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História cantada
De Roberto Cunha
Musicais costumam ter um público cativo e outro que, pelo contrário, prefere torcer o nariz (ou fechar os ouvidos) antes mesmo de se dar a oportunidade de experimentar. Diferente de Moulin Rouge e Nine, que flertaram com uma música mais atual e por conta disso abriram uma possível conexão com novos adeptos, Os Miseráveis segue a linha tradicional de ser uma história literalmente cantada, mas nem por isso merece ser desprezado.
Sua cena de abertura é um cartão de visita de visual esplendoroso e a canção "Look Down", cantada por Hugh Jackman e Russell Crowe dá o tom da história. Nela, Jean Valjean (Jackman) foi condenado a uma grande sentença, cumpriu pena e conquistou sua liberdade. Decidido a provar que uma vez criminoso, sempre criminoso, o oficial Javert (Crowe) torna-se seu incansável algoz ao longo dos tempos, período em que Jean descobrirá definitivamente o poder do amor ao próximo e da importância de compartilhar o sentimento. Dentro desse contexto, uma revolução ganha corpo, mas o coração de um jovem líder rebelde se vê dividido entre a jovem Cosette (Amanda Seyfried) e o amor pela pátria.
Com referências religiosas no texto e em imagens (Javert faz Jean carregar um mastro como Jesus carregou a cruz logo no começo), a carga dramática da obra de Victor Hugo (1802-1885) é reforçada pelos cenários grandiosos, figurinos caprichados, acompanhados de um gestual (por vezes exagerado) e vocalização nas alturas. Nesse ponto, as vozes de Crowe e Jackman parecem não estar no tom ideal, enquanto o solo de Anne Hathaway em "I Dreamed A Dream" é bonito e emocionante, assim como o de Samantha Barks, cantando "On My Own".
Roteirizado por Willliam Nicholson (Elizabeth - A Era de Ouro) e dirigido por Tom Hooper (O Discurso do Rei), a longa duração (quase três horas) ajudar a aumentar a percepção de incômodo para os detratores, mas não vai incomodar que tiver entrado no clima. Destaque para as bonitas cenas de combate e entre as curiosidades, a inserção do elemento cômico nas figuras de Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter mostrou-se um acerto para funcionar como válvula de escape para os menos ligados no gênero. Na versão brasileira, o excesso de closes do diretor foram devidamente compensados com a entrada da legenda se deslocando para os lados e assim não cobrindo os rostos. Legal isso. Então abra seu coração e desloque-se para o cinema mais perto de você para ver uma história comum, contada e cantada em rimas.
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