Frescor do passado
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De Francisco Russo
Wes Anderson é um diretor peculiar, de estilo próprio. Seus filmes sempre contam com personagens desconexos, com características que os distinguem em relação à sociedade em geral. A família é um de seus alvos prediletos, ressaltando os sentimentos existentes entre seus integrantes que muitas vezes fazem com que se afastem, ou ao menos não sejam tão próximos quanto o ideal de família perfeita prega. Ou seja, um retrato real sobre a instituição. Por estas características, gerou surpresa o anúncio de que Anderson migraria para a animação. Mais ainda: que seu novo filme seria a adaptação de um livro infantil, escrito pelo mesmo Roald Dahl de A Fantástica Fábrica de Chocolate. Nada mais diferente do que sua filmografia apontava até então. Só que O Fantástico Sr. Raposo nada mais é do que um típico filme de Wes Anderson.
Trata-se de um caso raro de adaptação bem feita que aproveita o que há de melhor nas peculiaridades de seu diretor. O Fantástico Sr. Raposo não é um filme para crianças, contendo uma linguagem adulta que fala sobre o aprisionamento do homem na civilização atual. É isso mesmo. A singela história dos animais que roubam alimentos de três fazendeiros e precisam fugir deles ganhou contornos bem mais profundos no cinema, envolvendo características psicológicas. Os animais, em especial a família Raposo, passaram por um processo de humanização sem que tenham perdido alguns de seus dotes animalescos. É através deste conflito que o filme, na verdade, fala sobre o homem atual.
O Sr. Raposo era um feliz ladrão de galinhas, que se divertia com a adrenalina do roubo. Só que a gravidez de sua esposa faz com que abandone esta vida, conseguindo o respeitável e bem mais seguro emprego de colunista de jornal. Apesar da estabilidade obtida, Raposo sempre sentiu falta da excitação que sentia. Quando resolve se mudar para melhorar de vida, é instigado a escolher uma toca próxima às fazendas de Boggis, Bunce e Bean. Uma verdadeira tentação batendo à sua porta, a qual Raposo, é claro, já intencionava ser fisgado. Tem início então uma nova onda de roubos, sempre às escondidas da esposa.
Toda esta trama inicial, é importante ressaltar, não está no livro de Roald Dahl. É mérito de Wes Anderson e Noah Baumbach, autores do roteiro, que resolveram transpôr para a história a questão do homem moderno, cada vez mais contido para se adequar à vida em sociedade. A opressão do lado selvagem, que anseia por liberdade, faz com que este homem - no caso, Sr. Raposo - entristeça, sinta que falte algo em sua vida. No filme esta questão ganha maior relevância pelo fato de que os personagens principais são, na verdade, animais. A humanização neles aplicada faz com que esta diferença fique ainda mais nítida ao espectador, pelo inusitado que é vê-los agindo desta forma. Trata-se de uma questão existencial do cotidiano atual.
Além disto, Anderson trabalha bem os conflitos existentes dentro da família Raposo. É o filho que sonha em ser igual ao pai e sente-se por ele desprezado. É o primo com interesses diferentes que se destaca no que faz e, consequentemente, gera ciúmes. É a esposa que exige seriedade para a manutenção da família. Sempre usando um humor próprio, envolvendo a estranheza provocada pela situação apresentada e o distanciamento entre os personagens, às vezes provocado pela própria repressão de sentimentos que a sociedade exige.
A animação utilizada também merece atenção. A técnica de stop motion provoca um impacto realista aos personagens, além de um visual artesanal. Por outro lado, possui limitações que até geram situações divertidas, como as cenas em que a família cava alucinadamente. O foco adulto é também mantido pela trilha sonora, recheada de referências ao mestre Ennio Morricone.
O Fantástico Sr. Raposo é um bom filme, mas que provocará estranheza aos que não conhecem o estilo Wes Anderson de cinema. É uma animação fiel ao livro o qual é baseado, mas que expande sua história para limites bem distantes do objetivo de Roald Dahl. Afinal de contas, não estão aqui retratados personagens fofinhos, daqueles que de imediato ganham a afeição do público. Os sentimentos envolvendo amizade e família estão lá, mas sob o olhar do diretor. Um dos poucos que, nos dias atuais, possui uma nítida assinatura própria nos trabalhos que realiza.
De Joss Whedon
Com Robert Downey Jr., Chris Evans
Ação
De Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg
Com Jason Biggs, Alyson Hannigan
Comédia
De David Foenkinos, Stéphane Foenkinos
Com Audrey Tautou, François Damiens
Romance
De Rupert Sanders
Com Kristen Stewart, Chris Hemsworth
Filme - Fantasia
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