Poucos filmes conseguiram transformar um clássico da literatura em um espetáculo tão grandioso quanto Frankenstein de Mary Shelley. Depois de Francis Ford Coppola levar Drácula de Bram Stoker aos cinemas e não apenas conquistar um enorme sucesso de bilheteria, mas também três Oscars, apenas dois anos depois chegava às telas outra adaptação operística de um dos maiores clássicos da literatura mundial: Frankenstein de Mary Shelley, dirigido e estrelado pelo vencedor do Oscar Kenneth Branagh.
Embora o filme também tenha apresentado um bom desempenho nas bilheterias, a recepção da crítica foi consideravelmente mais morna quando comparada à do épico vampiresco de Coppola. Na Academia, o resultado também ficou aquém do esperado: em vez de uma estatueta, a produção recebeu apenas uma indicação ao Oscar, na categoria de Melhor Maquiagem — uma nomeação bastante merecida.
Se Drácula de Bram Stoker pode ser considerado o filme mais virtuoso e sensual dos dois, o Frankenstein de Branagh ainda merece ser descoberto, principalmente por sua grandiosidade visual. Se você ainda não conhece essa mistura de terror gótico, ficção científica, drama e filme de época, pode assistir ao longa por meio de compra ou aluguel no Amazon Prime Video.
A história de Frankenstein de Mary Shelley
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No século XVIII, Victor Frankenstein (Kenneth Branagh) é obcecado pela ideia de criar vida artificial. Após a morte de sua mãe, ele deixa sua cidade natal, Genebra, e parte para Ingolstadt, onde começa a estudar medicina. Entre as aulas, são especialmente as de professor Waldman (John Cleese) que despertam seu interesse.
Mas Frankenstein não quer apenas discutir teorias: ele quer colocá-las em prática. É assim que começa a reunir partes de cadáveres no cemitério local para realizar seu experimento. E ele consegue! Frankenstein finalmente dá vida a uma criatura (Robert De Niro).
No entanto, ao olhar para sua criação pela primeira vez, o cientista é tomado pelo horror diante daquilo que acabou de produzir. Na manhã seguinte, a criatura desapareceu. Frankenstein espera que ela tenha sido vítima da epidemia de cólera que assola a região, mas logo descobre que sua criação está viva — e procurando por seu criador.
Um espetáculo visual de primeira
Até então conhecido principalmente por suas adaptações de obras de Shakespeare, Kenneth Branagh queria fazer de Frankenstein uma versão o mais fiel possível ao romance de Mary Shelley. A proposta se diferenciava de muitas adaptações anteriores, que costumavam deixar Victor Frankenstein em segundo plano para concentrar a atenção na criatura.
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Como ator, Branagh consegue transmitir de maneira convincente a obsessão doentia e a arrogância de um personagem tomado pelo chamado complexo de Deus. Embora, em alguns momentos, ele abuse das cenas sem camisa, há até uma curiosa sintonia entre a vaidade narcisista do ator e a de seu personagem. A verdadeira força do filme, porém, está em sua direção de arte e em uma produção visual cuidadosamente construída em todos os detalhes.
Seja Genebra, cercada pelas majestosas paisagens dos Alpes; Ingolstadt, febril e marcada pela doença; ou a silenciosa e ameaçadora paisagem congelada do Ártico, cada imagem, cenário e objeto de cena foi elaborado com uma atenção aos detalhes quase extravagante. O resultado é um espetáculo cinematográfico impressionante. Os cerca de 45 milhões de dólares investidos na produção, afinal, parecem ter sido muito bem aproveitados.
O problema é que, na segunda metade, o filme começa a perder um pouco o rumo. O que inicialmente se apresenta como um retrato complexo dos personagens, inserido em um contexto cultural, social e histórico bem definido, transforma-se aos poucos em uma adaptação apressada e episódica do romance — justamente quando também começa a se afastar mais do material original. Por isso, a experiência acaba sendo um tanto fragmentada e irregular. Mas as imagens... essas permanecem na memória!