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    Vencedor do Oscar por O Artista fala de sua comédia sobre Godard: 'rejeitaram a ideia de que eu poderia fazer um filme sobre o ídolo deles' (Entrevista exclusiva)
    Por Renato Hermsdorff — 22 de out. de 2017 às 07:23

    No Brasil para lançar O Formidável - cinebiografia 'não-convencional' do icônico cineasta Jean-Luc Godard -, Michel Hazanavicius defende o humor como forma de encarar o mundo com distância.

    Quando perguntamos ao diretor Michel Hazanavicius se ele sabia se Godard tinha assistido a O Formidável - cinebiografia "não-convencional" do lendário cineasta francês que chega aos cinemas brasileiros no próximo dia 26 de outubro -, a resposta foi: "não recebi nenhuma mensagem dele do tipo 'ei, bro, você fez um filme incrível!' Então acho que ele não viu".

    Quando estreou no Festival de Cannes, selecionado para a mostra competitiva deste ano do evento, Le Redoutable (no original) despertou a ira de uma parte da crítica (sobretudo francesa), por retratar o icônico Jean-Luc Godard de forma um tanto... "pateta".

    "Não foi uma controvérsia de verdade, mas os jornalistas rejeitaram a ideia de que eu poderia fazer um filme sobre o ídolo deles", se recorda o realizador, vencedor do Oscar de melhor diretor por O Artista (2011), em entrevista ao AdoroCinema durante a última edição do Festival do Rio. "Mas não acho que o filme o ataque. O filme o homenageia e o descreve de uma forma muito fiel. E o humaniza".

    O Formidável se passa entre os anos de 1967 e 1968 e é baseado nas memórias da atriz Anne Wiazemsky (A Chinesa), com quem Godard foi casado no período - e que faleceu recentemente. "Eu adaptei um livro que já havia sido escrito. Então, não fiz nenhuma revelação", se "defende".

    A liberação para transpor o episódio do papel para a tela de cinema, no entanto, não foi imediata. Hazanavicius conta que Wiazemsky foi reticente quanto a ceder os direitos. E que só deu o braço a torcer depois que ele argumentou que gostaria de fazer uma comédia.

    Godard, que não era conhecido exatamente por... seu rostinho bonito ("Ele não é um Cary Grant ou James Dean, mas ele… é uma pessoa normal", garante) é interpretado pelo galã Louis Garrel (Os Sonhadores). "Peguei um dos atores mais bonitos e talentosos da França, mas raspei seu cabelo, ele usa uma peruca, óculos grossos e um sotaque diferente. Então, ele não está tão bonito quanto é na vida real", explica o diretor.

    Michel Hazanavicius comenta por que não fez nenhum filme em Hollywood depois do Oscar (apesar de falado em inglês, se longa anterior, The Search, de 2014, não tem envolvimento de nenhum estúdio dos Estados Unidos): "não posso esperar durante anos para um filme ser feito. Preciso trabalhar", embora ele não negue a vontade. E se recorda das filmagens no Rio de Janeiro da sequência de Agente 117 (em 2009), paródia dos filmes de James Bond, protagonizada por Jean Dujardin (confira a entrevista completa no vídeo acima).

    Por falar em comédia, perguntamos a Hazanavicius se o humor pode salvar o mundo. "O que posso dizer é que se não houvesse humor, o mundo certamente entraria em colapso. Humor não é apenas sobre fazer piadas. É sobre se distanciar das coisas. E acho que você não consegue sobreviver sem se distanciar das coisas", filosofou - para rir de si mesmo, em seguida.

     

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