Os Minions já ensinam o valor da amizade e da lealdade há quase duas décadas. Eles fizeram sua estreia em Meu Malvado Favorito, lançado em 2010, e conquistaram o público com seu humor e carisma, a ponto de ganharem uma franquia própria. Agora, a terceira aventura, Minions & Monstros, chegou aos cinemas em 1º de julho e voltou às origens da amizade entre os famosos seres amarelos.
Em entrevista ao portal espanhol SensaCine, o diretor Pierre Coffin — criador da franquia e responsável por dar voz aos Minions desde o primeiro filme — explicou que a ideia nasceu ao perceber que muitas amizades duradouras começam na infância. Para ele, os Minions são, essencialmente, crianças. Além disso, o produtor Chris Meledandri apresentou uma proposta que convenceu Coffin a retornar ao universo da franquia.
Uma nova tribo de Minions e uma homenagem ao cinema
Illumination
Diferentemente dos filmes anteriores, Minions & Monstros acompanha uma tribo diferente daquela que servia Gru. Liderado por James, Henry e Ed, o grupo tem uma personalidade mais artística e passa os dias desenhando e pintando. Tudo muda quando eles acabam, por acaso, em um set de filmagem na Hollywood dos anos 1920. Fascinados pela magia do cinema, decidem produzir seu próprio filme.
Segundo Coffin, a ideia surgiu após uma conversa com Chris Meledandri: "Ele me ligou e disse: 'Sei que você talvez não queira fazer outro filme dos Minions, mas tive uma ideia e queria saber o que acha'. A proposta era sobre um Minion que sonhava em fazer um filme de monstros", contou. Na história, o monstro acaba fugindo do controle e ameaça destruir tudo, obrigando os próprios Minions a resolverem o caos que criaram. Foi então que Coffin percebeu que poderia ir além.
Pensei: 'Adoro a ideia de um Minion fazendo um filme. O que posso acrescentar para me empolgar a passar mais três anos trabalhando com essas pequenas criaturas?'. Foi aí que decidi contar a história de outra tribo de Minions, liderada por um jovem extremamente criativo chamado James.
Hollywood dos anos 1920 deu liberdade criativa ao diretor
A ambientação foi outro fator que convenceu Coffin a voltar para a franquia. Ele afirma que sempre quis fazer um filme de época e viu na Hollywood dos anos 1920 uma oportunidade perfeita para explorar referências históricas.
O diretor também comentou que o filme está repleto de referências à história do cinema. Segundo ele, esse foi justamente o diferencial que o permitiu convencer toda a equipe de animação a embarcar em mais um projeto da franquia:
"Eu dizia para todos: 'Não estamos fazendo apenas mais um filme dos Minions. Estamos fazendo um filme de época, um filme dos Minions feito pelos próprios Minions, cheio de piscadelas para o público'." Essa liberdade criativa permitiu, inclusive, algumas licenças históricas: "Não é totalmente fiel aos acontecimentos reais, mas a culpa não é minha. Afinal, o filme foi feito pelos Minions", brincou.
Illumination
Pierre Coffin jamais imaginou o sucesso da franquia
Questionado sobre o fenômeno que a saga se tornou desde Meu Malvado Favorito, Coffin admitiu que nunca esperava uma carreira tão longa para os personagens: "Nem de longe. Enquanto fazíamos o primeiro filme, achávamos que seria o único. Quando terminamos, comecei até a procurar outro emprego."
Segundo ele, chegou a cogitar trabalhar em uma adaptação de Asterix, até ser chamado para desenvolver a sequência: "Jamais imaginamos que os Minions teriam vida própria, muito menos que ganhariam uma franquia exclusiva."
E falando de exclusividade, Coffin também revelou como cria a famosa linguagem dos personagens. Ao contrário do que muitos imaginam, não existe um vocabulário oficial. Ele também explica que a musicalidade é muito mais importante do que o significado das palavras.
Primeiro encontro uma melodia. Gravo apenas sons como 'blá, blá, blá' e só depois acrescento palavras emprestadas de diferentes idiomas ou expressões que ouvi recentemente.
Haverá um quarto filme?
Por enquanto, Coffin não sabe se continuará dirigindo novas aventuras dos Minions. Segundo ele, tudo dependerá de surgir uma ideia realmente inspiradora: "Ainda não sei. Vai depender de mim e do produtor encontrarmos uma história que me empolgue novamente. Caso contrário, prefiro esperar três ou quatro anos antes de pensar em outro filme."
Quando questionado se gostaria de explorar a Hollywood dos anos 1950 em uma futura produção, o diretor respondeu que prefere evitar transformar a franquia em uma fórmula repetitiva: "Não quero que isso vire um modelo fixo. Como sou eu quem faz os filmes, preciso continuar me divertindo durante o processo."