Em 2007, Ridley Scott nos presenteava com uma verdadeira joia do cinema policial, estrelada por um Denzel Washington no auge de sua arte: O Gângster! A história nos leva a Nova York, no início dos anos 70. À sombra do poderoso Bumpy Johnson, o padrinho negro do Harlem de quem foi motorista, guarda-costas e homem de confiança por muito tempo, Frank Lucas aprendeu a observar, esperar e sobreviver.
Denzel Washington, o padrinho do submundo do crime em O Gângster
Com a morte de seu mentor, vítima de um ataque cardíaco, Lucas se impõe sem alarde, mas com controle absoluto. Discreto, metódico e terrivelmente organizado, ele assume o comando e impõe sua marca: rigor, sangue-frio e um senso de negócios implacável. O criminoso apoia-se em seu círculo familiar, blinda as pessoas ao seu redor e cultiva uma invisibilidade total tanto para a polícia quanto para a máfia italiana.
No mais absoluto segredo, Lucas estabelece um sistema inédito. Graças a cumplicidades no coração do conflito do Vietnã, ele organiza uma ponte aérea massiva e introduz nos Estados Unidos quantidades industriais de heroína com uma pureza excepcional. Em Nova York, ele inunda as ruas com preços imbatíveis, construindo silenciosamente um império criminoso fora de série.
Mas enquanto sua fortuna explode nas sombras, o inspetor Richie Roberts (Russell Crowe), do NYPD, segue pacientemente a pista de um tráfico de um tipo totalmente novo. Obstinado e igualmente metódico, ele acaba identificando o homem que ninguém vê: Frank Lucas. Inicia-se então uma caçada silenciosa, tensa e quase espelhada, entre dois solitários que tudo opõe e que tudo acabará aproximando.
Universal Pictures
Gênese do projeto
Na origem de O Gângster, está um artigo de Mark Jacobson, publicado em 14 de agosto de 2000 na revista New York, intitulado The Return of Superfly. O jornalista relata ali suas entrevistas com Frank Lucas, ex-traficante de heroína que se tornou uma figura carismática da comunidade negra nova-iorquina. Este último relembrava sua trajetória criminosa.
Essas conversas foram facilitadas por Nicholas Pileggi, roteirista de Os Bons Companheiros e Cassino. O título faz referência a Super Fly, filme emblemático do movimento Blaxploitation, popularizado pela música de Curtis Mayfield, e cujo personagem principal teria sido parcialmente inspirado no próprio Frank Lucas. Assim que o artigo foi publicado, a Universal comprou os direitos, mas o projeto permaneceu engavetado por vários anos, até que Ridley Scott foi escolhido para levá-lo às telas com brilhantismo.
Para entender melhor o verdadeiro Frank Lucas e enriquecer sua interpretação na tela, Denzel Washington foi ao seu encontro e gravou as conversas deles. O ator relembra essa imersão: "Não tentei imitá-lo, mas sim extrair o seu charme, que é o traço dominante de sua personalidade. Só pedi que ele não me dissesse nada que pudesse me obrigar a testemunhar contra ele!".
Ao longo dessas conversas, Washington também reuniu muitas informações sobre as redes de tráfico de drogas da época, principalmente a de Lucas. No entanto, ele esclarece sua abordagem: "Meu objetivo obviamente não era glorificar seu passado como traficante, mas tentar ilustrar seu desejo de redenção".