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    Festival de Brasília 2018: A Sombra do Pai representa o terror brasileiro na mostra competitiva
    Por Bruno Carmelo — 21 de set. de 2018 às 11:39
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    A noite também trouxe dois ótimos curtas-metragens.

    Após alguns dramas, documentários e uma comédia, o 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro apresentou na noite de 20 de setembro o único filme de terror da competição oficial: A Sombra do Pai, de Gabriela Amaral Almeida.

    Na trama, a garota Dalva (Nina Medeiros) vive com o pai (Júlio Machado) e com a tia (Luciana Paes), enquanto sofre com a ausência da mãe falecida. No entanto, devido às superstições da tia e aos filmes de terror que vê na televisão, ela acredita ser capaz de trazer os mortos de volta à vida. E se ela tiver razão?

    O filme se articula pela sugestão do fantástico e a dúvida sobre os reais poderes da garota. Além disso, faz um bom retrato social das classes desfavorecidas, enquanto trabalha as regras do terror de modo lento e progressivo.

    Leia a nossa crítica.


    A noite também trouxe dois curtas-metragens muito diferentes dos filmes exibidos até agora: Guaxuma, de Nara Normande, e Plano Controle, de Juliana Antunes. O primeiro, que já foi selecionado em diversos festivais, traz uma comovente mistura de filmagem live action com a animação com a textura da areia para contar uma amizade preciosa da diretora, quando criança, e o fim deste relacionamento. 

    O esmero na produção, a segurança narrativa e a bela narração em off - dirigida por Maeve Jinkings - garantem um resultado comovente, além de muito expressivo. É esperançoso ver a animação brasileira apresentar projetos deste nível.


    Plano Controle foi uma ótima surpresa. Após o sóbrio e realista Baronesa, Juliana Antunes envereda por uma comédia fantástica, na qual planos de celular permitem o teletransporte dos consumidores. Mas o sistema ainda tem as suas falhas, afetando os mais pobres e a população LGBT, que acabam enviados para lugares e épocas onde não queriam ir.

    A mistura de humor e crônica social funciona muito bem. A diretora levou a plateia às gargalhadas com menções a cenas clássicas das telenovelas brasileiras e mexicanas, como parte de um imaginário coletivo popular. 


    No dia 21 de setembro, o penúltimo dia da mostra competitiva apresenta o longa-metragem Temporada, de André Novais Oliveira, e o curta-metragem Eu, Minha Mãe e Wallace, dirigido pelos irmãos Carvalho.

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