Está no streaming: Esse é um dos thrillers sobre assassinos em série mais visualmente impressionantes de todos os tempos
por Iris Dias

Antes de Leonardo DiCaprio entrar na mente de outras pessoas para aplicar um golpe em A Origem, Jennifer Lopez fez exatamente isso em A Cela!

É fácil esquecer que Jennifer Lopez é muito mais do que assunto para a imprensa de celebridades, estrela da música pop e protagonista de comédias românticas. Ao longo da carreira, Lopez também entregou alguns de seus trabalhos mais marcantes no cinema de suspense, transitando entre a tensão mais sutil de Irresistível Paixão e produções de suspense psicológico mais intensas.

Em um thriller único, a atriz conseguiu unir suas qualidades dramáticas ao magnetismo que sempre a transformou em um ícone de estilo, tudo isso dentro de uma visão cinematográfica visualmente impressionante e capaz de provocar verdadeiro desconforto.

É justamente o caso de A Cela, thriller psicológico sobre um serial killer que também incorpora elementos de terror e ficção científica. Na produção, Lopez interpreta uma psicóloga que utiliza uma técnica experimental para mergulhar na mente perturbada de um assassino. De certa forma, o filme antecipou em uma década a viagem de Leonardo DiCaprio pela arquitetura de uma mente em A Origem. Subestimado e extremamente estiloso, A Cela está disponível para compra ou aluguel no Prime Video.

Um mergulho perturbador na mente de um serial killer

O serial killer Carl Stargher (Vincent D'Onofrio) escolhe jovens mulheres como vítimas. Primeiro, ele as tortura brutalmente e, depois, as mata. Quando o agente do FBI Peter Novak (Vince Vaughn) consegue localizá-lo, fica claro qual é a prioridade: descobrir onde Stargher mantém sua mais recente vítima.

No entanto, o assassino entra em coma antes que os agentes consigam obter essa informação. O tempo começa a correr contra eles: se a jovem não for encontrada nas próximas 40 horas, ela morrerá afogada em um dispositivo criado pelo próprio sequestrador.

Sem outra alternativa, o FBI recorre à psicóloga Catherine Deane (Jennifer Lopez), que consegue entrar no subconsciente de pacientes em coma por meio de uma técnica experimental. O problema é que não há nada simples ou seguro em mergulhar na mente brutal de Stargher.

Prime Video

Tanto em A Cela quanto em trabalhos posteriores, como Dublê de Anjo, o antigo diretor de videoclipes e comerciais Tarsem Singh se destaca por criar verdadeiras explosões visuais, nas quais elementos surreais e figurinos extravagantes se encontram. Além disso, Singh é um cineasta que valoriza a atmosfera e o fluxo de sua estética visual e sonora mais do que uma narrativa linear e facilmente compreensível.

Os figurinos transformam a mente de um serial killer em um pesadelo visual

A Cela mostra o diretor em um de seus melhores momentos. Singh constrói um confronto hipnótico entre a violência perversa à qual Stargher se entrega e o universo onírico que Deane explora. Enquanto a realidade do filme é fria e rígida, os mundos mentais são formados por fantasias exuberantes, inspiradas em diferentes períodos da pintura, da arquitetura e da moda. O resultado é um pesadelo ao mesmo tempo fascinante e desconfortável, situado em algum lugar entre o encantamento e a perturbação.

A maquiagem excêntrica responsável por dar vida às criaturas sombrias de A Cela rendeu ao filme uma indicação ao Oscar, enquanto o design de produção encontrou um equilíbrio memorável entre o caos estético e uma excentricidade cuidadosamente construída.

Ainda assim, são os figurinos que se destacam como o elemento artístico mais marcante da produção: eles não servem apenas como espetáculo visual, mas também desempenham um papel fundamental na narrativa.

Prime Video

Enquanto April Napier, ex-estilista da banda Nine Inch Nails, desenvolveu a realidade funcional e quase padronizada na qual a personagem de Lopez vive — cenário do qual ela se destaca discretamente por meio de pequenas notas de cor —, Eiko Ishioka, responsável pelos figurinos de Drácula de Bram Stoker, criou a moda presente dentro da mente do assassino. Ali, Deane chama inicialmente a atenção justamente por estar vestida de maneira relativamente discreta, com roupas de cortes sóbrios e tons agradáveis e pouco chamativos.

Aos poucos, porém, ela passa a se submeter às leis extravagantes que regem a mente de seu perigoso paciente. Suas roupas ficam cada vez mais luxuosas, irreais e chamativas. Quando Stargher parece levar vantagem no confronto entre o bem e o mal, Deane fica presa em figurinos rígidos, que quase parecem sufocá-la. Quando consegue assumir o controle, passa a usar roupas elegantes e imponentes ou até mesmo tecidos mais provocantes.

Lopez consegue manter tudo isso em equilíbrio não apenas porque sabe exatamente quando deixar sua aura de modelo aparecer e quando deixá-la de lado, mas também porque estabelece uma relação de mão dupla com os figurinos extraordinários.

Os designs de Napier e Ishioka assumem parte importante da narrativa de Singh e também ajudam a construir a personagem de Lopez. A atriz, porém, não se limita a vestir as roupas: ela lhes dá vida e personalidade, transformando os figurinos em verdadeiros parceiros de cena.

A Cela
A Cela
Data de lançamento 8 de junho de 2022 | 1h 47min
Criador(es): Tarsem Singh
Com Jennifer Lopez, Vincent D'Onofrio, Vince Vaughn
Usuários
3,4
alugar ou comprar

E há ainda outro mérito que não pode ser ignorado: é preciso muito talento para não desaparecer ou parecer deslocada em meio a uma explosão quase delirante de referências artísticas, que mistura diferentes períodos da história da arte, simbolismos religiosos, elementos ligados à aristocracia e exageros de inspiração operística. Lopez encontra exatamente o delicado equilíbrio deixado por Singh para que sua atuação esteja à altura de uma visão tão teatral e extravagante.

Iris Dias
Amante dos filmes de fantasia e da Beyonce. Está sempre disposta a trocar tudo por uma sitcom ou uma maratona de Game Of Thrones.
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