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    Mostra SP 2018: Jorge Furtado faz um dos melhores filmes de sua carreira com o comovente Rasga Coração
    Por Bruno Carmelo — 26 de out. de 2018 às 09:10

    As lutas de ontem e de hoje.

    Entre os mais de 60 filmes brasileiros apresentados na 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, um dos mais aguardados era Rasga Coração, de Jorge Furtado

    O diretor de O Homem que CopiavaMeu Tio Matou um CaraSaneamento Básico adapta um texto de Oduvaldo Vianna Filho, que aborda a herança das lutas contra a ditadura militar no Brasil de hoje. Marco Ricca interpreta o protagonista, que foi contestador em sua juventude, mas hoje se contenta com um emprego repetitivo e uma vida cômoda, até perceber as novas lutas combatidas pelo filho (Chay Suede).

    O resultado consegue ser ao mesmo tempo divertido e grave no que diz respeito ao cenário político e social brasileiro. Marco Ricca, Chay Suede e Drica Moraes estão excelentes na parte atual da trama, enquanto João Pedro Zappa se sai muito bem no trecho representando a ditadura militar.

    Dentro do cinema lotado, Jorge Furtado apresentou sua obra como uma forma de resistência e defesa da democracia, recebendo os aplausos da plateia. Ao lado de Deslembro, Temporada, BenzinhoFerrugem e Arábia, demonstra que o cinema de ficção brasileiro está em excelente fase, em especial na representação das classes médias. Fazia muito tempo que não tínhamos um grupo tão potente de filmes brasileiros apresentados quase simultaneamente ao espectador. 

    Rasga Coração não é apenas um ponto alto do cinema brasileiro de 2018, mas também uma das melhores obras da filmografia de Jorge Furtado - um desses filmes que consegue retratar, como algo simples e natural, a transformação do país durante décadas, representada por uma única família. 

    De acordo com a nossa crítica, "Na época de Manguari, os combates eram coletivos, nas ruas, com panfletos, ações sociais, gritos de ordem. Tempos depois, os jovens querem lutar pelo direito de homens usarem saias, mulheres disporem de seus corpos como bem entenderem. O mérito do texto é perceber que estes combates são idênticos em sua essência (por apoiarem a liberdade do indivíduo, a distribuição de renda e o combate às opressões), mas distintos em suas características culturais e formas de atuação".

    Leia a crítica completa e descubra todas as críticas da 42ª Mostra Internacional de São Paulo. 

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