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    Olhar de Cinema 2017: Máquinas, o filme chocante sobre a "flexibilização das leis trabalhistas"
    Por Bruno Carmelo — 11 de jun. de 2017 às 11:15

    Na mesma noite, a mostra competitiva surpreendeu para o bem e para o mal.

    Neste último sábado, 10 de junho, os espectadores do 6º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba devem ter se perguntado: como podem dois filmes tão diferentes pertencerem à mesma mostra competitiva? Como é possível um projeto tão complexo e respeitoso quanto Máquinas concorrer aos mesmos prêmios que o pavoroso Corpo Estrangeiro?

    "Você vai poder negociar com o patrão"

    Máquinas, de Rahul Jain, retrata a rotina dos trabalhadores de uma grande usina têxtil na Índia, país onde os direitos trabalhistas foram "flexibilizados". O documentário constrói imagens belíssimas para revelar uma estrutura de exploração de homens e crianças, que trabalham até 36 horas ininterruptas, operando máquinas pesadas e ganhando o mínimo de dinheiro para sobreviverem. Quando questionados sobre a razão pela qual não solicitam uma jornada mais branda ao patrão, eles revelam a desigualdade do poder: caso não aceitem a situação de escravidão, serão substituídos por outros que aceitem.

    Leia a nossa crítica.

    Sexy arab women

    Enquanto o filme anterior demonstrava grande respeito à integridade humana e aos corpos, o drama franco-tunisiano Corpo Estrangeiro funciona no sentido oposto. Temos um filme fetichista, repleto de exotismos, e inacreditavelmente dirigido por uma mulher - como seria bom tê-la no festival para debater suas escolhas durante um debate... Raja Amari constrói um triângulo amoroso entre duas mulheres e um homem tunisiano na França, numa história repleta de reviravoltas absurdas. A atmosfera de erotismo softcore pareceu no mínimo incômoda diante de um tema tão importante quanto a crise de refugiados na Europa.

    Leia a nossa crítica.

    A banalidade do trauma

    História Mundana permitiu ao público em Curitiba descobrir o primeiro trabalho da jovem diretora tailandesa Anocha Suwichakornpong, homenageada do festival. O longa-metragem começa como uma investigação fria e dura sobre a vida de um jovem tetraplégico, até permitir a entrada de elementos fantásticos e transformar a sua história numa bem-vinda reflexão sobre os ciclos de vida e morte.

    Leia a nossa crítica.

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