O dia em que Steven Spielberg percebeu que Tubarão seria um sucesso foi graças a uma experiência muito desagradável
Giovanni Rodrigues
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

O que hoje é visto como uma máquina de suspense perfeita, na verdade nasceu de problemas técnicos, atrasos e um jovem diretor por vezes convencido de que estava afundando junto com seu filme.

Existem filmes que nascem grandes e outros que, com o passar do tempo, se tornam gigantes. Tubarão pertence à segunda categoria. Hoje é lembrado como uma das obras que mudou Hollywood para sempre e o tipo de fenômeno que ajudou a definir o que hoje chamamos de blockbuster de verão. Mas na época, Steven Spielberg não estava exatamente nadando em confiança.

Tubarão
Tubarão
Data de lançamento 7 de julho de 1975 | 2h 04min
Criador(es): Steven Spielberg
Com Roy Scheider, Robert Shaw, Richard Dreyfuss
Usuários
4,3
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E visto de fora, tudo parece impossível: tubarão, praia e caos. Mas enquanto estava filmando, Spielberg não tinha como saber que estava construindo uma lenda. De fato, anos depois ele contou que a filmagem foi tão difícil que o deixou emocionalmente esgotado, convencido em certos momentos de que aquilo poderia dar muito errado.

O melhor da história é que o momento em que ele começou a suspeitar que Tubarão poderia realmente se tornar um fenômeno não veio graças a uma ovação, nem a uma crítica brilhante. Veio quando um espectador saiu disparado do cinema em uma sessão de teste em Dallas e acabou vomitando no saguão. Essa foi a elegância da revelação.

O susto que a princípio parecia um mau sinal

Universal Pictures

Spielberg contou essa anedota recentemente durante uma conversa no SXSW com o The Big Picture. Ele lembrou que não entendeu realmente o que tinha em mãos até essa exibição prévia em Dallas, no Medallion Theatre, quando finalmente pôde medir a reação do público real diante de um filme que vinha de uma produção acidentada.

Tudo aconteceu durante uma das cenas mais fortes do filme: a morte do menino Alex Kintner. Spielberg viu um homem se levantar de seu assento e pensou o pior, que era seu primeiro sinal de que o filme talvez tivesse passado dos limites. O tipo de momento que congela o sangue de qualquer diretor.

Mas não. O espectador não foi embora porque não aguentava mais o filme no sentido de horror: ele foi porque literalmente sentiu nojo, correu para o banheiro. O pior é que não conseguiu chegar e vomitou no chão do saguão. Spielberg viu tudo, pensando em todo tipo de coisa.

O instante em que tudo mudou

Universal Pictures

A parte gloriosa veio depois. Alguns minutos mais tarde, o mesmo homem voltou para sua poltrona para terminar de ver o filme. E foi aí, segundo Spielberg, que ele entendeu que tinham um sucesso nas mãos. Porque uma coisa é provocar uma reação física tão forte, e outra muito diferente é que, mesmo depois disso, o espectador não quisesse perder o resto.

A reação deu a Spielberg uma espécie de termômetro brutalmente claro sobre o que ele tinha em mãos. Não um filme confortável nem mais uma aventura de praia, mas uma experiência que alterava o público de maneira física e emocional. Foi exatamente aí que ele começou a ver que Tubarão poderia se tornar algo muito maior do que um filme de terror de verão.

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