Minha conta
    Festival de Toronto 2015: O polêmico documentarista Michael Moore está de volta
    Por Renato Hermsdorff — 12 de set. de 2015 às 21:25

    Para o bem e para o mal.

    WireImage/Getty for TIFF
    Desde 2009 sem lançar um filme (intervalo que aumenta se considerarmos que o longa em questão, Capitalismo - Uma História de Amor, foi direto para o home video no Brasil), o polêmico, satírico, tão amado quanto odiado, Michael Moore está de volta.

    Com a estreia mundial de Where to Invade Next no Toronto International Film Festival (TIFF) 2015, o documentarista de Tiros em Columbine (2002) e Fahrenheit 11 de Setembro (2004) aponta seu deboche para a política dos Estados Unidos, como é praxe na sua filmografia, desta vez focando no (ou na falta de) estado de bem-estar social norte-americano – expressão que, segundo o realizador, não é vista com bons ouvidos entre os políticos de seu país.

    WireImage/Getty for TIFF
    "Essa exibição foi autorizada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Aproveite o espetáculo. Isso é tudo..."
    Depois do fracasso militar intervencionista dos EUA em territórios como o Iraque e Afeganistão, ele se voluntaria a invadir, ele mesmo, outros países, em uma turnê mundial em busca de exemplos para serem “confiscados” pela sua nação.

    Assim, Moore começa sua viagem pela Itália, país que, segundo ele tem uma das maiores expectativas de vida do mundo, e se espanta com os direitos que garantem oito semanas de férias para os trabalhadores locais, duas horas de almoço, licença-maternidade, e (pasme, Michael) um 13° salário.

    O cineasta explica para os italianos que, de acordo com a constituição ianque, os norte-americanos não têm direito a nem sequer um dia de folga semanal. Zero. Nada. Nadinha. (Bom, ele pelo menos informa que, a depender de um bom sindicato, não é bem assim). E recebe, como é de se esperar, uma reação incrédula do casal local que entrevista.

    Divulgação
    Cena do filme.
    No país europeu, o diretor visita duas fábricas (uma de motocicletas e outra têxtil) para ouvir também o "outro lado", ou seja, o dos patrões, e mostrar ao público que até eles concordam com as "facilidades trabalhistas". O argumento dos empregadores é que um funcionário feliz e livre de estresse adoece menos e é mais produtivo.

    A viagem segue pela França, onde mesmo a escola pública menos favorecida pelas verbas governamentais serve uma merenda digna de um chef de cozinha; Finlândia, e sua educação básica de ponta que aboliu o dever de casa; Alemanha, onde as montadoras (no caso, a Volkswagen) ouvem os funcionários antes de tomarem decisões importantes; até Portugal, que descriminalizou o uso de drogas entra para o roteiro; e a Tunísia, que permite às mulheres o direito de decidir se devem ou não interromper uma gravidez. E segue. (Leia o texto completo aqui).

    Para cada exemplo, ele aponta um anti-exemplo de seu país de origem. Dividida em sessões simultâneas em duas salas (isso que é prestigio), a plateia presente na sessão para imprensa e o mercado no TIFF (também) se dividiu. Enquanto um grupo ria do início ao fim, algumas pessoas sequer chegaram ao final da exibição. É o mínimo que se espera de Michael Morre, que, sim, está de volta. Para o bem ou para o mal.



    facebook Tweet
    Links relacionados
    Pela web
    Comentários
    Mostrar comentários
    Back to Top