Nem Chocolate com Pimenta nem Cabocla: A novela de época com a maior audiência deste século foi aprovada por um e-mail de apenas seis linhas
Guilherme Rocha
Guilherme Rocha
-Subeditor
Fã incondicional de reality shows que poucos admitem assistir, novelas clássicas com vilãs que amamos odiar, além de séries que são o auge do entretenimento despreocupado.

Exibida na faixa das 18h, a produção conquistou o público e segue como um dos maiores sucessos da teledramaturgia brasileira.

Tradicionalmente, as novelas de época ocupam a faixa das 18h da TV Globo, com raras exceções. O horário virou praticamente sinônimo de tramas leves ambientadas no passado, figurinos impecáveis, cidades cenográficas que recriam outras décadas e romances cheios de idas e vindas, daqueles que fazem o público torcer até o último capítulo.

Neste século, vimos grandes produções do gênero elevarem os índices de audiência da emissora. Mas uma delas impressiona até hoje: fechou com média geral de 38,6 pontos, um número impressionante para o horário das 6 e inimaginável nos dias de hoje, quando a TV aberta disputa a atenção com o streaming e outras formas de entretenimento.

Um amor que atravessou gerações

É claro que estamos falando da campeã de audiência Alma Gêmea, exibida originalmente entre 2005 e 2006. Escrita por Walcyr Carrasco, a novela virou um fenômeno da teledramaturgia brasileira. Para se ter ideia, registroua maior média de um último capítulo de novela das 18h desde Sonho Meu (1994): 53 pontos, com picos de 56.

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Com romance, humor e vilanias, a trama aposta em um amor que atravessa vidas. Na década de 1920, Rafael (Eduardo Moscovis) vê seu grande amor, Luna (Liliana Castro), perder a vida de forma trágica. O crime foi arquitetado pela ambiciosa Cristina (Flávia Alessandra) que, movida pela inveja e pelo desejo de ocupar o lugar da prima, decide tirá-la de cena.

TV Globo

Duas décadas após a morte de Luna, o agora amargurado Rafael reencontra a amada reencarnada na pele de Serena (Priscila Fantin), filha de uma indígena com um garimpeiro. O reencontro de almas reacende um romance que parecia interrompido pelo destino e que conquistou o público com emoção, espiritualidade e personagens inesquecíveis.

Apenas seis linhas para aprovação

Nos anos 2000, outra novela de época também marcou seu nome na história das novelas brasileiras: Chocolate com Pimenta (2003), também assinada por Walcyr Carrasco. O folhetim estrelado por Mariana Ximenes encerrou sua exibição com média geral de 35,3 pontos de audiência, em mais um êxito do novelista na faixa das seis.

Pouco tempo após o desfecho, já pensando no projeto seguinte, Carrasco apresentou à Globo uma história que acabou rejeitada. Ele, então, decidiu apostar em uma nova ideia e a enviou em um e-mail de apenas seis linhas, sem sinopse detalhada. Era Alma Gêmea.

Alma Gêmea
Alma Gêmea
Data de lançamento 2005-06-20
Séries : Alma Gêmea
Com Eduardo Moscovis, Priscila Fantin, Flávia Alessandra
Usuários
3,7
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"Nunca achei que essa história daria uma novela, pensava em escrever um livro. Eu tinha dado uma ideia para uma novela que não havia entusiasmado muito o Mário Lúcio [Vaz]. Ele me pediu uma ideia diferente, porque a história que eu havia sugerido era muito comum", afirmou Carrasco em depoimento ao livro Autores: Histórias da Teledramaturgia, do projeto Memória Globo. "Alma Gêmea foi aprovada por e-mail."

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