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    Outer Banks: Crítica da 1ª temporada da série da Netflix
    Por Barbara Demerov — 17 de abr. de 2020 às 13:39

    A produção da Netflix focada no público jovem tem Chase Stokes como protagonista e possui boa premissa, mas se perde em seus inúmeros arcos.

    NOTA: 2,5 / 5,0

    Outer Banks, nova série americana da Netflix, possui conteúdo e público bem claros: a trama é idealizada para adolescentes e possui bons toques de drama, mas o principal intuito em sua 1ª temporada nunca deixa de ser o de entreter o espectador através das inúmeras relações de amizade e paixão entre os personagens. E são muitos os personagens, diga-se de passagem.

    Ambientada nas ilhas da Carolina do Norte, onde as pessoas se locomovem em seus barcos e todos ali se conhecem, a produção entrega um enredo promissor em seu piloto, mas ao longo de seus 10 capítulos o foco vai se perdendo em prol de uma narrativa que preza mais pela ação do que um bom desenvolvimento dos personagens.

    Apesar de incluir um interessante discurso socioeconômico no início da trama com a clara divisão territorial entre grupos denominados Pogues (os pobres e isolados socialmente) e Kooks (os ricos e privilegiados), ele apenas serve como contexto introdutório para os conflitos dos personagens principais com o restante da cidade e antagonistas. 

    OS POGUES E A CAÇA AO TESOURO

    John B. (Chase Stokes), JJ (Rudy Pankow), Kiara (Madison Bailey) e Pope (Jonathan Daviss) formam o elo da rebeldia de Outer Banks, mas isso nunca é abordado de forma mais detalhada. Logo, este cenário que poderia vir a servir como algo mais sério e atual - abrindo espaço para mais igualdade social, talvez - nunca é trabalhado de forma positiva.

    Após nos apresentar o quarteto principal, Outer Banks insere sua trama principal: uma caça ao tesouro perdido que o pai de John B. tanto procurou, mas aparentemente não conseguiu. Desaparecido por meses, as autoridades locais desistiram de procurar pelo homem, mas seu filho nunca acreditou que seu pai pudesse estar morto. Quando o protagonista encontra uma bússola que pertenceu ao seu pai após eventos misteriosos envolvendo um furacão e um barco submerso nos arredores da cidade, sua jornada de descobertas se inicia.

    Porém, o que há de mais interessante na série está justamente em seu episódio piloto, que ainda conta com a narração de John B. para nos apresentar a tudo e a todos -- no entanto, esse artifício é deixado de lado no restante dos episódios, o que não faz muito sentido, pois o ponto de vista deveria ser sempre o do personagem.

    MUDANÇAS NA TRAMA A PARTIR DO 5º EPISÓDIO

    A partir do segundo episódio, a trama começa a andar e o espectador descobre junto com os Pogues que há, de fato, uma enorme quantidade de ouro escondida próximo à cidade. Mas quando a série chega ao seu 5º capítulo, já na metade da temporada, o foco com relação à missão se esvai, uma vez que o mistério do ouro foi resolvido.

    Ou seja: a missão dos jovens na procura pelo ouro do navio Royal Merchant é praticamente um McGuffin (artifício de roteiro em que o personagem possui um objetivo que vai sendo esquecido aos poucos, podendo retornar à trama ou não), pois o arco principal vai dando espaço a outros mini-arcos paralelos envolvendo Sarah (Madelyn Cline, interesse amoroso de John B.) e sua família. O grande vilão, por exemplo, nos é apresentado apenas na metade da temporada, o que salienta a mudança de tom e desvio narrativo que a série toma.

    Pelo lado positivo, Outer Banks ganha pontos com seu elenco jovem. A dinâmica entre os Pogues (que posteriormente ganha a presença de Sarah) nunca perde um tom que mescla diversão com descobertas no decorrer do mistério envolvendo o navio e ouro; mas, assim como a trama em si perde força na segunda metade, cada personagem vai seguindo um caminho individual, proporcionando ainda mais arcos indefinidos e que se perdem quando a narrativa tenta voltar à questão do ouro e do antagonista, Ward Cameron (Charles Esten).

    Outer Banks possui muitos fios soltos, como por exemplo a "amizade" do pai de John B. com Ward, ligeiramente exibida em um flashback importante (porém nunca explicada), e a facilidade em solucionar problemas sérios, como a ameaça relacionada a John B. ser enviado a um centro de adoção para jovens. Alguns episódios se alongam por demais na construção de tais situações, apoiando-se no suspense para manter a atenção do espectador. O resultado é vagaroso e um tanto cansativo.

    Com final aberto para uma segunda temporada, Outer Banks sustenta seu primeiro ano na base da simpatia do elenco principal, do drama envolvendo um romance visto com preconceito, violência doméstica e crimes sem muita explicação. Porém, o que era para ser uma caça ao tesouro envolvendo um pai desaparecido logo se transforma num emaranhado de situações que pouco adicionam à mensagem principal.

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    Comentários
    • Evandro Marquues
      Adoro cinema sempre com suas péssimas críticas, com certeza a série tem falhas do desenvolvimento dos personagens, mas e o enredo, a boa ação com brigas, perseguições elaboradas ficam onde, a história se perde um pouco em muitos acontecimentos ao mesmo tempo, perdendo um pouco o foco no objetivo, mas não deixa de ser uma boa série, mas para vcs, parece que só oque vcs gostam ganham uma boa nota.. Péssima avaliação
    • hudson
      Pois eu achei a série top, merecia um 4 no minimo. Espero que a Netflix renove.
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