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    Festival de Berlim 2018: Nossas impressões sobre O Processo, retrato dos bastidores do impeachment de Dilma Rousseff
    Por Bruno Carmelo — 22 de fev. de 2018 às 20:50

    A diretora Maria Augusta Ramos foi ovacionada pela plateia.

    Assim como na sua primeira exibição em Berlim, a segunda projeção do documentário O Processo gerou forte reação da plateia. O filme sobre o impeachment de Dilma Rousseff, financiado em plataformas coletivas e pelo próprio festival de Berlim, registrou sessões lotadíssimas. Na fila para entrar no cinema, os espectadores receberam um manifesto clamando todos a lutarem pela democracia no Brasil.

    Dentro da sala, os espectadores riam muito dos discursos lacrimejantes de Janaína Paschoal, da afirmação de Eduardo Cunha de que jamais cometeu um crime, e da fala de Aécio Neves sobre não tolerar a corrupção no país. Ouviram-se palmas ao discurso de José Eduardo Cardozo, e ao pronunciamento de Dilma quando se confirmou o impeachment. Ao final, um grito de "Fora, Temer!" ecoou pela sala enquanto a diretora Maria Augusta Ramos entrava para o debate.

    Mesmo assim, o filme é duro, repleto de linguagem técnica e jurídica, e supondo que o espectador possui uma compreensão mínima dos principais caciques do PT, PSDB, (P)MDB e DEM, e suas alianças volúveis. É um cinema politizado, de esquerda, que busca comprovar a existência de um golpe com provas jurídicas. 

    Leia a nossa crítica.

    Autoajuda

    Enquanto isso, no penúltimo dia da competição oficial, o drama romeno Touch Me Not trouxe uma combinação de ficção e documentário para retratar pessoas com problemas de intimidade ligados ao medo do toque.

    A premissa poderia gerar uma boa discussão, mas a diretora Adina Pintilie prefere construir uma história lânguida sobre as virtudes terapêuticas da fala e do amor-próprio. Dezenas de jornalistas não aguentaram até o final da sessão e foram embora.

    O herói ladrão

    Museo é o segundo e último filme latino-americano em competição, após o paraguaio Las Herederas. Em MuseoGael García BernalLeonardo Ortizgris interpretam dois jovens que conseguem roubar objetos raros do museu mexicano de antropologia, mas depois enfrentam dificuldade para vender as peças.

    A história é divertida e bem filmada, mas incomoda por transformar o protagonista em herói e terminar com uma defesa institucional da arte mexicana.

    Descubra todas as nossas críticas e notícias no guia do festival de Berlim.

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