A história às vezes fica a um fio de ser completamente diferente. Lançado em 1998, O Resgate do Soldado Ryan é hoje considerado um dos maiores filmes de guerra de todos os tempos. Ao conquistar nada menos que 5 Oscars, a obra permitiu a Steven Spielberg confirmar seu status de artista indispensável em Hollywood, rendendo-lhe sua segunda estatueta de melhor diretor, 4 anos após A Lista de Schindler.
Aclamado pelos usuários do AdoroCinema, O Resgate do Soldado Ryan quase teve um destino bem diferente. O perfil (bastante) surpreendente do diretor que havia sido escolhido pelos estúdios antes de Steven Spielberg pode surpreender. Uma dica: você o conhece!
Michael Bay quase dirigiu O Soldado Ryan
O Resgate do Soldado Ryan não é um filme intimista e original de Steven Spielberg: trata-se de uma encomenda dos estúdios Paramount, que haviam adquirido os direitos de um roteiro escrito por Robert Rodat (O Patriota, Kursk - A Última Missão). Como o nome do diretor de Jurassic Park não veio espontaneamente à mente dos produtores, eles decidiram inicialmente trabalhar com um jovem cineasta cujo nome você conhece: Michael Bay!
Paramount
Hoje reconhecido por sua arte (sutil) de filmar explosões, o cineasta tinha à época apenas o primeiro Bad Boys em seu currículo. Uma escolha estranha em retrospecto, que leva a crer que a Paramount tinha uma visão bem particular do projeto Ryan, bastante distante daquela que Steven Spielberg acabaria realizando.
Após trabalhar por algum tempo no filme, Michael Bay acabou saindo do projeto por conta própria, considerando-se incapaz de encontrar a abordagem certa para um tema como aquele. A dúvida, porém, durou pouco: 3 anos após o lançamento de O Resgate do Soldado Ryan, Michael Bay apresentaria ao público seu próprio épico de guerra emocionante: Pearl Harbor.
O Resgate do Soldado Ryan vs. Pearl Harbor
Comparar Pearl Harbor e O Resgate do Soldado Ryan tem o interessante mérito de mostrar o quanto ambos são muito representativos da abordagem de cada cineasta. Em um caso, o tema do filme é um evento espetacular que marcou uma nação inteira (macro-escala); no outro, a história é apenas o contexto para uma trama centrada, antes de tudo, no indivíduo (micro-escala). Em resumo: Michael Bay filma a Guerra (com letra maiúscula), enquanto Steven Spielberg filma um homem (com letra minúscula) perdido no meio dos combates.
Touchstone Pictures
Essa diferença de ponto de vista implica escolhas de mise en scène muito distintas. No ataque a Pearl Harbor, Michael Bay utiliza exaustivamente a montagem por repetição: uma mesma explosão é mostrada sob vários ângulos em sequência, para amplificar seu impacto. O sujeito do plano é, portanto, a própria explosão, que precisa ser absolutamente legível para o espectador.
Em O Resgate do Soldado Ryan, Spielberg utiliza, ao contrário, uma montagem intencionalmente caótica, em que o personagem está perdido no meio de uma chuva de fogo frequentemente desfocada. A ideia é transmitir ao espectador o medo visceral do soldado no momento do desembarque, o que implica que o homem é desta vez o centro do plano.
Paramount
Dois filmes muito diferentes, portanto, que nos permitem cada um à sua maneira reviver um momento maior da história dos Estados Unidos. No fundo, seria preciso agradecer a Michael Bay por ter deixado o projeto Ryan para se dedicar a Pearl Harbor, permitindo assim que os espectadores desfrutassem de dois filmes com estilos opostos e, por isso mesmo, complementares.