Personagem de Emily Blunt em O Diabo Veste Prada é baseada em uma pessoa real, e ela não está nada satisfeita com isso: "Não levou o trabalho muito a sério"
Marco Rigobelli
Marco Rigobelli
Marco é tradutor e redator. Tem uma história pessoal com O Bebê de Rosemary, acha que 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e pode passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.

Inspiração para em O Diabo Veste Prada, atualmente ela é stylist de Charlize Theron e deu os primeiros passos no setor trabalhando com Anna Wintour.

Ficções inspiradas em fatos reais sempre deixam alguém descontente, porque ao expor certas histórias comprometedoras é quase impossível agradar a todo mundo. E mais ainda em um cenário como o de O Diabo Veste Prada, o romance original de Lauren Weisberger baseado em sua própria experiência como assistente de Anna Wintour na revista Vogue.

Se a própria Lauren é Andy Sachs e Wintour é Miranda Priestly — personagens de Anne Hathaway e Meryl Streep, respectivamente —, ainda faltava desvendar a identidade de alguns protagonistas. E a Emily real, a personagem vivida por Emily Blunt, decidiu acabar com o mistério.

Stylist Leslie Fremar inspirou personagem de Emily Blunt

O Diabo Veste Prada
O Diabo Veste Prada
Data de lançamento 22 de setembro de 2006 | 1h 50min
Criador(es): David Frankel
Com Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt
Usuários
4,4
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Trata-se de Leslie Fremar, que hoje trabalha como stylist para Charlize Theron, Julianne Moore e Jennifer Connelly, entre outras estrelas, e chegou a ser diretora de relações públicas da Prada. Mas no início da carreira, lá por 1999, ela foi assistente de Anna Wintour na Vogue — era a "Emily" original.

"É que eu sei que sou eu. Eu sou a Emily", admitiu Fremar no podcast The Run-Through, da Vogue, acrescentando que reencontrar a autora de O Diabo Veste Prada depois de tantos anos seria "muito constrangedor": "Não guardo nenhum rancor dela. Mas é uma daquelas coisas que acho que ela não sabe que eu sei. Creio que não teríamos nada a nos dizer".

Quando O Diabo Veste Prada foi publicado, causou uma pequena comoção na Vogue, e a própria Anna Wintour a contactou para falar sobre o assunto, dizendo que "[Weisberger] escreveu um livro sobre nós. E você é ainda pior do que eu".

Leslie Fremar no podcast The Run-Through Divulgação/The Run-Through
Leslie Fremar no podcast The Run-Through

"Era muito mesquinho, no fundo. Acho que obviamente um editor suavizou bastante... Mas parecia muito sombrio. Lembro de pensar que achei muito doloroso", explicou Fremar. "Acho que o que chegou ao mundo foi uma versão muito mais leve e agradável do que ela escreveu. Lembro de sentir como uma traição".

Ainda assim, Fremar admite que a personagem de Emily parece antipática porque está sob muito estresse - assim como ela estava na época, pois queria fazer um bom trabalho. Foi um período "muito frustrante", e ela teoriza que, enquanto se desdobrava trabalhando para Wintour, sua ex-colega provavelmente estava concentrada no rascunho do romance.

[Weisberger] talvez estivesse ali escrevendo um livro, e não necessariamente levando o trabalho tão a sério quanto eu. Ou, sabe, quanto um milhão de garotas fariam. Então acho que isso possivelmente criou tensões no escritório e eu perdi a paciência em algum momento... Mas ela não queria entrar no jogo.
Disney

Afinal, por mais superficial que o mundo da moda possa parecer para algumas pessoas, ele continua sendo um negócio que movimenta bilhões. E, como defende Fremar, "é uma forma de arte para muita gente. As pessoas se vestem todos os dias como uma expressão de quem são (...) Era importante para mim, e o fato de não ser importante para ela me incomodava muito".

Parece que o tempo de Fremar com Anna Wintour não foi tão tempestuoso quanto o da autora de O Diabo Veste Prada, já que ela diz não guardar uma má lembrança desse período. Na verdade, refere-se à sua ex-chefe como uma "verdadeira mentora" e afirma ser muito grata a ela pela carreira que construiu.

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