"Lixo woke": Após ser criticada pelo Governo Trump, esta série da Netflix dobrou sua audiência em um curto período
Rafael Felizardo
Rafael Felizardo
-Redator | Crítico
Sonhador desde pequeno e apaixonado por cinema de A a Z, encontrou em David Lynch um modo de sonhar acordado.

Boots alcançou a marca de 9,4 milhões de visualizações após ser desaprovada pelo Pentágono.

Netflix

Pelo que parece, não há nada melhor do que uma polêmica para aguçar o senso de curiosidade dos espectadores. Após o Pentágono chamar Boots de “lixo woke”, a série LGBTQ da Netflix dobrou os seus índices de audiência, alcançando a marca de 9,4 milhões de visualizações na segunda semana de plataforma.

“Acho que temos que dar algum crédito ao Pentágono, não é?”, colocou o cocriador, Andy Parker, durante uma entrevista recente para a Vanity Fair. "Eu ficaria muito surpreso se o Pentágono realmente assistisse ao programa. A premissa em si instiga ou incita algum tipo de reação ou suposição. O que eu convidaria as pessoas a fazerem é assistir ao programa e ver como se sentem em relação às questões que ele tenta provocar”, acrescentou.

Inspirado em The Pink Marine, livro que carrega as memórias do ex-sargento da Marinha dos Estados Unidos, Greg Cope White, Boots mergulha o público na vida de Cameron Cope (Miles Heizer), um adolescente gay que decide se juntar ao Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, junto com Ray McAffey (Liam Oh) - seu melhor amigo hétero. Em um período em que era ilegal ser homossexual nas forças armadas, Cameron enfrenta grandes desafios na instituição.

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O PENTÁGONO CRITICOU BOOTS

Na semana retrasada, a secretária de imprensa do Pentágono, Kingsley Wilson, criticou duramente Boots em uma declaração compartilhada com diversos veículos de comunicação.

"Sob o comando do presidente Trump e da secretária Hegseth, as Forças Armadas dos EUA estão voltando a restaurar o ethos guerreiro. Nossos padrões em geral são de elite, uniformes e neutros em relação ao sexo, porque o peso de uma mochila ou de um ser humano não importa se você é homem, mulher, gay ou hétero. Não abriremos mão de nossos padrões para satisfazer uma agenda ideológica, ao contrário da Netflix, cuja liderança produz e alimenta consistentemente seu público e suas crianças com lixo woke”, colocou.

Explicando que não queria retratar "uma visão imaculada dos militares", Parker disse que o programa é "mais sobre a experiência humana de como esses caras se sentem, neste momento e lugar específico, ao passar por essa experiência".

“Há uma questão política envolvida em todas essas questões: o que está acontecendo com as pessoas trans agora e as políticas que estão sendo impostas aos militares trans. O que nosso programa destaca é: qual é o custo disso? Qual é o custo para as pessoas afetadas por essas políticas? Qual é o custo para a própria instituição, quando ela tem que impor isso aos militares que querem servir com honra e dignidade?”, finaliza o showrunner.

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