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Ninfomaníaca - Volume 2
Críticas AdoroCinema
4,0
Muito bom
Ninfomaníaca - Volume 2

A perda do prazer

por Lucas Salgado

Antes de tudo, é importante destacar que a mais nova obra de Lars von Trier deve ser vista como uma coisa só, ainda que seja dividida em duas partes. Se Ninfomaníaca - Volume 1 não tinha propriamente um final, Ninfomaníaca - Volume 2 não tem um início, o que pode prejudicar quem analisa as duas partes separadamente. Um volume pode ser melhor do que o outro, mas isso não significa que estamos diante de coisas diferentes.

Ninfomaníaca - Volume 2 - FotoEste volume dois começa do ponto em que terminou o anterior, com Joe (Stacy Martin) reencontrando Jerôme (Shia LaBeouf) e se dedicando completamente a ele. No que talvez seja o capítulo mais interessante da obra, vemos os dois agirem como um casal, com o sexo ficando um pouco de lado. Mas só para retornar de forma devastadora mais tarde.

A dinâmica é exatamente a mesma do primeiro filme. Enquanto acompanhamos a jornada de destruição da personagem, a partir dos relatos dela mais velha (Charlotte Gainsbourg), temos Seligman (Stellan Skarsgård) contextualizando todas as situações e experiências, em uma série de metáforas, que em alguns momentos são tão absurdas que o próprio longa trata de criticar seus devaneios. Ainda assim, funciona como uma espécie de transmissor da mensagem de von Trier.

O longa oferece uma série de questionamentos e não deixa de fazer analogias religiosas, chegando a ter um capítulo chamado "a igreja ocidental e a oriental". Não há um discurso claramente religioso, mas o pecado, a culpa e o flagelo estão presentes ao longo de toda história.

Ninfomaníaca - Volume 2 - FotoSe na primeira parte de Ninfomaníaca, a sensualidade era parte fundamental da história, aqui não acontece o mesmo. A protagonista Joe já começa sem sentir prazer e na medida que a trama avança, só vemos violência e destruição. A busca é pelo prazer existe, mas ele não aparece. Ao ponto de nos depararmos com o ménage à trois mais confuso e menos sexy visto nas telonas.

Para aumentar a sensação de desconforto, von Trier e seu diretor de fotografia Manuel Alberto Claro investem em tomadas granuladas. O diretor também faz referências claras a filmes anteriores, em especial Anticristo, repedindo uma sequência apenas para apresentar um resultado diferente, não sem antes deixar seu espectador bastante tenso. 

Jamie BellWillem Dafoe são as novidades no elenco e mandam bem. Principalmente, o primeiro, que surge como o perturbador e misterioso K. Se no primeiro volume, Lars von Trier fazia referência clara à sua polêmica declaração sobre o holocausto, aqui ele volta a discutir o conceito do politicamente correto.

Diante de uma verborragia quase que sem fim, um discurso chama a atenção e realmente merece a reflexão: Se um homem agisse como Joe, ele seria objeto de julgamento? Diante de tantas palavras, von Trier realmente acerta em cheio aqui, ao apontar para a sociedade machista em que ainda vivemos.

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Comentários

  • Daiane B.

    Gostei muito! É daquele tipo de filme que te faz pensar e fica na sua cabeça por semanas....

  • Simoni A.

    Não gostei do final, o homem que ela chamou de amigo, acontece o pior.

  • Fl?vio A.

    O acontece no final, só ressalta o que Seligman acabara de nos explicar, que se Joe fosse um homem, não veríamos com os mesmos olhos.
    Von Trier fez uma critica dura aos homens, Seligman realmente foi o melhor amigo que ela teve, o fato dela o ter matado, mostra que Joe vai realmente mudar sua vida e mostra também que por mais agradável que Seligman fosse, também era homem e não se importou com o que ela havia passado e tentou se aproveitar dela.

  • eniogomes

    Uma vez assisti um filme que se chamava “O Advogado do Diabo”. A ideia fundamental era de que a VAIDADE tem múltiplas facetas e que o ser humano sempre se rende a ela, mesmo negando-a. E estou convencido de que uma das forma mais claras de se perceber o grau de vaidade de uma pessoa é através de seus textos. Convencer o outro de suas razões parecer ser viciante!

    Osnir, não precisa ser melindroso ao expressar sua opinião, não precisa se defender dizendo que “não tenho a pretensão de mudar a vida de ninguém com minhas palavras”. Ora! Que outra intenção uma pessoa teria ao perder tempo gastando o vocabulário e sua psicologia MANIQUEÍSTA se não a de influenciar outros?!

    Aproveitando a metáfora... Ainda bem que exitem vários óculos diferentes, pois assim a escolha é possível e a referência de valor também.

  • Osnir Sot?rio

    Acho que não me fiz claro em meu comentário. Não acho que assistir esse ou qualquer outro filme torne alguém bom ou ruim, isso seria uma visão limitada para não dizer infantil. Rotular alguém de maniqueísta usando como parâmetro um comentário de algumas linha sobre um filme é, no mínimo irresponsável. Existem casos em que ler uma obra inteira de um autor não lhe permitiria rotulá-lo. Meu avatar, ao contrário do que você pensou (ou quis pensar), quer dizer o mais obvio sobre o flamengo, ou seja, que é o clube com maior representatividade de torcida em todo o país ( facismo? rsrsrsrs). Quanto ao filme, não tenho problema em assistir filmes que falam de gente ruim, adorei "Preciosa", por exemplo. Só acho que em "Ninfomaníaca" muitas cenas estão ali, apenas para gerar repulsa, sem função dramática nenhuma. Se uma obra choca por seu conteúdo, tudo bem, mas inserir cenas bizarras com o único intuito de "dar o que falar", para mim não é arte. Isso é traduzido nas quase 5 horas de filme que são quase que unanimemente criticadas. Confesso que me incomodo a banalização da genialidade que se vê em todos os segmentos da arte. Um empresário "compra" uma crítica de alguém famoso e um pseudo-artista se torna um gênio, daí um monte de gente com preguiça ou sem capacidade de formular uma crítica fundamentada, assim como a sua, passa a "adorar" aquele pseudo-artista como se ele fosse um gênio. No mais, volto a dizer que essa é apenas minha opinião...

  • Regiane F.

    Um filme excepcional. E que me perdoem, mas, para a compreensão de poucos. Não vale a pena discutir e principalmente tentar impor opinião. Quem foi capaz de captar a essência da obra por completo, assistiu ao filme com deleite. O filme vai muito além das expectativas. Ansiosa para a continuação. Quero assistir aos 3 volumes sem cortes.

  • Wallace S.

    Filme de merda para mulher mal comida.

  • Osnir Sot?rio

    Com relação a você ter gostado do filme não tenho nada a dizer, cada pessoa tem sua percepção das coisas e pode gostar mais disso ou daquilo. Porém, esse discurso de "quem não gostou foi porque não entendeu" é a mais barata técnica de persuasão que se pode utilizar. Ainda mais quando se usa um discurso do tipo "Não vale a pena discutir e principalmente tentar impor opinião", Ah...fala sério, quer dizer que só há a opção do filme ser excepcional? Quem não gostou é porque é burro? Quer dizer que, se uma pessoa não rir de uma piada é porque ela não entendeu? Não há chance da piada ser ruim para aquela pessoa?

  • Ricardo Wagner

    Filme chato. Muito chato.

  • aglae p.

    O que me incomoda , é dizerem que quem acha estes dois filmes, na realidade apenas um, foi na onda, que onda? Entao porque as pessoas vão a psicologos, analistas, terapeutas? Porque e como existem tantas ciências destinadas a fazerem com que nos conheçamos , mais e melhor? Porque desconstruir ? A desconstrução é sadia e necessaria, conhecer a si proprio é fundamental porque faz parte , em primeiro lugar de um questionamento o mais importante de nossas vidas, quem sou eu!!!??? E a partir desta tremenda pergunta enxergar sem oculos coloridos, meu interior, e mudar o que tenho condições de faze-lo amo os filmes dele pois são sem make, , sao verdadeiras obras primas, em cima de uma unica pergunta QUEM SOU EU , e tudo o que vem como consequência,

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