Alguns nomes estão tão ligados a Hollywood que provavelmente permanecerão assim para sempre. É o caso de Kirk Douglas, que nasceu em 1916, conquistou rapidamente seu espaço no cinema e continuou trabalhando até uma idade avançada. Mas não foi apenas o ator, que morreu em 2020, que se tornou uma lenda: seu filho, Michael Douglas, também alcançou esse status.
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Quando o jovem Kirk nasceu, em 9 de dezembro de 1916, os filmes falados ainda nem sequer haviam chegado aos cinemas. Naquela época, portanto, ninguém poderia imaginar que um dia ele se tornaria uma estrela de Hollywood. Seu primeiro contato com a atuação, como aconteceu com tantos outros atores de cinema, foi por meio do teatro: uma bolsa de estudos na American Academy of Dramatic Arts acabou levando-o à Broadway.
Seu primeiro papel no cinema veio graças a Lauren Bacall
Mas trabalhar no teatro não significa necessariamente conseguir espaço no cinema. O salto para Hollywood do futuro astro de Spartacus aconteceu graças à sua antiga colega de estudos Lauren Bacall, que também construiu uma carreira de destaque na indústria e se tornou uma das grandes divas de Hollywood, especialmente ao lado de Humphrey Bogart em filmes como Uma Aventura na Martinica (1944) e À Beira do Abismo (1946).
Foi Bacall quem recomendou Douglas ao produtor Hal B. Wallis, que havia participado da produção do clássico Casablanca (1942). A indicação ajudou o ator a conquistar seu primeiro papel no cinema, em O Tempo Não Apaga (1946), trabalho com o qual chamou a atenção da crítica.
A partir do fim dos anos 1940, Kirk Douglas conquistou Hollywood
Nos anos seguintes, ele passou a aparecer regularmente nas telas e recebeu sua primeira indicação ao Oscar por O Invencível (1949). Embora no início da carreira interpretasse vilões com frequência, sua imagem começou a mudar a partir dos anos 1950, quando passou a assumir papéis de heróis ousados.
Seja como o marinheiro e mestre arpoador Ned Land na adaptação literária 20.000 Léguas Submarinas (1954), seja como o herói grego Ulisses em Ulisses (1954), Kirk Douglas interpretou o protagonista em 12 produções no espaço de apenas cinco anos.
Mas seu papel mais importante e conhecido provavelmente veio no épico Spartacus (1960), de Stanley Kubrick. Douglas não apenas interpretou o personagem-título, o gladiador e escravizado Spartacus, como também atuou como produtor do longa.
Kirk Douglas ajudou o filho a conquistar o primeiro Oscar
No início dos anos 1960, Kirk Douglas adquiriu os direitos cinematográficos do romance Um Estranho no Ninho, de Ken Kesey, que seria adaptado para o cinema em 1975 e se tornaria um dos grandes clássicos da história.
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Inicialmente, Douglas queria interpretar o rebelde McMurphy, papel que acabaria ficando com Jack Nicholson. Afinal, ele já havia vivido o personagem em uma adaptação teatral apresentada na Broadway em 1963. Quando o filme finalmente saiu do papel, porém, o ator já era considerado velho demais para o papel.
Kirk Douglas acabou cedendo os direitos cinematográficos ao filho Michael, que transformou Um Estranho no Ninho em um enorme sucesso. Depois de Aconteceu Naquela Noite (1934), de Frank Capra, a tragicomédia tornou-se apenas o segundo filme da história a conquistar o chamado "Big Five" do Oscar: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator e Melhor Atriz. Com isso, Michael Douglas pôde colocar seu primeiro Oscar na estante em 1976.
Ao contrário do pai, Michael Douglas venceu o Oscar duas vezes
Com isso, Michael Douglas, hoje com 81 anos, já havia superado o pai nesse quesito antes mesmo de alcançar seu grande sucesso como ator com Tudo por uma Esmeralda (1984) e Wall Street – Poder e Cobiça (1987), que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator. Kirk Douglas, por sua vez, recebeu três indicações ao Oscar por suas atuações — por O Invencível, Assim Estava Escrito e Sede de Viver —, mas nunca venceu em uma categoria competitiva.
Ainda assim, seu lugar entre as lendas de Hollywood estava garantido. Em 1960, ele ganhou uma estrela na Calçada da Fama e, em 1996, recebeu um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra. Quando Kirk Douglas morreu, em 5 de fevereiro de 2020, aos impressionantes 103 anos, deixou como legado uma filmografia de mais de 90 filmes.