Com Dept. Q, a Netflix lançou uma série de suspense policial envolvente e incrivelmente atmosférica que certamente encantará os fãs de thrillers sombrios. Baseada na saga de romances de dez partes do autor dinamarquês Jussi Adler-Olsen, a série nos transporta para as profundezas de casos não resolvidos.
É disto que se trata Dept. Q
A trama é centrada em Carl Mørck (Matthew Goode), um detetive inglês brilhante, mas cínico, atormentado por demônios pessoais, que trabalha para a polícia de Edimburgo. Após um incidente traumático em que perdeu um colega e outro ficou gravemente ferido, Mørck se encontra na homônima Unidade Especial Q.
O escritório degradante no porão é o último refúgio para casos não resolvidos, rejeitados e essencialmente condenados. Mas, junto com seu assistente nada convencional, porém leal, Akram (Alexej Manvelov) e a resoluta Rose (Leah Byrne), Mørck começa a vasculhar os arquivos e assume o caso da promotora Merritt Lingard (Chloe Pirrie), que desapareceu em uma balsa há quatro anos.
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Um golpe de sorte no elenco
Escalar Matthew Goode como Carl Mørck foi um golpe de sorte. O ator, visto ao lado de Anthony Hopkins em A Última Sessão de Freud e na série de fantasia A Descoberta das Bruxas, encarna o detetive inglês desiludido com uma mistura fascinante de mau humor, sagacidade e vulnerabilidade.
Seu Mørck não é um herói brilhante, mas um homem destruído cujo trauma o persegue por toda parte. Goode consegue, com maestria, tornar palpável a turbulência interior de seu personagem. Seus comentários, muitas vezes secos e sarcásticos, e sua visão irônica do mundo amenizam o tema, que de outra forma seria sombrio. Além disso, a química entre ele e Manvelov é excelente. Ela forma o coração da dupla investigativa.
A série leva tempo para desenvolver sua história e apresentar seus personagens. A trama não salta de um caso para o outro em seus nove episódios, mas sim se concentra em um caso específico. Duas histórias se encaixam como engrenagens de uma roda: na primeira metade de Dept. Q, elas correm paralelamente – mas estão tão bem interligadas que você sente que tudo acontece na mesma linha do tempo.
É somente quando Mørck decide enfrentar um caso arquivado que duas vertentes se tornam uma trama principal, e o espectador vivencia aquele momento de revelação. Ele mergulha nas profundezas da natureza humana e também lança luz sobre a injustiça social. O suspense aumenta lentamente de episódio para episódio – e o mantém até o último segundo.
Quem procura uma série policial inteligente, envolvente e com atuações excelentes deve definitivamente dar uma chance a Dept. Q na Netflix.