Segundo a ciência, pessoas que cresceram assistindo a clássicos da Disney aprenderam a lidar com o luto mais cedo
Rafael Felizardo
Rafael Felizardo
-Redator | Crítico
Sonhador desde pequeno e apaixonado por cinema de A a Z, encontrou em David Lynch um modo de sonhar acordado.

Animações como Bambi e O Rei Leão introduzem a temática da morte de forma sensível e emocional, apresentando às crianças reflexões sobre perda, luto e amadurecimento.

Apesar de ser uma franquia pensada para crianças e adolescentes, os filmes da Disney, muitas das vezes, carregam destinos trágicos em seus enredos. Animações como Bambi, O Rei Leão, Frozen: Uma Aventura Congelante e outras tratam de forma direta a temática da morte, utilizando as perdas como motores emocionais fundamentais para o amadurecimento de seus protagonistas.

Com isso em mente, uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, em 2017, abordou como as produções da Disney oferecem aos adultos a oportunidade de discutir questões relacionadas ao fim da vida com crianças. Kelly Tenzek, professora assistente clínica do departamento de comunicação da Universidade de Buffalo; e Bonnie Nickels, professora visitante do Instituto de Tecnologia de Rochester, analisaram 57 filmes da Disney e da Pixar nos quais 71 personagens morreram, chegando ao seguinte veredicto:

“Esses filmes podem ser usados ​​como ponto de partida para conversas sobre temas difíceis e muitas das vezes tabus, como a morte e o ato de morrer. Essas são conversas importantes para se ter com crianças, mas esperar até o fim da vida é muito tarde e pode levar a uma experiência ruim nesse momento."

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O estudo em questão utilizou categorias de uma pesquisa realizada em 2005 sobre representações do fim da vida em 10 filmes da Disney e da Pixar. Essa pesquisa anterior distinguiu o status do personagem falecido como antagonista ou protagonista; a causa da morte; se o filme apresenta a morte ou a sugere; as reações de outros personagens; e se a morte, dentro do contexto da trama do filme, era permanente ou um evento reversível e fantasioso. Com esse modelo e sua lista ampliada de 57 filmes, a nova análise ampliou a discussão sobre o tema.

“Em primeiro lugar, algumas das representações da morte são irrealistas, como quando o personagem retorna ou retorna em uma forma alterada”, colocou Tenzek. “Mas esta é uma oportunidade para uma criança entender melhor a diferença entre ficção e vida real”, acrescentou.

A forma como os personagens retratam as suas reações à morte pode ajudar as crianças a compreender a natureza da expressão emocional. Operação Big Hero e Divertida Mente abordam especificamente as respostas emocionais à morte e ao ato de morrer, algo que não estava presente em filmes anteriores.

A especialista ainda finaliza:

“Eu ensino comunicação sobre o fim da vida. Meu objetivo é educar e ajudar as pessoas a se sentirem mais confortáveis ​​com o momento final.”

O resultado completo do estudo pode ser visto ao clicar aqui.

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