Este ano de 2026 marca os 15 anos desde que a saga cinematográfica de Harry Potter chegou ao fim, mas os fãs do bruxo mais famoso do mundo continuam atentos ao futuro lançamento da série que a HBO está preparando.
Ao longo dos 10 anos de duração da franquia nos cinemas, muitos se apaixonaram pelas adaptações da obra de J.K. Rowling e, embora não haja um consenso sobre qual é o melhor, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, o terceiro filme da saga de fantasia, é também um dos grandes favoritos dos fãs. Com uma arrecadação de quase 800 milhões de dólares, o longa-metragem foi a segunda maior bilheteria de 2004, atrás apenas de Shrek 2. Ainda assim, ocupa o último lugar em faturamento entre todos os filmes da franquia, que chegou a arrecadar mais de 7,7 bilhões de dólares no total.
A mudança de tom que a franquia precisava
Indicado a dois prêmios Oscar e profundamente elogiado pelo público e pela crítica — ostentando uma média de 90% no portal Rotten Tomatoes —, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban foi dirigido pelo oscarizado diretor mexicano Alfonso Cuarón (Gravidade), que substituiu Chris Columbus, diretor dos dois primeiros filmes. Cuarón, que três anos antes havia dirigido E Sua Mãe Também, surpreendeu na função, e sua chegada foi acompanhada por uma mudança no tom e no estilo que caiu como uma luva para a evolução natural da saga.
O produtor de Harry Potter, David Heyman, tinha visto o trabalho anterior de Cuarón e adorado, por isso pensou que ele seria perfeito para assumir a missão de liderar essa nova fase. Afinal, não era uma nova etapa apenas para o filme, mas também para os personagens, que estavam deixando de ser crianças.
Warner Bros.
"E Sua Mãe Também falava sobre os últimos momentos da transição para a adolescência, e Azkaban tratava dos primeiros momentos da adolescência… Senti que ele poderia fazer a saga parecer, de certa forma, mais contemporânea e simplesmente trazer sua magia cinematográfica", conta Heyman à TotalFilm em um artigo que comemora o aniversário de 20 anos do longa.
No entanto, enquanto Heyman tinha perfeitamente claro em sua mente que a contratação de Cuarón fazia todo o sentido do mundo, o diretor encarou a situação de outra forma: ele estava completamente desconectado do universo de Harry Potter e não entendeu por que estavam interessados em contratá-lo.
O "puxão de orelha" de Guillermo del Toro em Alfonso Cuarón
"Para mim era confuso, porque estava totalmente fora do meu radar", relembra Cuarón. Contudo, ele teve o acerto de comentar o assunto com seu amigo e colega Guillermo del Toro, que o trouxe de volta à realidade de forma bastante categórica:
"Converso frequentemente com o Guillermo [del Toro] e, dois dias depois, disse a ele: 'Sabe, me ofereceram esse filme do Harry Potter, mas é muito estranho eles me oferecerem isso'. 'Espera, espera, espera, você está dizendo que não leu Harry Potter?'. Eu disse: 'Acho que não é para mim'. Em um linguajar muito floreado, em espanhol, ele me disse: 'Você é um imbecil arrogante'".
A mudança de Columbus para Cuarón funcionou de forma mágica, embora o mexicano não tenha retornado para o quarto filme, projeto para o qual o estúdio contratou Mike Newell, que também dirigiria apenas uma produção. Posteriormente, David Yates encerrou a franquia assumindo o comando dos quatro últimos capítulos.