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    Stranger Things: Leia nossa crítica da segunda temporada da série
    Por Lucas Salgado — 27 de out. de 2017 às 16:58
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    Série retornou hoje na Netflix.

    Nota: 4/5

    Apesar da Netflix não divulgar seus números de audiência, não resta nenhuma dúvida de que Stranger Things foi um dos maiores sucessos da companhia no ano passado. Em termos de repercussão, talvez seja a produção original de maior hype da Netflix. A série ganhou uma legião de fãs, se tornou símbolo da cultura pop e até influenciou outras produções televisivas e cinematográficas. Se os anos 80 sempre carregaram um clima de nostalgia, e esse impacto só aumentou após o lançamento da obra. Agora, chegou a vez do conferirmos a continuação da história. E os fãs não irão se decepcionar.

    A primeira temporada deixou inúmeros questionamentos ao final, principalmente no que diz respeito a Eleven (Millie Bobby Brown), que, aparentemente, se explodiu junto com o Demogorgon. Temos também o caso de Will (Noah Schnapp). Após ser resgatado do Mundo Invertido, o garoto parecia normal, mas... Nos momentos finais da temporada anterior podemos ver o garoto vomitando uma criatura estranha e tendo uma breve visão do Mundo Invertido.

    Seguindo o padrão Harry Potter - ideal para dar a sensação ao público mais novo de que as crianças estão crescendo com ele -, a segunda temporada se passa um ano após o fim da anterior, mantendo a dúvida sobre o futuro dos dois personagens citados. Não demora, no entanto, para mostrar o que acontece com Eleven, embora reforce que sua jornada será um pouco isolada dos demais personagens.

    Já Will tenta seguir sua vida com o apoio dos amigos Mike (Finn Wolfhard), Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin), embora sofra com o lado cada vez mais super-protetora da mãe (Winona Ryder), com o bullying no colégio e, é claro, com as visões do Mundo Invertido, que estão cada vez mais frequentes. Ao mesmo tempo, o xerife Hopper (David Harbour) investiga o fato de que plantações locais estão apodrecendo misteriosamente, deixando no ar o clima de que algo está para acontecer.

    De forma interessante, os irmãos Matt e Ross Duffer, criadores da série e diretores dos dois primeiros e dois últimos episódios da temporada, optaram por inserir uma cena de abertura com personagens novos, o que acaba sendo um choque para o espectador, que esperarava reencontrar de cara as queridas crianças. No entanto, nos deparamos com uma intensa perseguição de carro, com um desfecho bem especial. É no mínimo intrigante. Infelizmente, este núcleo retorna sem o mesmo impacto já na metade final da temporada.

    A grande força da primeira temporada estava na união das crianças. Aqui, isso é deixado um pouco de lado, com a formação de alguns grupos improváveis em meio a ação. Ainda assim, os melhores momentos acontecem quando estão todos reunidos, no início e no final da temporada.

    Apresentando três novos personagens, a série é bem sucedida ao inserir uma nova criança no mundo de Mike, Will, Dustin e Lucas. Trata-se de Max (Sadie Sink), que inclusive dá nome ao episódio de abertura ("Madmax"). A menina surge na trama ao lado do instável Billy, vivido pelo power ranger Dacre Montgomery. Se Max logo de cara ganha a simpatia do público, Billy é completamente dispensável, com uma atuação bem exagerada do ator, que está sempre fora do tom. Os dois fazem parte de uma família pouco aproveitada, que investe de forma muito superficial num tema sério como abuso doméstico. Fechando o time de novidades, o goonie Sean Astin surge como o namorado de Joyce. É uma clara referência ao fato de ser um ícone dos anos 80. É um personagem que demora a ter importância na trama, mas que ao final acaba agradando.

    Antes mesmo do lançamento da temporada, os criadores disseram que fariam "justiça pela Barb". Neste sentido, é interessante a participação do triângulo Nancy (Natalia Dyer), Jonathan (Charlie Heaton) e Steve (Joe Keery). A menina, principalmente, cresceu muito, tomando à frente quando necessário.

    Diferentemente da temporada anterior, que contou com oito episódios, a nova trouxe um a mais. Isso, no entanto, não representou um grande ganho, uma vez que um dos capítulos é bem desnecessário. No caso, o sétimo, que serve apenas para dar um novo visual para Eleven, que provavelmente renderá muitas bonequinhas e produtos comerciais.

    Se o episódio sete não funciona, o cinco e o seis estão entre os mais interessantes, justamente por começar a unir cenários então separados. Os capítulos foram dirigidos pelo ótimo Andrew Stanton, de  Procurando Nemo e Wall-E.

    Quem curtiu a atmosfera dos anos 80 também não irá se decepcionar, com inúmeras referências a obras como Exterminador do Futuro, Tubarão, Os GooniesE.T. e Caça-Fantasmas. Mas é certo também que a nova temporada desenvolve melhor a história. Chega até a brincar com as críticas à anterior, num momento em que Max reage a uma história dizendo que era boa, mas não original.

    Stranger Things é super original. Não. Ainda assim, é muito divertida. E conta com belos trabalhos de fotografia, design de produção e trilha sonora. Há algumas barrigas na temporada, mas nada que prejudique muito a experiência. Ao final, temos uma trama fechada, mas que não deixa de apresentar possibilidade para o futuro, comprovando o total domínio da história pelos Duffers. Agora é esperar a terceira temporada.

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    Comentários
    • Ludo Final
      Eu acho que o cara chamou o episódio 7 por causa que daria pra acontecer aquilo entre o 6 e 7, ao invés de tomar um capítulo todo. Ele não tá dizendo que é ruim. Se é que eu entendi essa parte mesmo. O texto eu entendi bem. Sei lá. Tem algumas coisas que gostei muito, mas o que mais gostei da segunda temporada foi de Max e o grupo começando a aumentar. Não que precisasse novos integrantes, mas ela acrescenta no grupo e na série.
    • Ludo Final
      Eu discordo que a menina Eight é má. Ela tá se virando na rua e acredita estar fazendo justiça. Pode ser errado, não entrarei no mérito. O fato é que isso ainda não prova que ela é má.
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