No início dos anos 1990, dois nomes indissociáveis da identidade dos EUA se encontraram: Jack London que, com seus romances de aventura conferiu identidades emocionantes — e bastante romantizadas — a vastas e indomadas regiões dos Estados Unidos, e Walt Disney, cujo estúdio tradicional personificou o sonho americano e transformou a cultura pop norte-americana.
Em 1991, a Walt Disney Pictures levou aos cinemas a possivelmente mais bela de todas as adaptações de Jack London: Caninos Brancos é um épico histórico de aventura filmado em cenários naturais de tirar o fôlego, estrelado por Ethan Hawke — conhecido por Sociedade dos Poetas Mortos e Dia de Treinamento —, e explora temas de coragem, amizade e vontade de sobreviver. Se ficaram curiosos: o sucesso de bilheteria de 14 milhões de dólares Caninos Brancos está disponível no Disney+!
Do que trata Caninos Brancos?
Alasca, final do século XIX: a corrida do ouro atrai pessoas de todas as idades para o norte, com a promessa de enriquecer por meio de trabalho duro e um pouquinho de sorte. Entre elas está o jovem Jack Conroy (Ethan Hawke), que atravessa a natureza selvagem e intransitável em busca da mina de ouro de seu pai. No caminho, ele conhece o experiente caçador de armadilhas Alex Larson (Klaus Maria Brandauer), que o toma sob sua proteção.
Quando encontram um cão semisselvagem pelo caminho, isso se revela uma bênção: o animal, batizado de Dente Branco, salva Jack corajosamente de um urso agressivo e logo se torna companheiro do jovem aventureiro. Mas então o inescrupuloso jogador e maltratador de animais Beauty Smith (James Remar) põe os olhos em Dente Branco...
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Imagens poderosas e grandes emoções
Ao lado de Hawke, do ator de Warriors - Os Selvagens da Noite, James Remar, e do ator de Entre Dois Amores, Klaus Maria Brandauer, há ainda alguém em Caninos Brancos que o público pode reconhecer de outros títulos dignos de atenção: o personagem-título é interpretado pelo cão-lobo profissionalmente adestrado Jed, que já brilhou no clássico do terror científico O Enigma de Outro Mundo e no subestimado e envolvente drama de aventura da Disney Viagem Clandestina.
O que une Viagem Clandestina e o mais conhecido Caninos Selvagens é que ambos os filmes têm cenas tocantes sobre a amizade entre humano e animal, que certamente agradaram aos tomadores de decisão da Disney ao escolherem essas histórias. Ainda assim, de forma alguma se deve equiparar esses filmes às aventuras Disney de viés mais infantil, como Neve pra Cachorro ou os inúmeros derivados de Bud, o Cáo Amigo.
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Essas aventuras históricas unem narrativas comoventes sobre perseverança e solidariedade diante de desafios árduos a passagens cativantes dedicadas à ganância humana e — de forma comparativamente realista — às armadilhas da natureza selvagem.
Assim, entre os pontos altos da adaptação Disney do clássico literário de Jack London, filmada em frente a paisagens imponentes do Yukon, estão o ataque do urso, executado com boas acrobacias e cortes habilidosos, além de uma sequência cheia de suspense em que uma matilha de lobos faminta espreita caçadores de armadilhas — com um desfecho fatal que, embora se passe fora de cena, é evocado por uma trilha sonora dolorosamente perturbadora.
Dois compositores, um universo sonoro de qualidade
Além das imagens da natureza de tirar o fôlego do diretor de fotografia Tony Pierce-Roberts, de Quarto com Vista, e da convincente conexão entre Hawke e seu co-astro animal, a trilha sonora de Caninos Brancos também fica na memória. Isso é uma surpresa genuína, pois nos bastidores ela foi motivo de desentendimentos entre o diretor Randal Kleiser (Grease) e a Disney.
Dentro dos estúdios Disney, houve objeções à maneira como o compositor Basil Poledouris — amigo de Kleiser — reinterpretou elementos de americana de forma nostálgica, romântica e cheia de espírito aventureiro. Por isso, pediram primeiro que ele revisasse sua partitura e depois contrataram Hans Zimmer para substituir o trabalho de Poledouris. No fim, porém, a maior parte das peças de Poledouris acabou ficando no filme, com apenas um pequeno punhado complementar de composições de Zimmer, que uniu percussão, ritmos em staccato e sons sintetizados a uma aproximação ao estilo de Poledouris.
O resultado foi uma trilha melodramaticamente eficaz, que não exagera nem peca por falsa contenção, e que combina muito bem com as fortes imagens da natureza e com a atemporal história de aventura. Ainda mais suspense animal diante de uma paisagem fria e marcante você encontra na dica de streaming a seguir.