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    Ted Sarandos, chefe de conteúdo da Netflix, comenta a expansão das séries de TV: "Não tem isso de 'muita televisão'"
    Por Laysa Zanetti — 16 de out. de 2015 às 16:35

    Em evento para os executivos de Rádio e TV de Hollywood, produtores discutiram os atuais rumos do mercado televisivo.

    Ultimamente, os revivals, as continuações e os spin-offs têm tomado conta da televisão. De Arquivo X, Twin Peaks a Diário de Uma Paixão e O Casamento do Meu Melhor Amigo, parece que as ideias originais estão ficando esquecidas em algum canto. Em uma declaração recente, o presidente da FX, John Landgraf, disse que o mercado está saturado de séries de TV, já que em 2015 mais de 400 pilotos foram produzidos. “Há muito tempo eu perdi a habilidade de acompanhar todas as séries de TV... mas, este ano, eu perdi a habilidade de manter um controle de todas as emissoras que estão neste negócio. É muita TV. Acho que 2015 ou 2016 vai representar o auge da televisão na América, e isso vai significar o declínio ano após ano depois disso.” A declaração veio levantando polêmicas desde quando Landgraf a emitiu, em agosto deste ano durante a conferência da Associação de Críticos da Televisão. Recentemente, o assunto voltou à tona quando o diretor de conteúdo da Netflix, Ted Sarandos, deu a sua própria opinião: “Não tem isso de ‘muita televisão’, a não ser que estivermos gastando mais e assistindo menos. Não é o caso”. Durante um almoço da Sociedade de Rádio e Televisão de Hollywood na última qunta-feora, Sarandos foi corroborado por Paul Lee, Sandra Stern, Frances Berwick e David Nevins – presidentes, respectivamente, da ABC, Lionsgate TV, NBC Universal e do Showtime. “Além disso, séries de TV são os programas que mandam no mercado atualmente. A mesma dinâmica está acontecendo ao redor de todo o mundo”, acrescentou Nevins.

    A expansão do formato televisivo para a web – comprovado pelo crescimento de serviços como Netflix, Hulu, Amazon Prime, HBO Go, CW Seed e outros, reafirma que a TV está acompanhando as mudanças do perfil dos expectadores, justamente para atender às suas demandas. Segundo afirma Sarandos, a quantidade de horas que o público passa assistindo a séries de TV vem crescendo exponencialmente. Quanto à decisão da Netflix de não divulgar os seus números de audiência, Sarandos defende a empresa alegando que os números, normalmente divulgados um dia após a exibição, levaram ao fim inúmeras séries de qualidade nas últimas duas décadas. Tome como exemplo Firefly, Pushing Daisies, Jericho e até mesmo The Comeback e Twin Peaks, que ganharam recentemente uma sobrevida. Segundo ele, as únicas soluções viáveis são a inserção de anúncios personalizados e dinâmicos ou a disponibilização de serviços pagos. Com a mudança dos perfis do público, naturalmente também mudam as regras que consolidaram a TV nas últimas décadas. Paul Lee reforçou que as regras “escritas em pedra” vêm sendo reescritas. A crescente demanda, segundo ele, tem movido os roteiros sofisticados e os levando a migrar do cinema para a TV. Casos como o prêmio de Viola Davis pela elogiada How to Get Away With Murder confirmam sua posição, assim como a enorme (e positiva) repercussão midiática sobre o retorno de Twin Peaks no comando de David Lynch e Mark Frost. Apesar do crescimento e da força das séries, Frances Berwick relembrou que muitos dos canais a cabo ainda têm suas programações amplamente baseadas em reality shows, e que assistir a estes programas é quase um “segredo sujo sobre o qual as pessoas não querem falar”. De uma forma ou de outra, cabe a questão: Será que o mercado realmente aguenta (ou necessita de) tantas séries reaproveitadas? A boa recepção de Limitless diz que sim, enquanto a baixa audiência de Minority Report alega que não. Só os números dirão.

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