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    Pico da Neblina: Era um “exercício de futurologia” que virou um “exercício de fantasia”, brinca Daniel Furlan (Entrevista exclusiva)
    Por Redação — 3 de ago. de 2019 às 08:13

    Com direção de filho de Fernando Meirelles (Cidade de Deus), série da HBO se passa numa São Paulo distópica onde a maconha foi legalizada.

    No meio do caminho, tinha uma pedra. Que não era um “prensado”.

    “A série ficou quase que surreal. Ela era uma série de exercício de futurologia. E, no momento, ela está um exercício de fantasia”, brinca o ator Daniel Furlan (Choque de Cultura) sobre o universo distópico de Pico da Neblina, produção original HBO que estreia neste domingo, 04, no canal.

    O que mudou (no meio do caminho) foram os rumos da política antidrogas do novo Governo Federal, mais rígida.

    Dirigido pelo filho do cineasta Fernando Meirelles (Cidade de Deus), Quico Meirelles (Lili, a Ex), o programa se passa numa São Paulo onde a comercialização da maconha foi legalizada.

    “É tão fantasioso quanto um Game of Thrones”, completa Henrique Santana, que vive o traficante Salim.


    Quico garante que a série não toma partido - no sentido de defender ou atacar a legalização. Mas que pode cumprir um papel social: “Quem sabe, nesse processo de assistir a coisa toda, [o espectador] até se ilumine para algumas questões que a pessoa não conhecia sobre a legalização da maconha ou possibilidades que poderiam acontecer que podem mudar a opinião ou fazer a pessoa refletir de um jeito diferente?”

    Ele insiste que a relações humanas são a base dessa “pirâmide” (pico?), discurso endossado pelo VP corporativo de Produções Originais da HBO Latin America, Roberto Rios: “Depois dos primeiros cinco minutos da legalização da maconha, ela fica realmente como parte da narrativa e não mais parte da discussão”.


    “Sobra”, então, a trama, que gira em torno de um jovem traficante paulistano, Biriba (Luis Navarro), que deixa para trás a vida do crime, para usar seu know-how na venda da marijuana, tendo no “palyboy” Vini (Furlan) seu sócio investidor.

    “Eu não sabia bolar um baseado”, admite Navarro, o protagonista. Para interpretar “um personagem que é a maior referência de vendedor de maconha do Brasil”, ele buscou ajuda dos universitários, ou melhor, dos amigos, leu sobre o assunto e revisitou sua “essência periférica da Zona Leste”. “Ele é um cara cult, então ele só bola um tipo específico, que é um cone, e isso tem muito na Califórnia”, explica.


    A comparação com Breaking Bad, maior referência pop contemporânea na abordagem do assunto, é irresistível. (Pelo menos, não é descabida). Tanto que, quando o AdoroCinema visitou as filmagens da produção, foi o próprio Quico Meirelles que apelidou Pico da Neblina de “Breaking Good”. Ele explica.

    “Quando ele [Walter White] enfrenta um problema, vai entrando cada vez mais fundo num mundo sombrio que não é o dele. Aqui, a gente tem a história de um cara que é do mundo do crime e que, com essa mudança na vida dele que é a legalização, ele resolve ir para a legalidade”. “O problema dele é que ele vai descobrir que no Brasil a legalidade não é tão legal assim”, conclui.

    Confira a entrevista completa no vídeo acima.

     

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