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    Cursed - A Lenda do Lago: Crítica da 1ª temporada
    Por Katiúscia Vianna — 20 de jul. de 2020 às 13:14

    Katherine Langford é a protagonista da série da Netflix.

    Nota: 2,5/5,0

    Revelada em 13 Reasons WhyKatherine Langford surge com um papel completamente diferente em Cursed - A Lenda do Lago. A ideia é reimaginar o conto do Rei Arthur, a partir do ponto de vista daquela destinada a se tornar a Dama do Lago. Aqui, Nimue surge como uma garota que sofre preconceito dos outros habitantes de seu vilarejo, por possuir poderes incontroláveis.

    Quando a tragédia chega, ela é encarregada por sua mãe para assumir uma tarefa importante: entregar uma espada ancestral para o mago Merlin (um ótimo Gustaf Skarsgård). Logo, tudo aquilo que a faz diferente a coloca como líder de uma revolução contra os Paladinos Vermelhos, que estão caçando seres mágicos. Sem falar que tal espada é cobiçada por diferentes reis e pela Igreja que a condena.

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    Katherine Langford é Nimue em Cursed

    Se Nimue tem seus problemas, outros elementos da lenda também são colocados em posições e formas diferentes. Arthur (Devon Terrell) é um mercenário que se apaixona pela protagonista. Merlin é um bêbado que perdeu seu caminho. E existe uma espécie de caça aos easter-eggs sobre tal famosa história para o público. Mas a série funciona melhor quando foca em sua heroína, ao invés de servir apenas como um prelúdio para algo que já conhecemos.

    O problema é que, mesmo quando a atuação de Langford se torna cada vez mais imponente ao longo dos episódios, parece que Cursed não conhece muito bem sua protagonista. No início, a trata como uma jovem indefesa; de repente ela é a grande salvadora de todos; outra hora é indecisa e toma decisões erradas; depois é uma líder nata. Todo bom personagem precisa ter suas complexidades, mas suas transformações emocionais lembram o final de Daenerys (Emilia Clarke) em Game of Thrones: algo apressado que não apresenta o desenvolvimento que merece.

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    Essa instabilidade também acontece ao longo das reviravoltas da trama. Personagens interessantes perdem espaço de tela para um romance pouco relevante entre Nimue e Arthur, por exemplo. Outros como Monge Choroso (Daniel Sharman) e Iris (Emily Coates) só tomam decisões relevantes nos dois episódios finais, como se estivessem esperando no banco de reservas sua chance de fazer o gol. Mesmo com dez episódios de uma hora cada, Cursed apresenta resoluções simplistas demais, com um roteiro que não funciona o suficiente para levá-lo até o patamar que deseja.

    Pelo menos, a série acerta ao investir na diversidade em seu elenco, inclusive ao escolher um ator negro para assumir o papel de Arthur. Devon Terrell tem o carisma necessário de um futuro cavaleiro e aproveita as chances dramáticas que tem — vide um emocionante embate com sua irmã. É uma forma de mostrar que os limites impostos por uma sociedade ultrapassada não conversam mais com os dias atuais.

    Logo, nem tudo em Cursed está perdido. Afinal, ele sabe brincar com os diferentes aspectos da lenda do rei Arthur. Mas falta um toque de paixão em sua aventura, algo que abale as estruturas do público, fazendo que ele peça por mais. No momento, a série apenas apresenta uma história ok. E isso é um desperdício, quando se tem um universo tão rico a explorar.

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