Recentemente lançado nos cinemas brasileiros, Dia D, o novo filme de Steven Spielberg, chegou carregando uma pressão enorme: muitos afirmavam que a produção poderia ser seu melhor longa-metragem nos últimos 20 anos. E quando se trata do diretor de Tubarão, Jurassic Park, A Lista de Schindler e O Resgate do Soldado Ryan, qualquer afirmação dessa magnitude deve ser feita com cautela.
Spielberg construiu uma filmografia na qual quase cada espectador tem o seu favorito. Para alguns, é o deslumbramento com os dinossauros na Isla Nublar; para outros, a bicicleta cruzando a lua; e para muitos outros, a crueza emocional de seus dramas históricos. No entanto, quando o próprio diretor aponta uma obra que considera insuperável, sua resposta não surpreende tanto. Em vez disso, confirma algo que muitos cinéfilos dizem há décadas.
O Poderoso Chefão: O filme que Steven Spielberg considera o maior de todos
A obra em questão é O Poderoso Chefão, o clássico de 1972 dirigido por Francis Ford Coppola. Durante a cerimônia do AFI Life Achievement Award em homenagem a Coppola, Spielberg não hesitou e o chamou de "o melhor filme estadunidense já feito". Assim, sem rodeios. E vindo de alguém que também dirigiu vários candidatos a ocupar esse trono, a frase carrega um peso considerável.
Paramount Pictures
Não é a primeira vez que O Poderoso Chefão aparece em discussões sobre os melhores filmes de todos os tempos. A história da família Corleone, liderada por Vito Corleone e, posteriormente, por seu filho Michael, tornou-se muito mais do que um filme de máfia. É uma tragédia familiar, um retrato do poder, uma narrativa sobre herança, violência, lealdade e o preço terrível de entrar em um mundo do qual não se sai limpo.
Por que O Poderoso Chefão continua sendo tão poderoso?
O Poderoso Chefão estreou há mais de 50 anos e, mesmo assim, não parece uma obra antiga que se deve assistir por obrigação. Possui aquele tipo de ritmo que pode parecer lento para os padrões atuais, mas que na verdade é repleto de tensão. Cada olhar, cada silêncio e cada reunião familiar carregam algo subentendido. Ninguém fala além da conta, mas todos estão calculando seus movimentos.
Marlon Brando ganhou o Oscar por sua interpretação de Vito Corleone, embora o filme também tenha marcado para sempre a carreira de Al Pacino como Michael. Sua transformação é brutal: ele começa como o filho que deseja se manter fora dos negócios da família e termina convertido no coração mais frio da organização.
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O longa também venceu o Oscar de Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado, mas suas premiações são apenas uma parte da história. O impressionante é como a obra se enraizou na cultura popular. Frases, gestos, cenas inteiras e até o modo de falar da família foram absorvidos por gerações que talvez sequer o tenham assistido por completo, mas sabem perfeitamente do que se trata.
O favorito de um diretor que também fez história
O mais curioso é que Spielberg poderia escolher qualquer um de seus próprios filmes como referência de grandeza, e ninguém o culparía. No entanto, quando fala de O Poderoso Chefão, ele o faz a partir do respeito de quem compreende a magnitude do que Coppola alcançou. Não o trata apenas como um filme importante, mas como algo que integra o ápice do cinema estadunidense.
E há algo belo no fato de que, justamente agora que Spielberg retornou à ficção científica com o lançamento de Dia D, seu filme favorito continue sendo uma história de mafiosos, família e poder. Afinal, os grandes diretores também são espectadores. Eles têm filmes que os formaram, que os marcaram e que os lembram do porquê o cinema pode parecer tão grandioso.