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    The Crown: Crítica da 4ª temporada da série da Netflix
    Por Katiúscia Vianna — 14 de nov. de 2020 às 08:05

    A Rainha Elizabeth (Olivia Colman) passa a dividir os holofotes com a Princesa Diana (Emma Corrin) e Margaret Tatcher (Gillian Anderson).

    Nota: 4,0/5,0

    The Crown sempre se beneficiou com a bizarra curiosidade do público sobre a família real britânica, mas talvez os holofotes nunca estiveram tão voltados para a série da Netflix como agora. Afinal, a quarta temporada aborda duas figuras importantíssimas para a história do Reino Unido e, consequentemente, do mundo: a amada Princesa Diana (Emma Corrin) e a polêmica Margaret Thatcher (Gillian Anderson).

    The Crown: O que podemos esperar da 4ª temporada?

    A Rainha Elizabeth (Olivia Colman) pode até ser a protagonista da história, afinal a coroa está sobre sua cabeça. Mas precisa dividir o espaço com duas mulheres que tiveram suas marcas na história, para o melhor e para o pior. Ambas representam mudanças que o país passou nos anos 80, batendo de frente com a visão tradicional da monarca. E o criador Peter Morgan conhece muito bem o poder que tais nomes despertam na audiência.

    Personagens que já acompanhamos durante anos, como Princípe Philip (Tobias Menzies) e Princesa Anne (uma ótima Erin Doherty) são deixados de lado, para dar o espaço que Diana e Thatcher dominaram. Princesa Margaret até tem um episódio para chamar de seu, já que não se deve desperdiçar uma atriz do calibre de Helena Bonham Carter — mas assim como os próprios membros da realeza se sentiram ofuscados diante do brilho de Diana, isso também acontece na ficção.

    Emma Corrin é uma revelação como Princesa Diana

    A novata Emma Corrin tinha uma responsabilidade muito pesada sob seus ombros. Como interpretar uma pessoa tão idolatrada de maneira complexa e humana, mas que ainda carregue a simpatia que a princesa transmitia para o público? Sem falar que foram muitas as vezes que Hollywood falhou em tentar contar a história de Diana... Que o diga Naomi Watts!

    A primeira vista, a performance de Corrin parece simplista e meio imatura. Mas, na realidade, ela representa como conhecemos Diana na série: 12 anos mais nova que seu futuro marido, Charles (Josh O'Connor), deslumbrada pelo mundo da realeza e ainda inocente para vários dos dramas que surgem junto com os títulos. A cada episódio, a atriz cresce em seu brilhantismo — da mesma forma que Diana vai construindo seu caráter, seja sofrendo com o desprezo da família real, ou assumindo seu papel de mãe, ou abraçando sua popularidade com graça.

    Kristen Stewart será Princesa Diana em cinebiografia

    O roteiro nem sempre a ajuda, com uma série de repetições na hora de retratar os problemas relacionamento entre Diana e Charles. Numa situação que lembra um hamster girando numa gaiola, parece que Peter Morgan está guardando o melhor para a próxima temporada, onde Elizabeth Debicki e Dominic West assumirão os personagens. O que seria um absurdo por conta das performances incríveis de Corrin e O'Connor. Se ela é uma revelação, seu companheiro de cena também apresenta um passional desenvolvimento de personagem. Você sentia pena dele, nos episódios anteriores? Pois saiba que a situação não será a mesma neste ano.

    Gillian Anderson rouba a cena como Margaret Tatcher

    Na vertente política de The Crown, surge os 11 (e controversos) anos de mandato da Primeira-Ministra Margaret Thatcher. Gillian Anderson surge com uma peruca chamativa e trejeitos já vistos em Meryl Streep em A Dama de Ferro. Porém, existe algo especial em sua performance: ela encarna o porte da política. E não estou falando apenas de postura. É algo presente em seu olhar. Expressões que mostram uma mulher poderosa e determinada, mesmo que tome decisões insensíveis. O roteiro exagera na hora de tentar humanizá-la? Completamente. Mas Anderson entrega um trabalho sólido, que foge da caricatura.

    Sebastian Stan, Lily James e outros atores que ficaram irreconhecíveis interpretando pessoas reais

    Alguns dos melhores momentos da temporada estão nos encontros entre Thatcher e a rainha. E dá para ver que Olivia Colman está bem mais confortável no papel de Elizabeth. Afinal, todo mundo sabe que ela atua bem — basta ver A FavoritaBroadchurch ou Fleabag e sejam felizes. Só que, dessa vez, se apresenta mais solta na personagem, seja aproveitando suas falas ácidas ou os tocantes momentos de fraqueza onde ela quebra sua compostura. Fica aqui o destaque especial para seu trabalho no episódio "Fagan", sobre a ocasião em que um homem invadiu o palácio.

    The Crown virou uma novela na 4ª temporada

    Assim como aconteceu com a primeira geração de atores, é um sentimento agridoce ter que se despedir dos atuais protagonistas, pois são seus trabalhos comoventes que elevam o roteiro de Morgan. Junto com o fabuloso trabalho de design de produção, é claro. Sem falar que a equipe de figurinistas fez algo sensacional na missão de apresentar os incríveis figurinos de Diana...

    Curiosamente, o grande defeito da série fica em seu texto, por vezes partidário demais. Na quarta temporada de The Crown, a sutileza se perde (ainda mais) para adotar um drama estilo dramático, focando em reviravoltas, mocinhas e escandâlos. Bem estilo novela das 8... A única diferença é que vem numa embalagem muito bonita. Logo, irá chamar a atenção daqueles curiosos que citei no início do texto e funciona como entretenimento. O que não é ruim, necessariamente. Mas o brilho de algo superfícial não se compara ao resplendor de uma coroa real, não é mesmo?

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