30 anos depois, este detalhe invisível no roteiro de Seven nos faz pensar que o verdadeiro vilão do filme é um vampiro
Diego Souza Carlos
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.

Essa teoria sobre Seven é muito mais assustadora do que o final do filme: ela sugere que John Doe foi mais uma vítima de um predador muito pior.

Algumas teorias de fãs desmoronam à primeira vista, e eu sei disso porque eu mesmo já criei várias delas. Mas existem outras que, quanto mais você as analisa, mais sentido fazem. Esta é uma dessas últimas, uma das teorias mais bem construídas que já li, embora exija um pouco de senso de humor. De um lado, temos Seven, um daqueles filmes que se tornou um trauma coletivo em 1996; do outro, What We Do in the Shadows, que é uma das minhas comédias favoritas.

A ideia que os conecta é simples e um pouco perturbadora de aceitar: o verdadeiro culpado pelo massacre dos Sete Pecados Capitais não seria John Doe, mas Colin Robinson, o vampiro de energia da série. Parece um meme, eu sei, mas a pista estava no próprio roteiro de Fincher há trinta anos, muito antes de Colin sequer existir.

Um vampiro que não ataca seu pescoço, mas sim sua vontade de viver

New Line

Antes de entrarmos no assunto principal, vamos apresentar o suspeito, porque ele não é um vampiro comum. Colin Robinson não morde pescoços nem tem medo de alho: ele é um vampiro psíquico, uma criatura que suga sua força vital enquanto relembra cada detalhe do seu fim de semana. Ele trabalha em um escritório, seu terreno de caça natural, e se alimenta de reuniões longas, e-mails com cópia para todos e conversas banais no elevador. Sua arma não é uma mordida no pescoço, mas sim a banalidade. Sendo uma série cheia de criatividade, a ideia do vampiro psíquico é genial, justamente por ser assustadoramente realista: aqueles que passam oito horas por dia em um cubículo já sabem de que tipo de criatura maligna estou falando.

Eis a teoria. Na série da FX, vampiros de energia se regeneram aos cem anos de idade, então Colin morre no seu centésimo aniversário e, imediatamente depois, uma versão bebê dele emerge do seu cadáver. Ao longo da quarta temporada, essa criança cresce rapidamente e sua transformação no Colin adulto, cinzento e cansado que você já conhece, se completa quando ele encontra e lê os diários meticulosos deixados por uma versão anterior de si mesmo.

FX

Por exemplo, uma das passagens banais que Colin lê em seus diários descreve como, em 17 de novembro de 1994, ele abordou um homem no metrô para conversar sobre trivialidades e se alimentar de seu desespero. O próprio produtor executivo Paul Simms admitiu em uma entrevista que alguém que não sabe o que é um vampiro de energia, ao ler centenas de anos de diários, pode muito bem ser a origem de um novo vampiro.

Agora, vejamos a outra metade do enigma. Em Seven, quando Somerset e Mills finalmente entram no apartamento de John Doe, não encontram troféus macabros ou um altar para o diabo: encontram dois mil cadernos, cada um com cerca de duzentas e cinquenta páginas, dispostos sem nenhuma ordem aparente, uma mente inteira derramada na página. É o trabalho de uma vida inteira dedicada a anotar, repetir e ruminar sobre as mesmas obsessões repetidamente.

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Se pensarmos racionalmente, aquela montanha de prosa monótona e compulsiva não é o retrato de um gênio do mal: é o de alguém esgotado, vazio, escrevendo no piloto automático. É exatamente o rastro deixado pelo diário de um vampiro energético. E se aqueles cadernos não fossem o delírio de um assassino, mas o sintoma de algo que havia se enraizado dentro dele?

A prova definitiva

New Line Cinema

A prova definitiva está em uma das páginas que Somerset lê em voz alta. Nela, John Doe relata como, certo dia, no metrô, um homem solitário se aproximou dele para puxar conversa: o tempo, trivialidades, o papo furado mais insignificante. Ele escreve que tentou ser amigável até que sua cabeça começou a doer com a banalidade do homem e que, quase sem perceber, vomitou nele. Parece familiar? A teoria, recentemente popularizada nas redes sociais a partir de uma ideia surgida no Reddit, afirma que esse homem comum no metrô era Colin Robinson.

Se você ouvir o relato de Robinson sobre como abordou um homem no metrô para se alimentar dele e comparar com a entrada do diário de Doe, verá que as anedotas são praticamente idênticas. Um vampiro que se alimenta da banalidade aborda um homem comum no metrô e o drena completamente; esse homem começa a preencher cadernos com prosa repetitiva e desesperada sobre o quão vazio é o mundo; anos depois, completamente exausto, ele liberta todo esse vazio em uma cruzada contra os pecados de uma cidade que normalizou o horror cotidiano.

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O que é perturbador é que essa teoria rima com a própria tese central do filme: que o verdadeiro mal não é satânico ou espetacular, mas banal, trivial — algo que vemos em cada esquina e toleramos por ser tão comum. John Doe quase diz isso exatamente com essas palavras. Não é genial?

Então, da próxima vez que você rever Seven, preste bastante atenção àquela sequência do caderno, porque você nunca mais a verá da mesma forma. E da próxima vez que você rever What We Do in the Shadows, olhe para Colin Robinson com um pouco mais de respeito: você pode estar diante do verdadeiro gênio por trás de algumas das tramas policiais mais aclamadas do cinema. Você não precisa aceitar tudo ao pé da letra para apreciar a emoção de como tudo se encaixa perfeitamente.

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