Pelo que parece, não há nada melhor do que uma polêmica para aguçar o senso de curiosidade dos espectadores. Após o Pentágono chamar Boots de “lixo woke”, a série LGBTQ da Netflix dobrou os seus índices de audiência, alcançando a marca de 9,4 milhões de visualizações na segunda semana de plataforma.
“Acho que temos que dar algum crédito ao Pentágono, não é?”, colocou o cocriador, Andy Parker, durante uma entrevista recente para a Vanity Fair. "Eu ficaria muito surpreso se o Pentágono realmente assistisse ao programa. A premissa em si instiga ou incita algum tipo de reação ou suposição. O que eu convidaria as pessoas a fazerem é assistir ao programa e ver como se sentem em relação às questões que ele tenta provocar”, acrescentou.
Inspirado em The Pink Marine, livro que carrega as memórias do ex-sargento da Marinha dos Estados Unidos, Greg Cope White, Boots mergulha o público na vida de Cameron Cope (Miles Heizer), um adolescente gay que decide se juntar ao Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, junto com Ray McAffey (Liam Oh) - seu melhor amigo hétero. Em um período em que era ilegal ser homossexual nas forças armadas, Cameron enfrenta grandes desafios na instituição.
Nem O Resgate do Soldado Ryan, nem Dunkirk: O filme de guerra de maior bilheteria da história é polêmico e detém outro grande recordeO PENTÁGONO CRITICOU BOOTS
Na semana retrasada, a secretária de imprensa do Pentágono, Kingsley Wilson, criticou duramente Boots em uma declaração compartilhada com diversos veículos de comunicação.
"Sob o comando do presidente Trump e da secretária Hegseth, as Forças Armadas dos EUA estão voltando a restaurar o ethos guerreiro. Nossos padrões em geral são de elite, uniformes e neutros em relação ao sexo, porque o peso de uma mochila ou de um ser humano não importa se você é homem, mulher, gay ou hétero. Não abriremos mão de nossos padrões para satisfazer uma agenda ideológica, ao contrário da Netflix, cuja liderança produz e alimenta consistentemente seu público e suas crianças com lixo woke”, colocou.
Explicando que não queria retratar "uma visão imaculada dos militares", Parker disse que o programa é "mais sobre a experiência humana de como esses caras se sentem, neste momento e lugar específico, ao passar por essa experiência".
“Há uma questão política envolvida em todas essas questões: o que está acontecendo com as pessoas trans agora e as políticas que estão sendo impostas aos militares trans. O que nosso programa destaca é: qual é o custo disso? Qual é o custo para as pessoas afetadas por essas políticas? Qual é o custo para a própria instituição, quando ela tem que impor isso aos militares que querem servir com honra e dignidade?”, finaliza o showrunner.