345 milhões de dólares, Tom Cruise, Russell Crowe e Johnny Depp: Este fiasco histórico aniquilou uma saga que pretendia competir com a Marvel
por Giovanni Rodrigues

Nem Cruise, nem Crowe, nem ninguém. Este ambicioso universo de monstros foi um desastre e nenhuma estrela de Hollywood conseguiu salvá-lo.

O sucesso da Marvel colocou na moda na indústria do cinema o conceito de universo compartilhado, o que levou todos os estúdios de Hollywood a quererem ter o seu próprio. Nenhum conseguiu rivalizar com o que inclui os super-heróis da empresa da Disney, mas há um caso especialmente memorável porque deu tremendamente errado: o Dark Universe (Universo Sombrio) da Universal.

O dia 22 de maio de 2017 estava destinado a ser um dia histórico na Universal. Foi então que ocorreu a apresentação mundial de A Múmia, um relançamento da mítica criatura com o protagonismo de Tom Cruise como atrativo principal para fisgar o público.

Universal Pictures

Fomos testemunhas do começo de um universo que durou apenas um filme

Essa data foi também quando a produtora anunciou oficialmente para todo o mundo o ambicioso projeto que tinha em mãos. Com uma foto das grandes estrelas que havia contratado e estas palavras: "Seja testemunha do começo de um Universo Sombrio". Praticamente, essa foi a última vez que voltaram a falar dele.

Tudo começou a dar errado em 9 de junho, data de estreia do filme nos cinemas, dirigido por Alex Kurtzman. O seu lançamento foi um fracasso apesar de tudo, e acabou com uma bilheteria decepcionante, principalmente pelo seu resultado discreto nos Estados Unidos. Aquele trailer divulgado sem a mixagem de som finalizada não ajudou muito, nem o fato de a maioria das críticas terem sido bastante negativas, mas o público também não saiu entusiasmado desta versão liderada por Cruise.

Marco Grob/Universal

A Universal havia investido a impressionante quantia de 345 milhões de dólares entre custos de produção e despesas de marketing, estimando-se perdas para o estúdio na casa de 60 a 100 milhões de dólares.

A questão é que, como mostrava a imagem promocional, a Universal já havia anunciado em grande estilo a continuidade do Dark Universe além de A Múmia. A aventura seguinte deveria ser uma nova versão de A Noiva de Frankenstein, dirigida por Bill Condon e com Javier Bardem no papel do lendário monstro de Frankenstein. Depois, seria a vez de uma atualização de O Homem Invisível, protagonizada por Johnny Depp.

O plano era lançar o remake de A Noiva de Frankenstein em 2019 e queriam contar também com Angelina Jolie para acompanhar Bardem à frente do elenco, mas a Universal perdeu rapidamente o interesse no Dark Universe após o tropeço de A Múmia. Alguns meses depois, em novembro de 2017, Kurtzman e Chris Morgan abandonaram o Dark Universe, sendo que, até então, eles eram os principais responsáveis pelo seu desenvolvimento.

Universal Pictures

A Universal mudou de estratégia

Este fiasco levou a Universal a repensar totalmente a estratégia com seus monstros, deixando de lado a ideia de um universo compartilhado com filmes conectados entre si para apostar em produções independentes com orçamentos mais modestos. Dessa forma, o filme de O Homem Invisível, que deveria ser protagonizado por Depp, passou a ser uma produção da Blumhouse encabeçada por Elisabeth Moss.

O Homem Invisível
O Homem Invisível
Data de lançamento 27 de fevereiro de 2020 | 2h 05min
Criador(es): Leigh Whannell
Com Elisabeth Moss, Oliver Jackson-Cohen, Harriet Dyer
Imprensa
3,6
Usuários
3,9
Adorocinema
3,0
Assistir em streaming

A cifra de 143 milhões de dólares arrecadados nas bilheterias por essa nova versão de O Homem Invisível liderada por Moss pode parecer pouco se comparada aos 410 milhões que A Múmia fez, mas, claro, eles não custaram a mesma coisa: o longa dirigido por Leigh Whannell custou apenas 7 milhões de dólares, então foi um triunfo para os seus realizadores.

Muito mais rentável que o de Cruise, e olha que sua trajetória nos cinemas foi diretamente afetada pela pandemia do coronavírus. De qualquer forma, esse remake também não gerou mais sequências, mas com certeza animou a Universal a seguir por esse caminho e há pouco tempo vimos Maldição da Múmia.

Finalmente, A Múmia lançada em 2017 é a única prova desse Dark Universe que estava destinado a revolucionar Hollywood e que a única coisa que conseguiu foi prejudicar a receita da Universal, além de questionar a visão dos responsáveis que planejavam essa saga. Se bateu a curiosidade, você tem a oportunidade de rever o filme no streaming através da Universal+ ou Netflix para comprovar a sucessão de erros que acabou condenando-o.

Universal Pictures

A Múmia de Tom Cruise, um desastre em todos os sentidos

Em primeiro lugar, a escalação de Tom Cruise foi um erro total por parte da Universal, já que seu personagem foi claramente pensado para um ator mais jovem, algo que fica evidente em vários momentos de A Múmia. O filme acaba se tornando um espetáculo convencional desenhado para destacar Cruise, desperdiçando completamente o monstro e o lado mais aterrorizante da sua história, para dar lugar a um monótono filme de ação com personagens que importam muito pouco ao espectador.

Uma coisa é dar uma abordagem diferente à múmia, algo que Stephen Sommers já havia feito em 1999 com um ótimo filme estrelado por Brendan Fraser. Também mais próximo das aventuras de Indiana Jones do que do terror, é verdade, mas era um projeto mais redondo e coerente: é preciso saber o que você busca e como fazer isso da melhor forma possível. No caso em questão, parecia haver mais preocupação em estabelecer as bases de um universo futuro do que em tentar fazer um bom entretenimento que funcionasse por si só. E deu no que deu.

A Múmia
A Múmia
Data de lançamento 8 de junho de 2017 | 1h 51min
Criador(es): Alex Kurtzman
Com Tom Cruise, Sofia Boutella, Annabelle Wallis
Imprensa
2,0
Usuários
3,2
Adorocinema
3,0
Assistir em streaming

Até mesmo o principal responsável pelo filme, Alex Kurtzman, já falou sobre a experiência como algo doloroso. Por sorte, a Universal soube corrigir a rota e apostar em outra abordagem mais rentável para os seus míticos monstros de terror, e continuaremos vendo-os nos cinemas. Reconhecer o erro é sinal de sabedoria.

Giovanni Rodrigues
Giovanni Rodrigues
-Redator
Já quis ser X-Men, caça-vampiros e paleontólogo, mas me encontrei no jornalismo. Como todo bom crítico cultural e aficionado por cultura pop, busco saber um pouco de tudo e muito sobre o que quase ninguém liga.
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