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    Festival de Vitória 2018: Balanço final
    Por Barbara Demerov — 9 de set. de 2018 às 07:06

    Entre ficções e documentários, festival apresentou pluralidade de temas pertinentes dentro de notável programação.

    Sergio Cardoso

    Enfoque na conservação da natureza, mulheres no cinema, destaque para as minorias e o reconhecimento de memórias e pessoas marcantes do cenário cultural brasileiro: todos estes elementos constituíram a 25ª edição do Festival de Vitória, que ocorreu ao longo de seis dias na capital do Espírito Santo.

    A curadoria do Festival destacou conteúdos que estão cada vez mais presentes no diálogo coletivo e soube dosar as obras ao longo das sessões, variando os tópicos abordados e mesclando de forma que tudo se encaixasse perfeitamente no final.

    A conclusão após completa imersão dentro da programação resulta em um saldo positivo, que demonstra seriedade na divulgação de trabalhos autorais e independentes e reverencia aqueles já inseridos no audiovisual brasileiro, tais como Neville D'AlmeidaCláudio Tovar e Luiz Carlos Barreto.

    Com relação aos longas, tivemos um pouco de tudo: desde fantasia e aventura, como em A Mata Negra e A Chave do Vale Encantado, documentários históricos - Pastor Cláudio, Neville D'Almeida: Cronista da Beleza e do Caos (exibido fora de competição), Diante dos Meus Olhos - e até mesmo uma animação, em A Cidade dos Piratas. Todas as obras enriqueceram a programação de maneiras diferentes.

    Sergio Cardoso
    Sérgio Marone e Zezé Motta apresentam homenagem ao artista e produtor Luiz Carlos Barreto, o "Barretão".


    Mas foi principalmente devido aos curtas que tivemos um leque muito mais aberto, seja de estilos como também de questionamentos. Assim como em outros festivais de cinema (como o Cine PE), é interessante notar o quanto algumas obras conversam entre si e se complementam quando analisadas em retrospecto.

    É o que acontece com os curtas BR3, Maria, Estamos Todos Aqui, Apenas o que Você Precisa Saber Sobre Mim e Vaca Profana, que possuem personagens trans ou travestis à frente em diferentes situações do cotidiano. O preconceito, o medo de sofrer, os sonhos perseguidos e a coragem requerida diariamente traçam as histórias. Além de semelhantes na essência, foram alguns dos curtas-metragens mais aplaudidos pela plateia.

    Braços Vazios e Peripatético tratam a truculência da polícia para com jovens negros residentes de regiões periféricas. Ambos mesclam ficção e realidade com proeza, sendo que em Braços Vazios a diretora Daiana Rocha insere depoimentos reais de mães que perderam seus filhos para tal injustiça. Tentei também fala sobre injustiça, mas em outra condição (e talvez este seja o documentário mais pesado e marcante do festival): a violência contra a mulher.

    Visto a grande presença de mulheres diretoras (cerca de metade dos curtas em competição foram dirigidos por elas) e a variedade proposta, o Festival de Vitória 2018 entregou ao público aquilo que se comprometeu: representatividade e a valorização da nossa própria cultura.

    Leia as críticas dos longas-metragens do 25º Festival de Vitória:

    A Cidade dos Piratas
    A Chave do Vale Encantado
    A Mata Negra
    Diante dos Meus Olhos
    Neville D'Almeida: Cronista da Beleza e do Caos (fora de competição)
    Pastor Cláudio

    Cobertura diária:

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