Com A Odisseia, a colossal adaptação do poema de Homero, Elliot Page se reuniu com Christopher Nolan 16 anos depois do aclamado A Origem em um elenco cheio de estrelas interpretando Sinon, um soldado grego na Guerra de Troia. Não apenas o filme foi um sucesso de crítica, mas também um hit em bilheteria, marcando um ponto alto na carreira do diretor que ganhou, há apenas dois anos, um Oscar por Oppenheimer.
A questão aqui é que, apesar desse sucesso estrondoso, Elliot Page revela que as ofertas de papéis não estão exatamente chovendo para ele. Ao contrário: o ator, que anunciou publicamente sua transição de gênero em 2020 e se tornou a primeira pessoa trans a estampar a capa da revista TIME, em 2021, destaca uma realidade para artistas transgêneros que lutam para encontrar seu espaço na indústria de Hollywood.
Transição de gênero de Elliot Page dificultou trabalhos no cinema
“Eu era visto de uma certa maneira antes, e agora é diferente (...) Está um pouco complicado para mim encontrar um papel agora", explicou no podcast On Film...With Kevin McCarthy, antes de acrescentar, de forma sarcástica: “Acho que provavelmente se deve a razões bastante óbvias, como... minha origem canadense”.
Universal Pictures
No início dessa mesma entrevista, inclusive, Elliot Page – que atuou em filmes como Juno, Hard Candy e na franquia X-Men – explicou que, apesar dos percalços profissionais, se sente muito mais confortável com seu corpo agora: “Não preciso mais me preocupar [com meu corpo]. Sinto que posso dar o meu melhor porque estou muito mais relaxado e amo o que faço”, disse.
Antes da participação em A Odisseia, a última aparição de Elliot Page nas telas foi em 2024, na série de sucesso da Netflix The Umbrella Academy, que adaptou (de forma bem inteligente, diga-se de passagem) a transição de gênero do ator. Atualmente, no entando, não há informações sobre nenhum projeto oficial para ele.
Uma comunidade sub-representada
A decisão de Christopher Nolan de escalar Elliot Page como um soldado em A Odisseia continua sendo extremamente rara e merece ser destacada. Com algumas exceções, como Hunter Schafer (Euphoria) e Laverne Cox (Orange Is the New Black), é mais difícil para pessoas transgênero conseguirem papéis na tela, especialmente com tanto destaque quanto os citados aqui.
Mesmo entre os personagens LGBTQIAP+, a comunidade transgênero permanece sub-representada, como destacado pela GLAAD — grupo de defesa da representatividade queer na mídia — em seu relatório anual de outubro de 2025. Na televisão, dos 489 personagens LGBT identificados em um ano, apenas 33 são transgêneros, o que corresponde a apenas 7%). Apesar de representar um aumento em relação ao ano anterior (5%), o número é baixo e ainda há muito o que se evoluir em termos de representatividade.
Já assistiu a A Odisseia? O filme de Christopher Nolan ainda está em cartaz nos cinemas.