Em 1973, após seu papel de destaque em O Poderoso Chefão, Al Pacino consolidou seu sucesso interpretando um policial incorruptível em Serpico, dirigido por Sidney Lumet. O filme nos apresenta Frank Serpico que recém-saído da academia de polícia, ele chega à cidade de Nova York movido por convicções inabaláveis e um forte senso de integridade.
Em pouco tempo, nosso novo pacificador leva um choque: por trás do uniforme, esconde-se um sistema permeado por corrupção generalizada. Recusando-se categoricamente a participar de subornos, ele aliena toda a sua brigada e se torna um pária. Mas Serpico não recua! Pronto para expor a verdade, ele se levanta sozinho contra todos, mesmo que isso signifique ser tachado de traidor por aqueles que deveriam ser seus irmãos de armas.
Paramount Pictures
Em reconhecimento à sua notável atuação, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas concedeu-lhe sua primeira indicação ao prêmio de Melhor Ator em 1974. No ano anterior, ele havia recebido uma indicação na categoria de ator coadjuvante por sua interpretação de Michael Corleone em O Poderoso Chefão.
Al Pacino parece desconfortável
Em uma entrevista de 1979 para a Playboy, Al Pacino relatou sua experiência na cerimônia do Oscar de 1974, descrevendo o intenso estresse que o deixou completamente paralisado. "Eu estive no Oscar uma vez, por causa de Serpico. Era minha segunda indicação. Eu estava sentado na terceira ou quarta fila com Diane Keaton. Jeff Bridges estava lá com a namorada. Ninguém esperava que eu fosse. Eu estava um pouco chapado", admitiu ele, sem rodeios.
"Alguém tinha feito alguma coisa com o meu cabelo, bagunçado ou algo assim, e eu parecia que tinha um ninho de passarinho na cabeça, um verdadeiro desastre. Sentei lá e tentei parecer indiferente porque estava muito nervoso. Sempre que estou nervoso, tento parecer indiferente ou frio", continuou Al Pacino.
"Em certo momento, me virei para Jeff Bridges e disse: 'Ei, parece que não vamos conseguir o Oscar de Melhor Ator.' Ele me olhou estranho. Disse: 'Ah, é mesmo?' Eu respondi: 'Acabou, a hora passou.' Ele disse: 'Dura três horas.' Eu achava que era um programa de TV de uma hora, imagina? E eu precisava muito fazer xixi", contou o ator, continuando a narrar sua história.
Um método radical
"Então tomei Valium. Na verdade, eu estava tomando Valium como se fosse doce. Finalmente, o prêmio de Melhor Ator chegou. Você consegue imaginar o estado em que eu estava? Eu não conseguiria subir ao palco. Eu estava rezando: Por favor, que não seja eu. Por favor. E ouvi: Jack Lemmon. Fiquei tão feliz por não ter que subir, porque eu nunca teria conseguido", concluiu.
Eu não conseguiria subir ao palco. Rezei: Por favor, que não seja eu. Por favor.
De fato, por mais surpreendente que pareça, foi o azarão Jack Lemmon quem ganhou o Oscar de Melhor Ator em 1974 por sua atuação em Sonhos do Passado, um filme praticamente esquecido hoje em dia. Ele venceu Al Pacino por Serpico, Marlon Brando por Último Tango em Paris, Jack Nicholson por A Última Missão e Robert Redford por Golpe de Mestre.
Pacino teve que esperar quase 20 anos para receber a cobiçada estatueta dourada. Ele foi finalmente coroado em 1993 por sua atuação como o coronel cego em Perfume de Mulher, dirigido por Martin Brest.