James Gray e produtor brasileiro Rodrigo Teixeira: dupla que já explorou o espaço agora conquista o Festival de Cannes
Paulo Ernesto
Paulo Ernesto
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Diretor americano e produtor brasileiro falam sobre confiança, processo criativo e o elenco de peso em novo projeto com Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller

© DR

Em entrevista exclusiva ao AdoroCinema durante a cobertura do Festival de Cannes, o produtor brasileiro Rodrigo Teixeira (Ainda Estou Aqui) contou mais sobre a parceria entre ele e o diretor James Gray que resultou em seu novo filme que estreia no festival, Paper Tiger.

Rodrigo, ainda no início da carreira, recebeu de seu agente uma lista de clientes e apontou o dedo para o nome de Gray, diretor cujos filmes acompanhava como espectador apaixonado. Um mês depois, os dois estavam num jantar em Nova York.

"Ele me cutucou e pediu para fazermos algo juntos", lembra ele. Para Gray, o encontro revelou algo raro, que era um produtor com bom gosto e com que deseja de coração o melhor para o filme. "Existem basicamente duas ou três pessoas no mundo, em cada momento da história, com esse tipo de atitude. Quando você as encontra, precisa mantê-las por perto", diz o diretor.

Do espaço sideral ao cinema de autor

O primeiro grande teste da dupla foi Ad Astra (2019), uma produção de Hollywood no sentido mais clássico do termo, com toda a lógica de distribuição e orçamento que isso implica. Para Teixeira, foi um marco histórico. "Para um produtor brasileiro fazer um filme sobre o espaço era impossível, e fizemos", afirma.

O produtor define Gray como um dos únicos diretores-autores vivos da indústria americana, alguém capaz de pensar o cinema de forma singular, e para quem Teixeira aprendeu a traduzir essa visão em viabilidade de produção. "Estruturalmente, entrego o que é necessário para viabilizar o filme. E por isso continuamos trabalhando juntos."

Equilibrar intimidade emocional com tensão e violência é, segundo Gray, um dos maiores desafios de qualquer filme e não existe atalho. O diretor citou Chinatown, de Roman Polanski, como referência de um trabalho que parece ter sido rodado em sequência, como se cada cena estivesse no ritmo exato, mesmo sem ter sido filmado nessa ordem. Para ele, o maior desafio é encontrar o nível certo de intimidade entre os atores e encaixá-lo na tapeçaria do filme. "É um desafio sem fim." O processo, descreve, funciona de trás para frente, detalhe a detalhe, até que seja possível recuar e ver o todo.

O elenco super entregue

Com Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller no elenco, Gray diz que a resposta veio rápido. "Você percebe nos primeiros 15 minutos de filmagem o nível de comprometimento emocional do ator", explica. No caso do trio, a certeza chegou imediatamente - vulnerabilidade, raiva, amor, ternura e violência foram entregues com total confiança. Teixeira ainda lembrou de uma cena específica de Johansson num restaurante chinês, em que ela falava com os filhos sobre a rotina escolar, já carregada emocionalmente, logo no primeiro dia de filmagens. "Meu queixo caiu. E aí você entende quem é essa pessoa."

Paper Tiger foi exibido no Festival de Cannes e terá distribuição garantida no Brasil pela Diamond.

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