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    A Promessa
    Críticas AdoroCinema
    2,0
    Fraco
    A Promessa

    A História precisa de heróis?

    por Bruno Carmelo

    Em 1915, o Império Otomano (atual território da Turquia) deu início ao segundo maior genocídio de todos os tempos: o massacre de mais de um milhão de armênios. O crime foi motivado por questões étnicas, territoriais e religiosas, intensificando-se com a decisão dos otomanos em forçar as suas minorias étnicas a lutarem na Primeira Guerra Mundial, e em perseguir centenas de intelectuais armênios. Mas você não descobrirá nenhum destes complexos eventos históricos em A Promessa, épico romântico dedicado ao período.


    A Promessa - FotoO diretor Terry George preferiu simplificar os fatos através de duas ferramentas de apelo universal: o triângulo amoroso entre pessoas de bom coração e o maniqueísmo extremo. Na versão hollywoodiana deste holocausto, os turcos atacam porque são tiranos sanguinários, enquanto os armênios se sacrificam por serem realmente puros, e até certo ponto ingênuos. A visão do bem contra o mal soa equivocada para representar uma das maiores tragédias do século XX, especialmente quanto os armênios são vividos pelo guatemalteca Oscar Isaac, pela canadense Charlotte Le Bon e pela iraniana Shohreh Aghdashloo.

     

    De modo geral, o filme troca as especifidades do evento por um pastiche indistinto da luta pela sobrevivência. O imaginário da vítima contra o algoz gera fácil identificação, mas poderia ser aplicado a milhares de outras tramas. O resultado, ironicamente, deve incomodar os dois lados da questão: os turcos vão detestar se ver como vilões impiedosos, enquanto os armênios podem protestar contra o retrato paternalista desenvolvido por não-armênios. Se a intenção é dar voz aos protagonistas do genocídio, não seria fundamental fazer apelo à tudo que aquela cultura possui de mais único? Ao seu povo? Temos um elenco comprometido e imagens luxuosas, mas era esta a prioridade correta?

     

    A Promessa - FotoO cineasta prefere apelar ao heroísmo: para disputar o coração da mocinha - uma mulher que cuida dos homens quando estão feridos e carrega órfãos em seus braços - entram em cena um armênio (Isaac) e um americano (o britânico Christian Bale), representando a valentia de seus respectivos povos. Isaac tem direito a meia dúzia de cenas de coragem, incluindo resgates em alto mar, libertação de prisioneiros num trem em movimento e defesa de um colega ferido, explorado pelos turcos na guerra. Bale desafia os generais, os pequenos líderes locais e aproxima-se das cidades mais perigosas para registrar os crimes para a posteridade. Ambos são ótimos profissionais, munidos pelo amor à mesma mulher e à libertação dos oprimidos.

     

    Para vender sua mensagem tão importante quanto genérica (“A guerra é ruim, a paz é boa”) o projeto apela ao gigantismo kitsch. São centenas de cenas, de acessórios, de figurinos, de figurantes e de cenários paradisíacos (alguns deles em tela verde) filmados em câmera aérea e gruas. A trilha sonora insiste no melodrama e na vilania, na luz e nas trevas. A iluminação busca o pôr do sol e as noites estreladas, além da textura excessivamente nítida. Todas as grandes virtudes humanas (amor, coragem, piedade, compaixão, perseverança, humildade etc.) são retratadas com tamanha autoimportância que beiram a paródia. A Promessa parte de um tema importantíssimo, merecedor de um posicionamento claro, para oferecer um filme inchado, longo, antiquado em sua forma e perigosamente genérico.

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    Comentários

    • Daisy
      Só pode ser...
    • Daisy
      Adorei o filme. Uma história real, chocante e que nunca tinha visto ser abordada pelo cinema.
    • Kristina Perez Duhá
      Boooo! vaias para ele! Vai ver é descendente de turcos e magoou!
    • Francisco Carneiro da Cunha
      Bruno Carmelo é um perfeito e completo idiota. É inominável absurdo tachar este belíssimo filme de maniqueísta porque centrou o genocídio dos armênios num belíssimo e dramático caso de amor entre dois homens e uma mulher. Pior que o holocausto perpetrado pelos turcos contra armênios nos inícios do passado século, só mesmo aquele levado a cabo pelos nazistas contra judeus durante a Segunda Guerra mundial ou ainda pior que este, aquele levado a cabo pela URSS stalinista durante quase 70 anos contra seu povo, judeus, homossexuais (assim preconceituosamente chamados), opositores políticos de toda espécie, etc., etc. Bruno Carmelo deve deixar imediatamente a condição de crítico para exercer a de vendedor de bananas podres nas feiras de sua cidade ou alhures.
    • Rogerio L
      Filme muito bom te prende do início ao fim 2 estrelas do adoro cinema não da Para entender.
    • Guilherme Pedrollo
      O filme é muito bom. Fala do Massacre dos Armênios e de como o fascismo turco perseguia as minorias. Tem cenas fortes. A introdução de um americano como um dos heróis pode parecer um pouco forçada, mas de resto o filme é muito bom. Falta fazer agora mais filmes mostrando os massacres que os turcos fizeram com os gregos e com os árabes.
    • Guilherme Pedrollo
      Falta fazer filmes com os outros massacres que os otomanos fizeram, com os gregos e com os árabes
    • Nara Cristine F.
      Esse filme é lindíssimo, prende a atenção, tem reviravoltas e não condiz em nada com essa critica. Sem falar nos atores....Chris Chri Bale e ....
    • vanda l.
      Excelente! Não é possível ter paz sem razão, a guerra é uma insanidade calcada na mentira! O filme retrata um cruel genocídio e a sobrevivência passa a ser a melhor forma de vingança! A fotografia é linda, os atores são ótimos, vale a pena acompanhar esse relato sobre a resistência de um povo caçado sem motivo nenhum.
    • Giovanna A.
      A critica vem falando em que o filme tem vários erros em por um triângulo amoroso no filme , mas o gênero do Filme está classificado como romance e não ação, achei incrível mostra e está guerra introduzindo romance no meio, filme lindo!
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