uma cena de estúdio, todo o restante do filme foi em locação", explicou o diretor. "Tinha que fazer em um lugar que a protegesse mais e foi muito difícil. Fizemos a cena inúmeras vezes, com vários eixos e cada vez que fazia tirava todo mundo do set, conversava com ela para se recuperar e então irmos de novo."

    Apesar de ser a cena mais famosa da história, Moacyr Góes faz uma ressalva. "É importante dizer que o filme não é a cena da curra, ou ao menos não é só isso. Ela é a expressão de uma crise de valores, sobre onde está o amor. Na relação de amor que existe no filme o sexo não comparece."


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