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    Festival de Cannes 2018: The Man Who Killed Don Quixote pode ser barrado novamente da mostra
    Por Renato Furtado — 27 de abr. de 2018 às 11:35

    Aguardado filme de Terry Gilliam é alvo de um processo judicial movido pelo português Paulo Branco, ex-produtor do projeto.

    Era bom demais para ser verdade. De acordo com informações do Deadline, The Man Who Killed Don Quixote, a aguardadíssima obra de Terry Gilliam há quase 30 anos em desenvolvimento, pode ser novamente barrada do Festival de Cannes 2018. Após ser selecionado pela direção da mostra como o filme de encerramento, o longa volta a ser alvo da mesma ação judicial que impediu sua seleção em primeiro lugar: segundo o produtor português Paulo Branco, os direitos sobre a obra pertencem a ele e à sua companhia - e o ibérico não está disposto a permitir a exibição de The Man Who Killed Don Quixote.

    "A produtora Alfama Filmes recebeu permissão para obter uma ordem contra o Festival de Cinema de Cannes e demandará que o presidente do Tribunal de Paris imponha um banimento à exibição do filme de Terry Gilliam, The Man Who Killed Don Quixote, por causa da violação de seus direitos de exibição, direitos estes que foram confirmados em três julgamentos distintos. Por razões judiciais, o filme não pode ser explorado de nenhuma forma sem que um acordo prévio seja realizado com a produtora Alfama Filmes", declarou Branco, em comunicado oficial.

    Em 2000, Gilliam tentou realizar o longa com o falecido Jean Rochefort e Johnny Depp nos papéis principais. No entanto, o adoecimento do ator francês, as tenebrosas condições climáticas e outros inúmeros contratempos amaldiçoaram e cancelaram a produção na época. O diretor só conseguiria retomar o projeto 16 anos depois.

    A disputa entre o produtor português e Gilliam data dos idos de 2016, quando Branco embarcou no projeto para finalmente concretizar a tão sonhada obra do realizador estadunidense. Depois de uma infernal e amaldiçoada produção - cujos contratempos quase engavetaram The Man Who Killed Don Quixote para sempre e foram registrados no documentário Perdido em La Mancha -, Gilliam encontrou uma forma de financiar e produzir sua aventura histórica com o apoio de Branco. No entanto, o português não entregou o orçamento de € 16 milhões prometido a Gilliam; assim, este quebrou o contrato realizado com o produtor europeu, não aceitando as condições que tentaram ser impostas pelo mesmo - Branco queria controle total sobre The Man Who Killed Don Quixote e que o diretor trabalhasse com uma verba de produção reduzida.

    Não demorou para que os dois se tornassem inimigos declarados, trocando farpas na mídia sempre que possível. Mas obstinado, o diretor seguiu em frente, ignorando as ameaças de Branco. E então, no momento em que encontrou novos produtores e pôde trabalhar em The Man Who Killed Don Quixote da forma como queria, Gilliam conseguiu finalizar o lendário longa-metragem e concluir sua visão, com Jonathan Pryce como o herói cervantiano e Adam Driver como o homem que volta ao passado e é confundido com Sancho Pança. Branco, por sua vez, manteve seu posicionamento e o novo processo pode, de fato, banir The Man Who Killed Don Quixote do Festival de Cannes. A prestigiada mostra francesa ainda não se pronunciou sobre a controvérsia e, até segunda ordem, a aventura de Gilliam segue inclusa na seleção oficial como filme de encerramento.

    O Festival de Cannes 2018 ocorre entre os dias 8 e 19 de maio - fique ligado na cobertura completa do AdoroCinema!

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