Alan Rickman nos deixou cedo demais. Falecido há 10 anos, o ator ficou mundialmente conhecido por interpretar Snape na franquia Harry Potter, mas teve muitos outros papéis em sua carreira. Neste momento, um dos personagens icônicos, tem voltado aos holofotes a partir de um vídeo do próprio ator, no qual revela como conseguiu entrar para o elenco de Duro de Matar.
No registro, ele confessa que quase recusou o trabalho e a resistência foi tamanha que o produtor Joel Silver o mandou embora por querer mudar seu personagem. A história é curiosa, pois demonstra como as coisas são tão voláteis quanto intensas em Hollywood.
Um ator de teatro que não queria atirar em pessoas
20th Century Fox
Vale a pena lembrar de onde ele veio. Rickman havia construído uma reputação no teatro, com a Royal Shakespeare Company e na Broadway, mas nunca havia trabalhado em um filme. No vídeo, ele conta como chegou a Los Angeles sem saber nada sobre a cidade ou a indústria cinematográfica, "mas era extremamente barato". Dois dias depois, recebeu a proposta para Duro de Matar. Ao ler o roteiro, sua reação foi tudo menos entusiasmada: "Que diabos é isso? Eu não vou fazer um filme de ação."
Foram seus agentes que o dissuadiram. "Alan, você não entende, isso quase nunca acontece", insistiram. O que finalmente o convenceu foi o próprio roteiro, engenhoso e com um detalhe que lhe chamou a atenção. Segundo Rickman, todos os personagens negros do filme são positivos e muito inteligentes, algo "bastante revolucionário, e de uma forma muito sutil". Pense no Sargento Al Powell, no motorista Argyle ou em Theo, o gênio da informática da gangue de ladrões liderada por seu personagem, e você verá que ele estava certo
Um bilhete, um terno e um "vá para o inferno"
20th Century Fox
No primeiro roteiro, Gruber apareceria com o típico uniforme de terrorista, incluindo coletes. Rickman deixou um bilhete na mesa de Joel Silver com uma pergunta simples: por que um cara que tem um bando de capangas para fazer o trabalho sujo se vestiria daquele jeito? Segundo o ator, Hans deveria usar terno, e assim, em sua versão, poderia haver uma cena em que ele fingia ser um refém com sotaque americano. Consegue imaginar Hans Gruber vestido de comando? A resposta de Silver foi: "Que se dane, você vai usar o que mandarem ", e Rickman, bem britânico, simplesmente pensou: "Tá bom, então".
Mas é claro que, se você viu o filme, sabe que as coisas não terminaram aí. Rickman voltou para a Inglaterra e, ao retornar, recebeu um novo roteiro com suas alterações. "Às vezes, vale a pena usar um pouco da sua experiência no teatro quando você está fazendo um filme", resume ele no vídeo. Foi assim que Gruber, vestido de terno e se passando por mais um executivo da Nakatomi, surgiu. Foi nesse ponto que ele cruzou o caminho de McClane e criou Bill Clay, um refém aterrorizado com sotaque americano.
O Duro de Matar de Jason Statham: Como o filme de ação do astro homenageia clássico de Bruce Willis?O roteirista Steven E. de Souza diz que a ideia surgiu depois de ouvir Rickman imitar um sotaque californiano durante um intervalo. O imenso talento de Rickman permitiu que ele se safasse com a ideia.
O vilão que se infiltrou no filme dos McClane
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Essa história mostra como se criam vilões memoráveis que fogem do óbvio. Duro de Matar pertence a John McClane e sempre pertencerá, mas o que torna Hans Gruber um grande antagonista não é apenas o papel interessante, mas a inteligência de um ator que não queria o papel, mas mesmo assim o levou muito a sério.
Desde então, filmes e videogames copiaram o modelo de Hans inúmeras vezes, com vilões elegantes e cultos. Poucos chegaram perto dele. O grande Rickman nos deixou em 2016, e agora a Nakatomi Plaza é tão dele quanto de Willis.