Atenção! O texto a seguir tem spoilers de O Drama.
Era de se esperar: desde seu lançamento, o filme O Drama, estrelado por Zendaya e Robert Pattinson, gerou debates – principalmente nos Estados Unidos. O motivo? O segredo da personagem interpretada pela atriz. No filme, uma jovem revela um segredo obscuro à medida que seu casamento se aproxima: aos 15 anos, ela planejou um massacre em sua escola, mas nunca o executou.
Nos Estados Unidos, onde a violência armada é um tema central, o filme encontra forte ressonância. Desde o início de 2026, ocorreram 118 tiroteios em massa, segundo o site Mass Shooting Tracker. No entanto, o humor ácido do filme e seu marketing vêm sendo considerados problemáticos.
A fala de uma sobrevivente
Jackie Corin, cofundadora da organização antiarmas March for Our Lives e sobrevivente do massacre de Parkland em 2018, falou ao The Hollywood Reporter: "Sou sobrevivente do massacre de Parkland, que tirou a vida de 17 colegas e professores, e esse assunto me afetou profundamente. Por isso, quando o humor entra em cena, o efeito é bem diferente. Infelizmente, não são apenas aqueles que vivenciaram essa tragédia que são afetados. Milhões de crianças em todo o país vivem com medo dela todos os dias. Assim, o que pode parecer satírico ou um contraste de tom para um público pode parecer muito inapropriado para outro."
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O que o diretor tentou nos dizer?
Corin critica principalmente os astros do filme, que ela descreve como "ícones para os jovens", por não se manifestarem sobre o assunto para conscientizar sobre o tabu dos tiroteios em massa. "É uma estratégia curiosa, encontrar uma maneira de falar sobre isso", comenta.
"Não acho que a questão seja se alguém como Zendaya ou Robert Pattinson deveria participar de um projeto como este, mas sim se o projeto realmente está à altura do nível de qualidade que a fama deles confere."
Em entrevista ao AlloCiné, o diretor e roteirista Kristoffer Borgli (também envolto em sua própria parcela de polêmicas recentemente) explicou que não temia a recepção do público americano: "Quando escrevo sozinho no meu quarto e ninguém lê, não penso no público. Nada me impede. Simplesmente tento ser fiel a mim mesmo, às minhas ideias e ao que quero explorar. Mas, para mim, cada filme é um bom ponto de partida para iniciar uma conversa, um debate."
O Drama segue em cartaz nos cinemas de todo o Brasil.