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    Coletiva Billi Pig - Diretor, produtora e elenco
    Por Francisco Russo — 2 de mar. de 2012 às 15:15

    Selton Mello, Mílton Gonçalves, Preta Gil, José Eduardo Belmonte e Vania Catani falam sobre a comédia brasileira Billi Pig.

    Uma comédia que reúne fé, trambiques, tráfico de drogas, assombrações e ainda um porco falante. Este é Billi Pig, filme dirigido por José Eduardo Belmonte que conta com Selton Mello, Grazi Massafera, Milton Gonçalves, Preta Gil, Otávio Müller e Milhem Cortaz no elenco e que chega aos cinemas em 2 de março.

    O AdoroCinema participou de uma coletiva com o diretor José Eduardo Belmonte, a produtora Vania Catani e os atores Selton Mello, Mílton Gonçalves e Preta Gil. Logo abaixo você confere os principais destaques da conversa. Boa leitura.


    História

    Da idealização de Billi Pig até o filme pronto foram necessários três anos. José Eduardo Belmonte explicou como foi este processo. “A história surgiu no Festival do Rio 2008, quando lancei Se Nada Mais Der Certo. Era um filme independente e estava em um hotel maravilhoso, onde também estava hospedada a princesa da Jordânia. Achei a situação inusitada e começamos a criar em cima disto. A história foi se montando depois de um tempo. Já em Tiradentes encontrei a Vânia Catani e ela disse que queria produzir um filme meu. Disse que tinha uma ideia mas ainda não tinha o roteiro, pedi um mês que escreveria. Era um filme seguindo a ideia de O Palhaço, de ser mais popular e também mantendo um pouco a verve autoral. Uma coisa nem só comercial nem só filme independente, que passa em um circuito pequeno. A Vânia disse que estava com a mesma ideia e para seguirmos em frente.”

    Elenco

    A escolha do elenco foi uma das questões levantadas para o diretor. “Queria filmar com a Grazi antes de Se Nada Mais Der Certo, mas aconteceu dela não entrar. Selton é um namoro antigo, desde os curtas falamos em trabalhar juntos. O Mílton é a história mais engraçada, pois tinha um caderninho de adolescente onde estava escrito ‘quero filmar com o Mílton Gonçalves’. Já a Preta é uma cantora que gosto muito e que queria experimentar atuando, já que ela tem uma energia e carisma que seria boa para o filme. Na verdade são pessoas que estava a fim de trabalhar e calhou de juntarmos todos”, explicou Belmonte.

    Por que o Rio?

    Billi Pig é o primeiro filme da carreira de José Eduardo Belmonte a se passar no Rio de Janeiro. Perguntamos ao diretor o porquê de ter escolhido a cidade, após ter rodado em Brasília e São Paulo.“Queria fazer um filme muito brasileiro e ligado à chanchada, no estilo do Grande Otelo. Acho que pelo Rio ter sido capital durante muito tempo o Brasil é muito associado à cultura carioca. É a alegria, o samba, sol... as imagens do Brasil passam pelo Rio de Janeiro. Outro motivo é que minha família é carioca e, por uma incrível coincidência, filmei na rua em que meus pais tinham uma casa. É minha origem, de certa forma, esta cultura de subúrbio do Rio. Fui para Brasília porque era funcionário público, mas sempre vinha passar férias no Rio e queria filmar nesta cidade. Um porque a acho linda e outra por causa das minhas origens. O subúrbio está por causa disto também, porque de certa forma minha família vem toda de Marechal Hermes.”


    Improvisação

    José Eduardo Belmonte é conhecido no meio cinematográfico por dar espaço para que os atores improvisem bastante em cena. Selton Mello explicou: “É uma característica do Belmonte, não só neste filme como em seu jeito de trabalhar. Trabalhando com ele passei a enxergar de outra forma os outros filmes dele. Isso é muito bom, mas também assusta um pouco porque você fica improvisando tanto e falando tanta coisa louca que você se pergunta onde este filme vai parar e se vai dar liga. Porque deixa a câmera rodando e você vai falando coisas que vêm na sua cabeça. Algo que era interessante também era seguir o fluxo, que virou até bordão entre a gente”.

    Mílton Gonçalves também falou sobre o assunto. “Obviamente quando ele pede ‘esqueça o texto e invente’ isto é uma forma teatral de desconstruir e construir o personagem. Nos primeiros dias também tive um grande espanto, achei que fosse louco, mas já estava intuindo o que ele queria. Não sou rebelde com nenhum diretor ou ator que vou trabalhar. Para mim, de uma maneira muito disciplinada, quem manda no filme é o diretor e disse isto a ele. Então é ter absoluta confiança e respeito pelo diretor e tentar, na medida do possível, construir aquilo que me pede porque ele é quem tem o panorama total.”

    Selton Mello complementou, explicando melhor como era o método usado pelos atores durante as filmagens. “Nós somos muita coisa. Tem dia que você acorda radiante, cheio de energia para fazer um monte de coisa, e tem dia que você acorda um lixo, querendo ficar na cama. A gente não queria lutar contra isso. Se você chegasse lá assim, filme assim. Então é um personagem que fica com muitas caras, pois cada dia estava de um jeito e eu segui o fluxo. É um trabalho muito livre.”

    Apenas ator

    O Palhaço, dirigido por Selton Mello, foi um dos maiores sucessos de crítica e de público do cinema brasileiro em 2011. Agora apenas na função de ator, Selton respondeu sobre se não sentia uma certa vontade de palpitar quando é dirigido por outra pessoa. ”Quando você está ali atuando você está atuando e ponto. Você está servindo a um diretor, que tem uma maneira de trabalhar que não é necessariamente a sua maneira. Você inclusive está curtindo isto, pois quando dirige está pensando em muita coisa e quando apenas atua é uma moleza, vai embora mais cedo, decora seu texto, não precisa pensar em mais nada.”


    Elemento fantástico

    Billi Pig possui alguns elementos fantásticos, especialmente na figura do porco falante cujo nome dá título ao filme. Belmonte explicou o porquê da opção. “É um povo que tem muita fé. As pessoas convivem muito com algo que não está vendo, todo mundo sempre tem um tio ou uma prima que fala com alguém ou algo do tipo. Achava legal ter o elemento fantástico, porque é muito da cultura brasileira. É um porco, mas poderia ser um urso também. Pode ser uma viagem minha, mas a gente é muito criativo. Não só no subúrbio, onde você for, este diálogo com o imaginário é muito comum. Então achei que seria bom materializarmos isto de alguma forma.”

    Mílton Gonçalves concordou com o diretor e ainda ressaltou: “Não somos frios como os escandinavos. A gente não chuta despacho. Pode não ter fé, mas não chuta. Uma das coisas boas do filme é ultrapassar o racional sem ter vergonha disto.”

    Musical

    Em determinado momento da história há uma sequência típica de musicais americanos, estrelada por Grazi Massafera. “Sempre fui fã de musicais. Já que o filme homenageava o Grande Otelo acho que era importante também. A ideia surgiu numa feira, em Brasília, onde um cara me deu um CD. Ouvi esta música e achei a cara da Marivalda. Pensei em como colocar no filme, me veio a ideia do musical. A ideia nem estava no roteiro original, mas criei porque parecia que tinha sido escrito para o filme, era incrível”, disse o diretor José Eduardo Belmonte.

    Oscar alternativo

    Um detalhe que apenas os mais atentos conseguirão perceber: o Oscar exibido em Billi Pig tem uma leve alteração em relação ao original. “Nosso Oscar é com a mão para trás, para não sermos processados. Eu estava louca para ser processada pela Academia. Teria publicidade mundial, ia ficar famosa no mundo inteiro. Meu advogado disse que era algo perigosíssimo, que tínhamos que retirar, e respondi que ele é que não entendia nada de marketing. Quero mais é que eles me processem, será incrível se isto acontecer”, disse a produtora Vânia Catani.

    Overdose nas telonas

    Atualmente Selton Mello está com três filmes em circuito comercial: O Palhaço, ainda em cartaz em algumas capitais, Reis e Ratos e Billi Pig. “A culpa não é minha!”, interrompeu o ator antes mesmo da pergunta ser feita. “Reis e Ratos é de 2009, demorou para lançar e agora juntou tudo na mesma época. Péssimo isto!”, complementou. Perguntamos a Selton se não temia um desgaste na imagem, devido à presença em tantos filmes ao mesmo tempo. “Não é bom, o ideal é que fosse um em março e outro em setembro, para trabalhar com mais calma, mas a gente não tem controle sobre isto. Aconteceu de ser assim, mas está tudo certo. São trabalhos bem distintos, com pegadas diferentes”, disse o ator.

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